Concurso Literário aqui vamos nós!

Mesa de trabalho da ilustradora Rebeca Silva

Mesa de trabalho da ilustradora Rebeca Silva

Os tempos sempre foram bicudos para os novos escritores e o autor precisa encontrar alternativas às editoras que educadamente se recusam a publicar ou simplesmente ignoram os textos recebidos. Uma opção para escapar a esse funil apertadíssimo são os concursos literários.

Em breve vou colocar no correio uma história infantil cujo título original era Os periquitos da Vovó. Entretanto, modifiquei-o porque fui alertada do duplo sentido do título, que ingenuamente não percebi.

A segunda alteração foi no final do texto, quando a mãe chega com muita pressa para pegar a filha na casa da avó. O motivo inicial de sua afobação era por ter deixado o carro mal estacionado. Receosa de que os jurados pudessem achar que estava incentivando uma prática nada recomendável, acabei trocando por uma banal ida à lavanderia para buscar uma roupa.

Também fui advertida que o tema poderia incomodar algumas pessoas mais sensíveis por falar da venda de animais e sua manutenção em cativeiro. Já não bastasse a luta interna que travo contra a insegurança, ainda preciso me preocupar com os censores externos. Mas quanto ao enredo da história bati pé firme e não cedi um milímetro, ou era do meu jeito ou nada feito!

A categoria do concurso na qual me inscrevi é livro infantil ilustrado. Como Flávia Bomfim, a ilustradora do meu primeiro livro, estava assoberbada de trabalho e viajando muito, indicou-me Rebeca Silva, uma jovem ilustradora baiana.

Sem nunca nos termos visto, marcamos o nosso primeiro encontro dentro de uma livraria. Ela confundiu os horários e chegou quase uma hora depois. Mesmo assim, me encantei com seu jeito suave e gentil.

Voltamos a nos ver mais uma vez. Ela me mostrou o esboço dos três personagens e fiquei tão satisfeita que não quis que me mostrasse mais nada. Minha confiança em seu trabalho é total e quero ser surpreendida quando me entregar as ilustrações que irão acompanhar o texto.

Se ganharmos o concurso dividiremos o prêmio meio a meio: quinhentos exemplares para cada uma. Se perdermos, já temos um livro muito lindo, prontinho para mostrar às editoras.

Elas vêm da Bahia

Eu Vim da Bahia

Minha intenção inicial era falar apenas da recém-lançada coleção EU VIM DA BAHIA da Caramurê Publicações.

Composta de seis títulos, ela apresenta personalidades baianas que talvez o jovem leitor não conheça ainda.

É verdade que quase todo mundo aqui na Bahia já ouviu falar no poeta Castro Alves. Se não leu a sua obra poética, pelo menos sabe onde fica a praça que leva seu nome e possui uma das vistas mais bonitas da baia de Todos-os-Santos, além de ser ponto de encontro dos trios elétricos em dias de Carnaval.

Há, no entanto, outros nomes menos populares como o do geógrafo e historiador Theodoro Sampaio. Os outros personagens contemplados pela coleção são o educador Anísio Teixeira, a enfermeira Ana Nery, a mãe de santo Tia Ciata e o geógrafo Milton Santos.

A coleção é muito bonita, feita no maior capricho pelo artista plástico e editor Fernando Oberlaender.

Gostei muito de saber que o papel utilizado para imprimir as histórias foi produzido a partir de plásticos reciclados. Ele também é especial porque não rasga e não molha, sendo perfeito para ser manuseado por muitas mãozinhas infantis.

Mas algo mais chamou minha atenção. Corre nos meios de comunicação um movimento intitulado #AgoraÉqueSãoElas, no qual as mulheres são convidadas pelos homens a utilizar o espaço onde eles costumam escrever para falar de suas conquistas e desafios.

O site da Publishnews disponibilizou um artigo de Maria José Silveira. Segundo a escritora, o tratamento de gênero é desigual inclusive no universo literário:

A literatura escrita por mulheres brasileiras é muito menos conhecida do que a literatura escrita por homens brasileiros”.

Pode até ser verdade, mas com certeza isso não se aplica à literatura infanto-juvenil. Coincidência ou não, a coleção EU VIM DA BAHIA é formada só por escritores mulheres: Adelice Souza, Ayêsca Paulafreitas, Lena Lois, Mabel Velloso, Maria Antônia Ramos e Neide Cortizo. Quanto aos ilustradores, as mulheres são a maioria: Daiane Oliveira, Janete Kislansky, Neide Cortizo e Rebeca Silva, “contra” Mike Sam Chagas e Paulo Rufino.

Palmas para elas, palmas para o editor. Aqui na Bahia as mulheres vêm na frente!

 

  • Ana, meu avô e eu (Ana Nery)

Maria Antônia Ramos Coutinho / Janete Kislansky

  • Cecéu, Poeta do Céu (Castro Alves)

Adelice Souza / Daiane Oliveira

  • O Menino e o Globo ( Milton Santos)

Ayêska Paulafreitas / Mike Sam Chagas

  • Tia Ciata e um sonho de menina (Tia Ciata e a história do Samba)

Lena Lois / Paulo Rufino

  • Quem está aí? (Anísio Teixeira)

Neide Cortizo (texto e ilustrações)

  • Theodoro, uma viagem no ontem (Theodoro Sampaio)

Mabel Velloso /Rebeca Silva

 

(cada título custa R$ 34,00)

 

 

 

 

 

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