Essa Menina – de Paris a Paripiranga

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Sempre aguardo com interesse a chegada das listas com os 10+ que aparecem todo final de ano. Elas abrangem os mais diversos assuntos e, como não poderia deixar de ser, as minhas favoritas são as que falam sobre livros.

Gosto quando li um ou outro dos recomendados, e fico curiosa se não conheço algum. Foi o que aconteceu com “Essa Menina – de Paris a Paripiranga”, escrito pela sergipana Tina Correia, e indicado por Zuenir Ventura no jornal O Globo.

O comentário elogioso do escritor – “um romance de estréia de quem domina a arte de narrar” – fez com que me interessasse por ele imediatamente.

O livro reúne diversas lembranças da infância e adolescência da autora vividas numa pequena cidade nordestina.

O jeito de Tina contar suas memórias é coloquial e repleto de regionalismos pitorescos. O que seria: “quem quisesse ter mabaços deveria comer frutas inconhas”?

Para quem não entendeu nada – assim como eu – a escritora explica: Mabaços são irmãos gêmeos, e frutas inconhas são aquelas que nascem grudadas uma na outra.

De superstição em superstição diverti-me muito, e soube de costumes populares que aos poucos foram esquecidos. Como o das meninas que mastigavam o tendão borrachudo do boi, atrás de uma porta (!), enquanto repetiam três vezes a frase “cabelouro me põe bonita!”. Este ritual era praticado pelo sexo feminino com o propósito de melhorar a aparência física.

A autora relembra também, de quando desejou conciliar a profissão de professora com a de cantora ou artista de cinema.

Após muitos anos sem cortar os cabelos – para cumprir uma promessa feita pela tia – assim que pode imitou o penteado curto da cantora Ângela Maria.

Curiosa para saber como era esse corte de cabelo fui pesquisar na internet. Além dessa informação, descobri que Ângela Maria após seis maridos e muitos namorados, em 1979, casou-se aos 51 anos com um rapaz de 18. Custei a acreditar, mas não só era verdade como os dois são felizes até hoje.

O sonho de ser artista de cinema teve seu ápice quando viu a atriz Vanja Orico atuar no filme “O Cangaceiro” dirigido pelo cineasta Victor de Lima Barreto. De novo recorri ao Google para saber um pouco mais. Aprendi que foi o primeiro filme brasileiro a ser visto no exterior, e que em 1953 recebeu dois importantes prêmios em Cannes: Melhor Filme de Aventura e Melhor Trilha Sonora.

Recentemente, uma das canções do filme, “Mulher Rendeira”, encantou o mundo inteiro ao ser tocada na cerimônia de encerramento das Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.

Quando terminei de ler “Essa Menina – de Paris a Paripiranga” pensei que se porventura ainda estivesse trabalhando numa livraria, o indicaria para muitos clientes. Este é um livro que merece ser conhecido.

 

  • Essa menina – de Paris a Paripiranga

Tina Correia

Editora Alfaguara

R$ 39,90

E-Book R$ 27,90

Belgravia

belgraviaBelgravia é um daqueles livros que se leem de um fôlego só. Principalmente se você assistiu a mini série inglesa Downton Abbey e gostou.

Está tudo lá. As rígidas convenções sociais e as divisões de classes entre nobres e empregados. No livro entra outra casta pouco explorada na série: a dos empreendedores, que trabalhavam e construíram suas fortunas de maneira legítima. Eles eram menosprezados não só pela aristocracia mas também pelos próprios empregados domésticos, que se pudessem escolher prefeririam trabalhar para patrões mais ilustres.

Um fato curioso muito bem caracterizado em Belgravia é a posição social do segundo filho. Sorte de quem nasceu primogênito. Eu disse primogênito e não primogênita. Se fosse homem herdaria o título nobiliárquico, as propriedades rurais, a mansão, enfim, tudo. Se fosse mulher deveria procurar fazer um “bom casamento” porque o herdeiro universal seria o irmão mais novo. Se não houvesse um, o afortunado passaria a ser o parente masculino mais próximo na linha sucessória.

É de se supor que à medida que cada irmão ficava ciente de sua posição na escala sucessória, as relações deixavam de ser fraternais e passavam a ser alimentadas por sentimentos nada nobres como a inveja, o despeito e a desconfiança.

Se para a grande maioria burguesa este arranjo sucessório parece injusto, o mais espantoso é saber que ele persiste até hoje na Inglaterra.

Belgravia é um romance de costumes, repleto de tramoias e fofocas que prende a atenção do leitor do começo ao fim. Definitivamente eu o recomendo.

 

  • Belgravia

Julian Fellowes

Editora Intrínseca

R$ 49,90

E-Book R$ 34,90

 

 

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