O livro certo

2º festival ilustração bahia

Inspiro-me no entusiasmo de quem não dá ouvidos aos maus agouros e executa sonhos e projetos.

Não foi fácil, mas mais uma vez Flávia Bomfim realizou em Salvador o 2º Festival de Ilustração e Literatura da Bahia.

Novos participantes e velhos conhecidos se reuniram para criar um evento alegre, colorido e alto astral.

Apesar de já ter participado dessa mesma oficina há dois anos, eu quis ouvir novamente o ilustrador Odilon de Moraes falar sobre O livro ilustrado no Brasil. Afinal, além de profissional de mão cheia, Odilon é um excelente divulgador do trabalho de seus pares, e sempre tem novidades para apresentar.

A oficina durou um dia inteiro, mas passou num piscar de olhos. Foram muitos os livros apreciados pelos participantes e muitas as informações que recebemos. Nessa longa conversa, Odilon pontuou as influências e a preocupação dos colegas em retratar a diversidade social e cultural do país.

Os-invisiveisNo meio de tantos, pincei um livro publicado em 2013 que aborda com muita sensibilidade um tema complicado: a invisibilidade social. Se o texto de Tino Freitas fala de um menino que possui o super poder de ver pessoas que ninguém mais vê, as ilustrações de Renato Moriconi revelam quem são essas pessoas ignoradas pela sociedade.

Os Invisíveis é um livro que merece ser debatido com as crianças. Quem sabe ele funcione como um pontapé inicial e estimule os pequenos leitores a reverter – num futuro próximo – essa triste realidade.

Mas voltando à oficina, Odilon foi forçado a encerrá-la quando o avisaram sobre a longa a fila que o aguardava  para autografar “Lá e Aqui”.

Trata-se do último livro que ilustrou, e foi feito em parceria com sua mulher Carolina Moreyra. “Lá e Aqui” aborda um outro tema difícil e doloroso para as crianças: A separação dos pais.La-e-aqui

Por vezes a infância pode ser uma época cheia de armadilhas e medos. Felizmente, hoje em dia, não existe assunto ou tema que não possa ser conversado com uma criança. Basta apenas encontrar o livro certo.

 

  • Os Invisíveis

Tino Freitas & Renato Moriconi

Editora Casa da Palavra

R$ 34,90

  • Lá e Aqui

Carolina Moreyra & Odilon Moraes

Editora Zahar (Selo Pequena Zahar)

R$ 39,90

O lobo boa gente

fome_do_lobo

Autores e ilustradores nacionais, de livros infanto-juvenis, fazem meus olhos brilharem.

Por esses dias encontrei “A fome do lobo”, escrito por Claudia Maria de Vasconcellos e ilustrado por Odilon Moraes. A história lembra aquelas de antigamente, quando os animais falavam e raciocinavam.

Confesso que apesar da cara feia simpatizei com o lobo. Na verdade identifiquei-me com ele. Se os bichos são espertos o suficiente para convencer o lobo a não comê-los, este apesar de faminto também sabe ouvir e acatar bons argumentos. Sou como ele, se o convencimento for forte, abro mão de meu entendimento anterior, sem quaisquer remorsos.

Mas de justificativa em justificativa, chega uma hora em que a fome fala mais alto e ele, assim como eu, vira um Lobo de verdade! E é com a barriga roncando alto que o lobo entra de supetão, na casa da vovó, bem na hora do jantar. Aí… bom, para saber o final vai ter que ler a história.

Gostei muito do texto ágil e inteligente de Claudia M. Vasconcellos (cheguei a rir baixinho ao imaginar os percalços pelos quais passou o jabuti, pouco antes de quase virar almoço de lobo) e o que dizer das ilustrações? Simplesmente lindas, visto que foram desenhadas pelo craque Odilon Moraes.

Apesar de mal-encarado o lobo desta história é “boa gente” e vai agradar em cheio a todas as crianças que gostam de histórias inteligentes e com animais.

Leitura independente a partir dos 7 anos

A Fome do Lobo

Cláudia Maria Vasconcellos e Odilon Moraes

Editora Iluminuras

R$ 38,00

Quando o desenho é para ser lido

1º festival de ilustração Bahia

Terminou neste sábado o 1º Festival de Ilustração e Literatura da Literatura da Bahia.

Participei de duas oficinas com o escritor e ilustrador Odilon Moraes, que chegou carregado com pesadas pilhas de livros, ilustrados por artistas estrangeiros e nacionais.

As duas tardes foram curtas para ver e falar sobre todos eles, mas Odilon conseguiu mostrar a importância da ilustração, e sua força para contar uma história mesmo quando o texto não existe.

Graças a ele, foi como se visse pela primeira vez as ilustrações do livro Onda de Suzy Lee.

Antes de se criticada por falta de sensibilidade, quero dizer que gosto muito do desenho da ilustradora, mas realmente ainda não havia percebido suas nuances e sutilezas. Como aquela em que a interseção existente entre uma página e outra é fundamental para o desenrolar da história. Dois mundos separados, cada um deles circunscrito à própria página, e aparentemente intransponíveis por causa da costura existente no livro!

Aí foi a vez de comparar ilustradores a cantores, que dão sua contribuição pessoal a obras já conhecidas. Enquanto que os primeiros imprimem seu próprio estilo na história que desenham, os outros fazem o mesmo na música que cantam.

Alguém saberia dizer que clássico infantil é contado neste livro de dobraduras?

Chapeuzinho-vermelho-Warja-Lavater

Trata-se do famoso Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau na interpretação da artista suíça Warja Lavater falecida em 2007. Os personagens simplesmente foram substituídos por pontos. O ponto vermelho é a menina, o preto é o lobo, os verdes são árvores, e assim por diante.

Mas há muitas outras interpretações como a clássica de Gustave Doré, a assustadora de Susanne Jansen, e a “rabiscada” deMarjolaine Leray.

Depois “passeamos” por entre os desenhos de alguns ilustradores nacionais. Juarez Machado que em 1968 desenhou Ida e Volta, o primeiro livro brasileiro de imagens sem texto, e que se encontra esgotado!!

Roger Mello, Marilda Castanho – considerada por Odilon A ilustradora brasileira, Eva Furnari, Angela Lago… E tantos outros que ficaram de fora, por falta de tempo, inclusive as ilustrações do próprio Odilon Moraes  que prometo mostrar num próximo post.

Foram duas tardes de aprendizado e muito encantamento.

Lamento apenas que várias pessoas se inscreveram e não compareceram, tirando assim a oportunidade de outras aproveitarem as oficinas. Mas essa já é outra história, em que o que é gratuito não é valorizado e o desrespeito às normas de convívio impera em toda a parte.

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