Destinos e Fúrias

Lamento discordar da maioria norte-americana e de Barack Obama, mas não considero Destinos e Fúrias a grande sensação literária de 2015. (preciso acelerar as minhas leituras, a pilha continua enorme e só consegui ler o livro no primeiro trimestre deste ano)

Achei curiosa a resenha do jornal inglês The Guardian que o compara com dois outros grandes sucessos de público: A Garota Exemplar de Gillian Flynn e A Garota do Trem de Paula Hawkins. Por mais diferentes que sejam os enredos e os finais, os três tem um ponto em comum: casamentos aparentemente felizes, mas que, na verdade, escondem “esqueletos insepultos”.

O romance Destinos e Fúrias divide-se em duas partes. Na primeira, conhecemos a versão luminosa do casamento. Lotto e Mathilde se conheceram na faculdade e em cinco semanas estão casados. Um casal admirado não só pelos amigos, mas também pelos desafetos. Ele é um teatrólogo consagrado e ela a companheira fiel por trás do artista bem sucedido.  Na segunda surge outra versão, agora mais sombria e repleta de segredos.

Enquanto as duas “Garotas”, mencionadas anteriormente não escondem ao que vieram – são boas e inteligentes diversões cheias de reviravoltas surpreendentes – a narrativa de Destinos e Fúrias oferece uma prosa mais sofisticada.

Acreditei nesse estilo mais complexo e me decepcionei quando percebi que se tratava de mais outra história com desfecho inverossímil.

Não que a caracterização da personagem feminina tenha sido mal construída (muito pelo contrário!), mas custa-me acreditar que Mathilde conseguisse ocultar por mais de vinte anos um passado para lá de complicado sem ser desmascarada. Afinal, ao redor do casal circulavam pessoas que podiam e gostariam de vê-los separados.

Ao terminar de ler Destinos e Fúrias tive a desconfortável sensação de que me haviam prometido uma coisa e me entregaram outra bem diferente.

 

  • Destinos e Fúrias

Lauren Groff

Editora Intrínseca

R$ 39,90

E-Book R$ 19,90

 

Troquei o protetor solar por livros

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Aguardo ansiosa a chegada do último encontro anual com as amigas que fiz e mantenho desde a época em que trabalhei numa faculdade baiana.

Cada vez que nos reunimos comemoramos não só as aniversariantes do mês, mas também os aniversários dos meses próximos.

Com antecedência, cada uma diz o que gostaria de receber e as outras se cotizam para oferecer um único presente. Adivinhem quem vai comemorar no próximo encontro? E adivinhem o que vai pedir?

Apesar de ter escolhido, não sei quais são os livros que receberei. Essa incógnita mantém a surpresa do presente, uma agradável e aguardada surpresa!

A lista está pronta e é bem eclética. Tem ganhadores de prêmio Nobel de Literatura, escritores africanos, europeus, americanos e um suspense psicológico.

Mas os autores brasileiros ficaram de fora?  Não. Na estante tenho O que os cegos estão sonhando?, de Noemi Jaffe e em breve chegará a encomenda de  Allegro ma non troppo, da escritora brasiliense Paulliny G Tort.

Os escolhidos deste ano são:

Os Pescadores – Chigozie Obioma / Globo Livros

Enclausurado – Ian McEwan / Cia das Letras

A guerra não tem rosto de mulher – Svetlana Aleksiévitch / Cia das Letras

Como ser as duas coisas – Ali Smith / Cia das Letras

Destinos e Fúrias – Lauren Groff / Intrínseca

Cinco Esquinas – Mário Vargas Llosa / Alfaguara

Um grão de trigo – Thiong’o, Ngugi Wa /Alfaguara

Nem tudo será esquecido – Wendy Walker / Planeta

A livraria mágica de Paris – Nina George – Record

E qualquer outro de Elena Ferrante que não faça parte da série Napolitana. É difícil de acreditar, mas tenho uma cunhada tão especial e generosa que trouxe de Portugal os quatro (eu disse os quatro!) livros que compõem a coleção. Dá para imaginar o peso e espaço que ocuparam na mala?

Graças às aquisições que faço e aos presentes que recebo, tenho um estoque considerável de leitura para enfrentar o calor de Salvador. Neste verão acho que vou economizar no protetor solar.

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