Na Minha Pele

Logo nas primeiras páginas percebi a importância de Na Minha Pele e me peguei pensando que ele deveria ser leitura obrigatória – ó palavra antipática! – para os alunos do Ensino Médio.

Do mesmo jeito que um pai amoroso não consegue admitir que sua filha venha a ganhar um salário inferior ao de um colega homem apenas pelo fato de ser mulher, ou que um troglodita abuse dela fisicamente simplesmente porque ela bebeu demais numa festa, está na hora de questionarmos seriamente por que é que as oportunidades de educação escolar, profissional e ascensão social são abissalmente desiguais para possuidores de fenótipos biológicos diferentes.

Por que estranhamos quando vemos um negro sendo o cliente e não o garçom de um restaurante chique? Por que todos os meus médicos são brancos? Qual o sentido de tudo isso e como é possível continuar vivendo com antolhos sociais?

Se esse debate não faz parte de muitas famílias brasileiras, está na hora das escolas levarem para a sala de aula o livro de Lázaro Ramos. E quem sabe, num futuro do qual tomara eu faça parte, a pergunta “É bom ser negro no Brasil?”, se tornará totalmente irrelevante. Por hora, eu sei qual é a resposta.

 

  • Na Minha Pele

Lázaro Ramos

Editora Objetiva

R$ 34,90

E-Book R$ 23,90

Queria ver você feliz

QueriaVerVoceFeliz (243x349)Quanta coragem! Foi esse o primeiro pensamento que tive em relação a Queria ver você feliz de Adriana Falcão.

São raríssimas as pessoas que expoem sem pudor os dramas familiares. Não foi esse, no entanto, o caminho escolhido pela autora.

O segundo pensamento foi achar inadequada a utilização das muitas cartas – que o pai e a mãe trocaram entre si – como estrutura do livro. Considerei a transcrição das mesmas uma escolha preguiçosa.

Termo forte não? Mas Adriana Falcão tem um jeito de escrever tão belo e sensível, por que não contar com suas próprias palavras a sofrida história de amor dos pais?

A correspondência era banal, sem qualquer pretensão literária, retratava apenas, e com veemência, os sentimentos que cada um nutria pelo outro. E como todas as cartas de amor, por vezes, seguiam a definição do poeta, eram exageradas e “rídiculas”.

Também não me agradou a escolha do narrador da história: O Amor. Imediatamente visualizei um cupido brincalhão e rosado atirando flechadas a torto e a direito.

Definitivamente começara Queria ver você feliz com o pé esquerdo.

Mas e há sempre pelo menos um “mas”, à medida que avançava na leitura percebia que ela perderia muito da sua força dramática se a autora tentasse usurpar as vozes dos pais, recriando-as ou tentando explicá-las.

Até com a escolha do narrador acabei por concordar. Afinal, quem melhor do que o Amor para contar uma história  da qual participou ativamente?

O Amor não escolhe um lado, não censura, nem faz julgamentos (como uma filha poderia fazer), apenas aprova e aplaude. Ele faz apenas uma exigência, que a entrega dos parceiros seja mútua e incondicional.

Queria ver você feliz é o relato corajoso de uma bonita e triste história de amor. Mas, afinal, quando genuínas não são elas quase sempre assim?

 

  • Queria ver você feliz

Adriana Falcão

Editora Intrínseca

R$ 34,90

E-Book R$ 14,90

À sombra do meu irmão

à-sombra-do-meu-irmãoQuando terminei de ler À sombra do meu irmão – as marcas do nazismo e do pós-guerra na história de uma família alemã, não comecei outro livro como normalmente costumo fazer.

Sempre quis saber como os alemães conseguiram refazer  suas vidas, e transformar uma mortífera máquina de guerra em uma nação economicamente poderosa e pacífica.

Que justificativas poderiam  dar às barbaridades cometidas durante a segunda guerra mundial?  Como superaram a ressaca moral de todo um povo?

Recentemente li uma matéria no jornal O Globo comentando que muitos alemães cometeram suicídio, apavorados com o futuro incerto que os aguardava, e temorosos de serem tratados pelos vencedores  da mesma forma como haviam tratado os judeus. Só em Berlim, mais de seis mil pessoas se suicidaram nos últimos dias da guerra *

Uwe Timm autor de À sombra do meu irmão, ao escrever sobre a própria família, fala na verdade de toda a nação.

Com a derrota, os  alemães assistiram a nova geração criticá-los e assimilar rapidamente a cultura dos vencedores.

Uma ofensa àqueles que acreditavam terem sido os eleitos para conquistarem o mundo, que acreditavam pertencer à raça escolhida.

Em relação ao genocídio cometido contra os judeus silenciaram ou disseram não saber o que estava acontecendo. Quanto à destruição que provocaram em quase toda a Europa adotaram a postura de vítimas. Eles também sofreram enormes baixas humanas  e suas  cidades foram ferozmente bombardeadas pelos aliados.

Gostei tanto de  À sombra do meu irmão que, ao terminar de o ler, não emendei com outro livro, nem o guardei na estante. Simplesmente o reli.

 

  • À sombra do meu irmão – as marcas do nazismo e do pós-guerra na história de uma família alemã

Uwe Timm

Editora Dublinense

R$ 34,90

E-book R$ 18,90

 

* O Globo  (sábado 14/03/2015) Histeria de uma nação – Livro revela que suicídio de Hitler e Goebbles não foi fenômeno restrito à cúpula nazista. O´livro “Kind, versprich mir,dass du dich nicht erschiesst” foi escrito pelo historiador Florian Huber e pode ser traduzido livremente como “Criança, prometa que não vai se suicidar”

http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/suicidios-contaminaram-alemanha-nos-dias-finais-da-segunda-guerra-15594021

 

 

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