Lampião e o Vovô da Vovó na cidade de Mossoró!

Quem me conhece sabe que sempre gostei muito de ler. Mas, de uns tempos para cá, tenho me dedicado cada vez mais aos trabalhos manuais.

Parece que não estou sozinha. Diversas jovens têm se debruçado sobre tecidos, linhas e agulhas em tarefas que requerem serenidade e tempo. A persistência é recompensada ao ver surgir gradativamente o resultado de seus esforços.

Algo parecido acontece quando garimpamos pelas narrativas que nos foram transmitidas na infância e das quais recordamos apenas pedaços. Depois de muito pesquisar encontramos verdadeiras preciosidades.

Atendendo a um pedido da filha, que queria ouvir uma história verdadeira antes de dormir, a autora recuperou uma lembrança familiar contada por sua mãe.

A história de Rodolpho Fernandes, trisavô da menina. Um homem corajoso e destemido, que auxiliado pelos habitantes da cidade, enfrentou valentemente os ataques de Lampião desejoso de invadir e saquear o lugar onde todos moravam.

A narrativa de Marcela Fernandes de Carvalho mistura prosa, versos, rimas e lindos bordados. Como são bonitas as ilustrações do livro Lampião e o Vovô da Vovó na cidade de Mossoró!

A fusão deu certo. Afinal, como diz a autora “escrever e bordar são coisas bem parecidas, pois criamos ponto a ponto uma história encantada”.

 

  • Lampião e o Vovô da Vovó na cidade de Mossoró!

Marcela Fernandes de Carvalho

Editora Zit / Escrita Fina

R$ 49,90

Partiu envolto em carinho

Manta-de-bebêII

Impossível fazer exercício na esteira ergométrica sem ter uma distração. Pela televisão assisto ao concurso de pudins no programa da Ana Maria Braga. Enquanto caminho acelerada, minha boca se enche de água. Pudim de Nutella, pudim de claras, pudim de tapioca… Uhmmm quantas delícias. Mesmo não sabendo cozinhar, acho que vou tentar fazer o de tapioca.

Admiro quem sabe preparar pratos saborosos para os amigos e familiares. Acho fascinante todo o processo que começa com a definição do que será criado e continua com a escolha dos produtos e ingredientes. Depois vem todo o preparo cuidadoso, como o picar miudinho e o temperar sem exageros. É preciso estar por inteiro quando se cozinha senão o resultado desanda. Uma verdadeira arte, que tem o poder de transformar fisionomias macambúzias em rostos sorridentes e apaziguados.

Na verdade, gosto de tudo que é produzido com as mãos: Pintar, bordar, esculpir… Quando criança gostava muito de desenhar. Enchia cadernos só com desenhos que viravam histórias. Meus dedos moviam-se precisos pelo papel. Diferente de algumas colegas de sala, nunca precisei usar a régua para fazer uma casa ou uma cerca.

Nas aulas de trabalhos manuais já não era tão jeitosa. Fazer uma bainha, prender um botão, bordar miudinho eram artes delicadas demais para quem estava habituada a traçar e colorir com determinação e firmeza.

Nunca consegui manejar as duas agulhas do tricô. Como elas não tinham um gancho para segurar a linha, passava mais tempo recuperando os pontos fugidos do que realmente tricotando.

Em algum momento aprendi a fazer crochê e me distrai fazendo cachecóis e quadradinhos que, ao serem unidos, viravam mantas.

Corriam os anos oitenta e as mulheres lutavam com unhas e dentes para encontrar um lugar ao sol no mundo profissional. Pouco a pouco essas artes, mais ligadas a um universo feminino e doméstico, foram deixadas de lado. Admito que passei a enxergar os trabalhos manuais (costura, tricô, bordado, crochê) como um passatempo de desocupadas e senhoras idosas.

Entretanto, esse meu gostar ressurgia tímido toda vez que apreciava uma exclusiva toalha de mesa bordada à mão, os bicos delicados de crochê que valorizavam modestos panos de prato, ou admirava os bordados exuberantes de um vestido mexicano.

Recentemente caiu em minhas mãos um panfleto oferecendo aulas de crochê e, resoluta, me inscrevi.

Surpreendi-me ao conhecer a futura professora. Em nada correspondia ao estereótipo que imaginara de uma professora de crochê. Baixinha, com longos e lustrosos cabelos negros falava com desenvoltura sobre as suas duas paixões: crochê e o time do Bahia. Para a turma de oito alunas, contou que durante muitos anos fora titular da equipe feminina de futebol do clube.

Os primeiros dez minutos da aula foram uma decepção. Com a mão esquerda tentei fazer um cordãozinho básico, mas, de tão desajeitada, parecia que estava puxando um piano. Porém, quando a professora pegou a agulha para me explicar como deveria manuseá-la, veio o lampejo de uma lembrança antiga. E se eu  segurasse a agulha com a mão direita? Desta vez a linha deslizou fácil. Tinha me esquecido que as duas únicas coisas que faço como uma pessoa destra são segurar a faca para comer e fazer crochê.

Rapidamente o cordãozinho que parecera tão difícil estava pronto e pude começar o meu primeiro trabalho. O que queria fazer? A resposta veio rápida. Uma manta de bebê para a primeira filha de minha sobrinha que mora nos EUA. Ouvi dizer que lá não se encontra nada feito á mão. Que tudo é prático e industrializado, pronto para entrar na máquina de lavar.

Se deu trabalho? Claro que sim, mas a manta que será enviada por correio na segunda feira é única. Eu mesma escolhi e combinei as cores; cada quadradinho de pontos altos e pontos baixos foi crochetado pensando no bebê que vai nascer. A manta será embrulhada em papel de seda e amarrada com uma fita de cetim cor de rosa. Protegido pelas dobras da manta colocarei todo o carinho que sinto por minha sobrinha, junto com o desejo que essa criança chegue com saúde e seja uma fonte de muitas alegrias para ela e o marido.

Quanto ao pudim de tapioca, não sei não… Depois que terminei de ler a receita, não me pareceu tão fácil assim de fazer. Mas, vai saber. Desafios estão aí para serem enfrentados e talvez virarem tema para outra história.

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