Os 12 Melhores livros Africanos do séc. XX

Mulheres-de-cinzaAcaba de chegar às livrarias o ultimo livro do escritor moçambicano Mia Couto: Mulheres de Cinzas.

Para os desavisados que ainda não conhecem o escritor, provavelmente o vendedor o recomendará dizendo que seu romance Terra Sonâmbula foi considerado um dos doze melhores livros africanos do séc. XX.

Sempre tive curiosidade em saber quais seriam os outros onze que fazem parte dessa seleta lista, e quais já teriam sido publicados no Brasil.

A lista com os  foi divulgada em 1992 durante a Feira Internacional do Livro no Zimbábue.

Dela constam:

tabela-escritores africanos

 

Algumas curiosidades:

O Chamado de Sosu de Meshack Asare é considerado literatura infanto-juvenil.

Wole Soyinka é teatrólogo e ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1986. Seu único livro publicado no Brasil é O Leão e a Joia e foi editado pela Geração Editorial.

Naguib Mahfouz ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1988.

Apesar de Um grão de trigo ter sido publicado pela primeira vez em 1969, só agora chegou ao mercado brasileiro. Foi na FLIP (Feira Literária de Paraty) deste ano que os brasileiros descobriram Ngugi wa Thiong’o.Sonhos-em-tempo-de-guerra

A editora Biblioteca Azul publicou outra obra do escritor: Sonhos em tempo de Guerra.

Por onde começo?

Conhecemo-nos na época em que trabalhamos na mesma empresa. As áreas e funções eram distintas, mas a proximidade das salas facilitou a construção dos laços de amizade.

Reuníamo-nos, as seis, na hora do almoço e compartilhávamos o que cada uma havia trazido de casa. Momentos relaxados, divertidos que recordo com muito carinho.

No entanto, pouco a pouco, cada uma buscou novos desafios profissionais e nos espalhamos.

Não foi fácil manter o contato, mas graças ao empenho de todas, e apesar do grupo ter se desfeito há quase três anos, continuamos a nos reunir algumas vezes por ano. Normalmente para comemorar os aniversários umas das outras, quando nos cotizamos para dar um bom e único presente, previamente escolhido pela aniversariante.

Na próxima semana teremos novo encontro e será a minha vez de ganhar presentes.

A separaçãoO que quero ganhar? Ora, livros! Livros que não pude comprar e que não sei se terei tempo de ler. Qualquer um dos que anotei cuidadosamente, durante todo o ano, no caderninho que guardo na bolsa.

Fora das sombras – Jason Wallace – editora Bertrand Brasil

Sôbolos rios que vão – Antonio Lobo Antunes – editora Alfaguara Brasil

A vida de um alemão – Bernd Wollschlaeger – editora Imago

A décima nona esposa – David Ebershoff – editora Benvirá

Retrato da mãe quando jovem – Friedrich Christian Delius – editora Tordesilhas

Menino de lugar nenhum – David Mitchell –  editora Companhia das Letras

O ultimo livro – Zoran Zivkovic – editora Octavo

O casarão da rua do rosário – Menalton Braff – editora Bertrand Brasil

O bruxo – Maria Adelaide Amaral – editora Globo

Traduzindo Hannah Ronaldo Wrobel – editora Record

Um casamento feliz – Rafael Yglesias – editora Record

Uma mulher – Péter Esterházy – editora Cosac Naify

Dentes de leite – Ignacio Martinez de Pisoneditora Record

Damas da noite – Jetta Carleton – editora Bertrand Brasil

A confissão da leoa – Mia Couto – Companhia das Letras

E todos mais que estão sendo colocados, neste momento, nas livrarias deste país.

Socorro! Por onde começo?

Você conhece Mia Couto?

Normalmente sou seduzida por um livro nas suas primeiras páginas, mas e quando isso acontece logo na primeira frase?: “Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada.” (meu deus, como pode uma estrada morrer???) – É assim que começa “Terra sonâmbula” de Mia Couto, considerado um dos doze melhores livros africanos do séc. XX.

Este autor moçambicano, filho de portugueses nasceu em 1955. Sua prosa é rica em palavras inventadas, únicas.  Mia Couto é um prosador-poeta um autêntico contador de histórias. Quando leio MC sento-me com ele à volta de uma fogueira e sou apresentada à memória cultural e afetiva de um povo sem voz. “A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Leio seus livros de lápis na mão, e vou sublinhando frases como estas:

“O destino o que é senão um embriagado conduzido por um cego?”

“Quem vive no medo precisa de um mundo pequeno que possa controlar.”

“A beleza daquela mulher era de fazer fugir o nome das coisas.” (qual de nós não gostaria de receber uma cantada dessas?)

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