Tudo junto e misturado

Faço anos em dezembro e os meus presentes de aniversário se misturam aos que receberei no Natal. Durante o ano vou anotando os livros que gostaria de ler, mas que por diversas razões não me permito comprar. É muita voracidade para quem tem outros afazeres e uma verba limitada.

Dei-me ao trabalho de contar quantos títulos constam da lista, são 60 no total. Dela não fazem parte os que comprei por impulso, nem os que darei de presente de Natal e pretendo pedir para ler emprestado.

Reconheço que se trata de uma lista inatingível, mas que facilita, e muito, a vida de quem não sabe o que me oferecer. Basta me perguntar e eu apresento a lista devidamente reduzida. Afinal, não quero assustar ninguém nem ser olhada com incredulidade.

Até agora já recebi:

As verdadeiras riquezas de Kaouther Adimi, um romance francês que mistura ficção e realidade, e fala sobre um tema que eu amo: livros e livrarias. (Kaouther Adimi é uma jovem escritora de 33 anos que nasceu na Argélia e atualmente vive na França)

 

Três mulheres de Lisa Taddeo, é o relato verídico, baseado numa pesquisa que durou quase uma década, sobre a vida sexual de três mulheres comuns. Um retrato poderoso do desejo feminino e como as escolhas subverteram ambientes familiares e sociais.

 

Torto Arado, do escritor baiano Itamar Vieira Junior, recebeu o Prêmio Leya de 2018. O livro acompanha as diferentes trajetórias de vida de duas irmãs, que nasceram num Brasil rural onde persiste enraizado um viver escravocrata.

A ridícula ideia de nunca mais te ver foi escrito por Rosa Montero como forma de purgar a dor após a morte do marido. Nele, é feito um paralelo com o diário de Marie Curie, no qual a cientista escreveu sobre a mesma experiência, a perda de quem se ama.

A criança no tempo de Ian McEwan é sobre o maior medo que pode passar pela cabeça de qualquer pai: o sumiço de um filho. Tenho certeza que o tema dificílimo será destrinchado com maestria por um autor que, na minha opinião, já merecia ter recebido o prêmio Nobel da Literatura.

 

Tudo que é belo: quarenta e cinco histórias reais, foi publicado pela editora Todavia e reúne histórias que foram contadas em público. Não contos de fadas ou de folclore, mas histórias verídicas que aconteceram a pessoas comuns e narradas por elas mesmas.

Sorrio satisfeita para os livros que recebi. Tenho leitura garantida para os próximos meses. Mas que livro é esse que parece bastante interessante? Trata-se Heimat, um romance gráfico, best-seller na Alemanha e vencedor do National Book Critics Circle na categoria autobiografia. Pronto, dei início à lista de 2020!

Caixa de chocolates

Já dava como perdida a encomenda que meu filho enviara pelo correio no início do ano, quando, finalmente, o porteiro me entregou uma caixa de papelão maltratada.

Dentro estavam três presentes cuidadosamente embrulhados em papel com motivos natalinos. O primeiro era para o casal: um calendário de parede com fotografias da cidade histórica onde ele mora e que ainda não conhecemos. O segundo presente era exclusivo para o pai: uma caixa de deliciosos bombons de chocolate. E o terceiro era para mim: um livro sobre livrarias independentes.

Ao examinar o livro pensei que, de tão bonito que era, teria sido uma maldade se a caixa tivesse se extraviado pelo caminho. Sem querer desmerecer os outros presentes, pude imaginar a satisfação de meu filho quando a namorada lhe mostrou o que ela havia encontrado para mim.

A capa de “Footnotes* from the world’s greatest bookstores” é dura e se levanta na vertical como uma tampa, protegendo o miolo da publicação. Depois, é só folhear o conteúdo normalmente.

O livro reúne ilustrações de 78 livrarias e sebos espalhados pelo mundo inteiro. Os desenhos são do cartunista norte americano Bob Eckstein. Cada um deles vem acompanhado de uma breve explicação sobre o estabelecimento comercial e comentários curiosos proferidos pelos proprietários, vendedores e freqüentadores, que tanto podem ser pessoas famosas como simples anônimos. Algumas das livrarias mencionadas tornaram-se saudosas recordações. Felizmente, a maioria continua de portas abertas.

 

Footnotes* from the world’s greatest bookstores” foi a minha “caixa de chocolates”. Cada página virada era como se eu saboreasse um diferente tipo de bombom. Tinha o sabor “livraria escondida no final de um longo túnel que desemboca num antigo abrigo antiaéreo”; o sabor “livraria-restaurante que oferece três livros de graça ao cliente no final da refeição”; o sabor “livraria móvel que circula por Lisboa com títulos de autores portugueses para que os estrangeiros os conheçam’; o sabor de “uma minúscula livraria parisiense onde cabem apenas quatro a cinco pessoas”; o sabor “livraria londrina flutuante”, e muitos outros “bombons” deliciosos.

Além de poder saboreá-los quantas vezes eu quiser, estes chocolates não engordam! Tem presente melhor?

 

Troquei o protetor solar por livros

pilha-de-livros-ii

Aguardo ansiosa a chegada do último encontro anual com as amigas que fiz e mantenho desde a época em que trabalhei numa faculdade baiana.

Cada vez que nos reunimos comemoramos não só as aniversariantes do mês, mas também os aniversários dos meses próximos.

Com antecedência, cada uma diz o que gostaria de receber e as outras se cotizam para oferecer um único presente. Adivinhem quem vai comemorar no próximo encontro? E adivinhem o que vai pedir?

Apesar de ter escolhido, não sei quais são os livros que receberei. Essa incógnita mantém a surpresa do presente, uma agradável e aguardada surpresa!

A lista está pronta e é bem eclética. Tem ganhadores de prêmio Nobel de Literatura, escritores africanos, europeus, americanos e um suspense psicológico.

Mas os autores brasileiros ficaram de fora?  Não. Na estante tenho O que os cegos estão sonhando?, de Noemi Jaffe e em breve chegará a encomenda de  Allegro ma non troppo, da escritora brasiliense Paulliny G Tort.

Os escolhidos deste ano são:

Os Pescadores – Chigozie Obioma / Globo Livros

Enclausurado – Ian McEwan / Cia das Letras

A guerra não tem rosto de mulher – Svetlana Aleksiévitch / Cia das Letras

Como ser as duas coisas – Ali Smith / Cia das Letras

Destinos e Fúrias – Lauren Groff / Intrínseca

Cinco Esquinas – Mário Vargas Llosa / Alfaguara

Um grão de trigo – Thiong’o, Ngugi Wa /Alfaguara

Nem tudo será esquecido – Wendy Walker / Planeta

A livraria mágica de Paris – Nina George – Record

E qualquer outro de Elena Ferrante que não faça parte da série Napolitana. É difícil de acreditar, mas tenho uma cunhada tão especial e generosa que trouxe de Portugal os quatro (eu disse os quatro!) livros que compõem a coleção. Dá para imaginar o peso e espaço que ocuparam na mala?

Graças às aquisições que faço e aos presentes que recebo, tenho um estoque considerável de leitura para enfrentar o calor de Salvador. Neste verão acho que vou economizar no protetor solar.

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