A livraria que saiu das páginas de um livro

Gosto de livros que falam sobre livros e mais ainda quando as histórias são verídicas. É esse o caso de “O Clube do Livro do Fim da Vida” de Will Schwalbe, que li ano passado.

O livro relembra o relacionamento do autor com a mãe, alicerçado nas indicações e trocas de leituras que fizeram. Os comentários sobre os livros foram bem interessantes, e, graças a eles, conheci escritores maravilhosos.

Saber que a mãe do autor passava longas temporadas em Vero Beach, cidadezinha litorânea na Flórida, teve um gosto todo especial para mim. Porque é lá que mora a minha irmã caçula há alguns anos.

“Mamãe adorava quase tudo em Vero – o tempo, a praia, a casa que ela alugava de uma amigo, os rituais e ritmos, o pequeno mas excelente museu, as palestras na biblioteca, e mesmo o supermercado, com seus corredores exuberantemente vastos. A cidade também possui uma das grandes livrarias independentes dos Estados Unidos, o Vero Beach Book Center.”

Lembro que parei a leitura e, com as facilidades atuais de comunicação, telefonei para comentar sobre a simpática coincidência. Minha irmã prometeu que quando a fosse visitar me levaria para conhecer a livraria.

Um ano e pouco depois de termos essa conversa nosso desejo se realizaria.

Admito que fiquei um pouco desapontada com o edifício virado para um estacionamento e a fachada sem graça pintada de rosa, mas assim que entrei me surpreendi com o seu interior espaçoso  e com a qualidade do acervo oferecido.

Sem planejar – assim como o escritor e a mãe costumavam fazer – cada uma de nós foi para um lado.

Sempre que eu ia a uma livraria com mamãe, primeiro nos separávamos – duplicando nossa capacidade de reconhecimento de terreno. Esperávamos talvez 15 minutos antes de nos encontrarmos – e então um levava o outro num pequeno passeio guiado do que tínhamos encontrado.

Por preferir ler em português saí sem comprar nada, mas minha irmã não resistiu e voltou para casa com dois livros de estilos bem diferentes: Submissão de Michel Houellebecq e How Yoga Works de Michael Roach.

Demos boas risadas ao reconhecer que, apesar de nossos gostos literários não serem parecidos, temos a mesma dificuldade em sair de uma livraria com as mãos abanando. E silenciosamente agradeci à nossa mãe e à do escritor que nos transmitiram o prazer da leitura.

 

  • Vero Beach Book Center

392  21St Vero Beach

Fl. 32960 – EUA

O clube do livro do fim da vida

O-clube-do-livro-do-fim-da-vidaDurante quase dois anos O clube do livro do fim da vida fez parte da minha lista de desejos. Qual não foi a minha satisfação quando o ganhei de presente de aniversário.

Entretanto, esperas prolongadas costumam provocar expectativas que muitas vezes terminam em decepções. Foi, portanto, com certo receio que iniciei sua leitura.

Minha insegurança durou pouco. Fui logo cativada pela nota inicial do autor onde ele compartilhou uma frase que sua mãe costumava dizer: “Faça o seu melhor, e é só isso que pode fazer”. Se era com essa leveza que se tocava a vida, a leitura prometia ser descontraída e acolhedora.

A história se apóia em dois pilares. O primeiro são as leituras que Mary Anne compartilhou com o filho Will, autor deste livro. O segundo é ela mesma.

Ao ser diagnosticada com um câncer, Will começou a acompanhá-la às sessões de quimioterapia. Para torná-las menos desagradáveis, criaram um clube de leitura só para eles. Enquanto Mary Anne se submetia ao tratamento, os dois conversavam sobre personagens e trechos do livro que lhes tinham tocado.

Quando dei por mim, estava anotando numa folha de papel algumas sugestões que me interessaram: Encontro em Samara de John O’Hara ; Os detetives selvagens de Roberto Bolaño; Gilead de Marilynne Robinson;  A mordida da manga de Mariatu Kamara.

Outras indicações eu já conhecia: O ano do pensamento mágico de Joan Didion; Um delicado equilíbrio de Rohinton Mistry ; Os homens que não amavam as mulheres de Stieg Larsson.

Um livro em especial chamou minha atenção: A elegância do ouriço de Muriel Barbery. Não recordo qual foi o motivo, mas lembro que nos primeiros capítulos – e apesar dos elogios de diversas pessoas cujo gosto literário combina com o meu – o deixei de lado. Agora que confiava nas opiniões literárias do autor e sua mãe, talvez estivesse na hora de lhe dar uma segunda chance.

À medida que a leitura de O clube do livro do fim da vida se encaminhava para o final, percebi que deliberadamente a estava retardando. Não porque não estivesse gostando, mas porque sabia que quando o livro terminasse, a mãe do autor estaria morta. Mesmo sabendo que isso já acontecera na vida real, não queria que fosse verdade. Eu me afeiçoara a Mary Anne, queria conhecê-la!

Tudo bem que fui apresentada a ela pelo olhar amoroso do filho, mas como não me encantar por essa senhora cheia de energia, que gostava genuinamente das pessoas e lhes oferecia algo muito precioso, e que ultimamente anda bem escasso: Atenção. Ela as escutava e para todas tinha uma palavra amiga e um sorriso.

Desde muito jovem, sempre se envolveu em causas sociais. A família era importante, principalmente os netos, mas por mais de vinte anos visitou campos de refugiados e dedicou-se em aliviar seus sofrimentos. Sempre que possível, ajudou vários a refazerem suas vidas longe dos conflitos e zonas de guerra.

Sua crença no poder transformador e agregador da literatura, levou-a a lutar pela implantação de uma biblioteca em Cabul capital do Afeganistão. Essa foi sua última empreitada.

Acho que Mary Anne ficaria feliz se soubesse que sua vida – assim como o livro – inspirou muita gente inclusive a mim.

 

  • O clube do livro do fim da vida

Will Schwalbe

Editora Objetiva

R$ 39,90

E-Book  R$ 24,90

O que ganhei de aniversário em 2015

 

Ainda não tinha terminado de ler o último livro que ganhara das minhas ex-colegas da FTC, e já estava na hora de comemorar, de novo, o meu aniversário.

Apesar de não trabalharmos juntas há mais de cinco anos, continuamos nos reunindo para matar as saudades e celebrar os aniversários.

Nós formamos um grupo muito prático. A aniversariante sempre escolhe o que quer ganhar, e a mais organizada e responsável, recolhe o dinheiro, pesquisa preços e efetua a compra final, inclusive a do próprio presente.

Invariavelmente recebo livros, que vou intercalando com outros que eu mesmo compro ao longo do ano.

Como poderão constatar a minha lista é bastante eclética e entrarei 2016 com a “difícil” tarefa de ler:

A Última Viagem do Lusitania – Erik Larson

Despertar : um guia para a espiritualidade sem religião – Sam Harris

O Clube do Livro do Fim do Mundo – Will Schwalbe

A Vítima Perfeita – Sophie Hannah

A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

Entre o mundo e eu – Ta Nehisi Coates

Além destes seis, ganhei de uma querida amiga o livro Primatas da Park Avenue, que também foi escolhido por mim. Esse tipo de acordo pode parecer estranho, mas simplifica muito as coisas. Nunca fico decepcionada com o que recebo, e quem me oferece fica feliz porque sempre acerta o presente.

 

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