Para onde vão os guarda-chuvas

É possível sentir saudades de um livro que ainda não se terminou? Pois é isso o que sinto enquanto leio devagarzinho “Para onde vão os guarda-chuvas”, do escritor português Afonso Cruz.

No início tive a impressão de adentrar em um labirinto. Por vezes a narrativa bifurcava, outras vezes conduzia-me a um beco sem saída. Curiosamente, não me senti confusa nem irritada, simplesmente deixei-me levar pelas múltiplas histórias contadas pelo autor.

A atmosfera que envolve o romance remete à magia das Mil e Uma Noites, sendo eventualmente perturbada por comportamentos desumanos ou ações fundamentalistas. Uma mistura aparentemente contraditória onde transitam personagens de todos os matizes: sábios, enamorados, cruéis, ingênuos, sensuais, brutos e conciliadores. Nesse universo mítico, a própria Morte também aparece para dar o seu recado.

A prosa de Afonso Cruz é sedutora e nela me perco:

“As pegadas não são as marcas dos nossos pés, são as marcas das nossas paixões, das nossas obrigações, dos nossos castigos, dos nossos prazeres. São o lugar por onde andamos, e isso revela muita coisa, mais do que impressões digitais e biografias oficiais. As pegadas, por vezes, (…) mostram quem pisamos, (e) evidenciam quem seguimos.”

Para onde vão os guarda-chuvas” merece ser apreciado agora, e guardado com carinho. Deixar o tempo maturar e relê-lo daqui a alguns anos, quando, com certeza, o livro será outro e eu também.

 

  •   Por enquanto o livro só foi publicado em Portugal. No Brasil a editora Companhia das Letras lançou outras obras do escritor: Flores e Jesus Cristo bebia cerveja

Ó dúvida cruel, por qual começar?!

Entrei de pés e cabeça na campanha “Neste Natal dê um livro de presente”. Não só ofereci vários, como também já recebi MUITOS que se juntaram aos que ganhei de aniversário. Espero ter acertado no gosto de quem vou presentear ( garanto que escolhi com o maior cuidado),  mas os que eu recebo são sempre do meu agrado, porque fui eu mesma que os escolhi.

Os primeiros presentes foram Velhos são os outros da Andrea Pachá; um livro infantil que de tão sensível faz jus ao nome: Emocionário  ; e a autobiografia da Michelle Obama. Pelo correio chegou Como se encontrar na escrita da Anna Holanda.

Poucos dias depois recebi uma caixa com cinco livros, presente conjunto das amigas que fiz quando morei em Salvador. Esse presente comunitário tornou-se uma tradição natalina, assim como as rabanadas que como uma única vez ao ano. Mesmo sabendo o que contém, abro-a sempre com certa ansiedade, porque não sei quais são os livros que irei receber. Eles fazem parte de uma lista que enviei previamente, mas quais são os que se encaixam no orçamento das minhas amigas ou se encontram disponíveis na livraria on-line, é uma incógnita

Como já comentei num post anterior, este ano tive interesse em ler mais escritores portugueses contemporâneos. Por essa razão ganhei Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho e Caderno de Memórias Coloniais de Isabela Figueiredo.

Por sugestão de um blogueiro pedi e recebi a caprichada edição com capa dura e fitinha vermelha de Kindred, escrito pela norte-americana Octavia E. Butler, considerada a Grande Dama da ficção científica. Não é meu estilo, mas gosto de sair da minha zona de conforto.

A primeira vez que ouvi falar n’A Uruguaia foi numa conversa que entreouvi entre um livreiro e uma cliente. Eles falavam com tanto entusiasmo sobre o livro que atiçaram a minha curiosidade.

Além de blogs de leitura, também sigo alguns instagrams que falam especificamente sobre literatura infantil. Foi através do @blogeraoutravez que me interessei por Escrito e Desenhado por Enriqueta. Gente, que livro mais fofo é esse! Parabéns ao autor Liniers e à editora Vergara & Riba que o publicou no Brasil. Super indico para maiores de seis anos – crianças que gostam de desenhar e estão começando a ler e escrever – até …. aí o céu é o limite! O que importa é gostar de livros ilustrados e criativos.

Por último, minha irmã que fugiu do frio europeu, trouxe-me Para onde vão os guarda-chuvas do escritor português Afonso Cruz. O livro foi-me indicado pela minha amiga de infância Isabel O., que assim como eu é leitora compulsiva.

Meu problema agora é escolher qual ler primeiro. Ó dúvida cruel!

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