Estilhaços de uma guerra

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Aguardei com expectativa a publicação no Brasil de “O povo eterno não tem medo”. As criticas não poderiam ter sido mais elogiosas.

A autora israelense Shani Boianjiu, com apenas 24 anos, fora escolhida pela National Book Foundation* para fazer parte do seleto grupo dos cinco melhores escritores de ficção com menos de 35 anos de idade. A indicação feita em 2011, partira de Nicole Krauss cujo livro “A memória de nossas memórias” já comentei em um post anterior.

Os primeiros capítulos pareceram bastante promissores, mas nos seguintes a leitura começou a ficar penosa. Tenho por costume não descartar um livro à primeira dificuldade encontrada, por isso insisti mais um pouco e logo voltei a mergulhar com interesse na história, para mais uma vez voltar a “empurrá-la com a barriga”.

Mas, afinal de contas, o que estava errado? Não era o tema abordado no livro. Afinal, sempre me interessei por compreender como o estado Israel consegue se equilibrar no meio de tantos conflitos externos, quanto internos. Portanto, nada melhor do que ouvir alguém que os vivera pessoalmente.

Será através de três amigas – personagens principais do livro – que a autora contará a sua experiência e a de tantas outras meninas, que ao terminarem a vida escolar com dezoito anos, prestam obrigatoriamente o serviço militar.

Tempos difíceis cheios de tensão, medo e tédio – não um dia ou uma semana, mas meses de patrulhamentos monótonos e horas de vigília exaustivas. Também não são esquecidas as violências infligidas não só pelo inimigo, mas também pelos companheiros de armas.

O livro tem passagens muito bem escritas, e outras nem tanto. Histórias fragmentadas, que se acumulam desordenadamente para depois se diluírem e  se perderem sem maiores explicações.

Continuarei acompanhando com muito interesse os futuros trabalhos de Shani, mas ao querer abraçar o mundo com as pernas, o livro acabou perdendo a sua força inicial promissora.

*Organização americana sem fins lucrativos, que tem como objetivo promover e valorizar a excelência da literatura  nos EUA

  • O povo eterno não tem medo

Shani Boianjiu

Editora Alfaguara

R$ 42,90

O bom leitor

Pilha-de-livros

Recentemente li uma entrevista* com o escritor Luis Antonio de Assis Brasil onde dizia que, para ele, o bom leitor era: “O que lê muito len-ta-men-te, buscando a fruição do texto, valorizando cada palavra, cada parágrafo. Um romance que exigiu seis anos de escrita, dúvidas, alegrias e pesares, não pode ser lido numa tarde”.

Realmente, o autor merece ter a sua obra apreciada com vagar e cuidado, mas como isso fica mais difícil de se conseguir a cada dia que passa!

Já comentei antes que não sou uma “devoradora” de livros. Normalmente permito-me uma leitura tranquila que dura em torno de uns quinze dias. Entretanto aquela vozinha interior não para de lembrar que, enquanto leio len-ta-men-te, outros tantos se acumulam. Dessa forma minha insatisfação é permanente, e as anotações de livros, que pretendo ler um dia, não param de crescer.

Recentemente acrescentei mais cinco títulos à lista. Os estilos são bem diferentes, e de autoras que não conheço. Curioso, só agora percebi que os escritores, pelos quais me interessei, são todos mulheres.

O primeiro é “Tipos de perturbação” um livro de contos bem curtinhos, escrito por Lydia Davis, autora americana, e ganhador este ano do prestigiado Man Booker Prize;  depois me interessei por ”O povo eterno não tem medo” primeiro romance de Shani Boianjiu, jovem escritora israelense, que narra o amadurecimento precoce de três amigas, que têm a pouca sorte de prestar o serviço militar obrigatório durante a guerra;  foi através do meu filho que ouvi falar, pela primeira vez, da jornalista Juliana Cunha autora do blog “Já matei por menos”. Os melhores textos foram reunidos em um livro editado pela Lote 42. Quero conhecer o trabalho desta escritora hipster**, que provavelmente logo o deixará de ser, visto que acaba de ser citada no blog de alguém com idade para ser sua mãe;  “Três mulheres fortesfoi escrito por Marie NDiaye e ganhou o prêmio Goncourt 2009. Marie é francesa, mas o sobrenome revela sua ascendência africana – o pai é senegalês;  por último na lista está “Quiçá” de Luisa Geisler, escritora brasileira selecionada pela revista Granta como integrante do grupo dos melhores jovens escritores brasileiros.

Haja tempo e dinheiro para ler tudo o quero!

* Jornal Rascunho  março 2003

**Algo ou alguém que está na vanguarda dos modismos culturais. Quando começa a ser popular ou lugar-comum deixa de ser hipster.

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