Os 8 favoritos de 2018

Normalmente as listas com as leituras favoritas do ano costumam ter 10 títulos. Na minha, só para contrariar, constam 8.

O primeiro é Canção de Ninar de Leila Slimani publicado pela TusQuets Editores. Ele foi uma unanimidade entre os blogueiros que acompanho. Mesmo sabendo desde o início como a história termina, é angustiante acompanhar a cegueira dos pais das crianças que, por comodismo, preferem fazer vista grossa ao progressivo enlouquecimento da babá, que inicialmente aparentava ser uma versão moderna da Mary Poppins.

Depois vem O Anjo Pornográfico de Ruy Castro publicado pela Companhia das Letras. Percebe-se o trabalho de pesquisa minuciosa feita pelo autor, mas em momento algum a narrativa é entediante, muito pelo contrário! Personalidade contraditória e espinhosa, Nelson Rodrigues não teria contado melhor a própria vida.

Uma noite, Markovitch escrito por Ayelet Gundar-Goshen e publicado pela Todavia, surpreendeu-me. Um romance de trama instigante onde os fatos históricos recebem toques de realismo mágico. Tudo envolto no inebriante perfume das laranjas colhidas nos kibbutzes do recém criado Estado de Israel.

Por falar em realismo mágico ou fantástico, Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez foi para mim uma leitura arrebatadora. Uma explosão de personagens e tramas que se entrelaçaram vertiginosamente. Um romance que pretendo reler, com certeza, daqui a alguns anos.

O Gato e as Orquídeas é uma pequenina joia de delicadeza. Cada poema, cada ilustração é um convite para uma pausa no atordoamento do dia a dia. E tem mais! Sabe aquele mimo que se leva quando se visita um amigo? Ele é a alternativa perfeita aos chocolates e à caixinha de sabonetes de sempre. (Kwong Kuen Shan, da Editora Estação Liberdade)

Como um bom vinho, a Ana Paula de Joaquim de Paço D’Arcos, melhorou bastante desde a última vez que o li. Infelizmente, o romance só pode ser encontrado em sebos ou alfarrabistas.

Índice Médio de Felicidade é de outro escritor português, David Machado, e foi uma grata surpresa. Apesar de algumas passagens difíceis de serem lidas, por descreverem atos de maldade – fruto do tédio e da raiva -, o livro transmite uma mensagem otimista e original. (editora Dublinense)

Por último, Laços de Domenico Starnone, publicado no Brasil pela editora Todavia. Com introdução de uma das minhas escritoras favoritas, Jhumpa Lahiri, Laços conta três versões sobre o mesmo casamento: o que levou à separação do casal, o que deixou de ser dito quando houve o reatamento, e, por fim, as consequências inimagináveis dessa decisão.

Em termos pessoais levo de 2018 boas lembranças. Se tenho uma queixa a fazer é de não ter lido tanto quanto gostaria. Felizmente, para recuperar o tempo perdido, tenho pela frente um ano novinho cheio de “péssimas”intenções.

A todos que costumam acessar o Fagulha de Idéias desejo um ano de apaixonantes leituras!

 

P.S. Cem Anos de Solidão não está na foto porque mandei-o de presente para o meu filho que mora no exterior.

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