O leitor do trem das 6h27

Quando me dirigi ao setor de reservas da livraria não esperava encontrar um livro tão pequenino. Pois é, O leitor do trem das 6h27 tem apenas 175 páginas e mede 17 por 12 cm, perfeito para se carregar dentro de uma bolsa ou mochila e se ler na antessala do consultório médico, no ônibus ou…. no trem.

Mais uma vez foi uma compra de impulso. Algumas resenhas elogiosas me deixaram curiosa com vontade de conhecer este livro escrito por um francês, e que já foi publicado em mais de vinte países.

O personagem principal é um homem simples, do tipo que não se destaca socialmente. Mora num conjugado sem graça e tem como companhia um peixinho que vive em um pequeno aquário. Entretanto, todas as manhãs, ao se sentar no vagão do trem, que o leva para o trabalho, retira da pasta algumas folhas e corajosamente as lê em voz alta. São páginas avulsas de livros que ele conseguiu salvar da fúria destruidora da máquina que ele mesmo opera. Esse é o seu trabalho: triturar livros, transformá-los em uma maçaroca pastosa, abrir espaço nos depósitos das editoras e nas prateleiras das livrarias, para que novos livros possam ser publicados e vendidos. Ele abomina o trabalho que faz.

Admito que inicialmente tive uma certa dificuldade em compreender o por quê de tanto sucesso. A história parecia-me uma versão masculina de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”: uma narrativa bem contada, mas fofinha. Conseguia até visualizá-la como se fosse um filme, com alguém narrando em off.

Mas, devagarzinho, fui seduzida pelos personagens um tanto ou quanto caricatos: como o chefe grosseirão e insensível ou o assistente arrogante e traiçoeiro, e outros inesquecíveis: como o italiano que após ter as pernas mastigadas pela terrível máquina, acredita que um dia conseguirá recuperá-las por inteiro.

O ponto alto da narrativa foi, para mim, o momento em que o solitário leitor do trem encontra e começa a ler as anotações escritas por uma jovem, zeladora de um banheiro público.

Como um bom feitiço – daqueles que só se encontram nas histórias de antigamente – o amor que ambos nutrem pela leitura e a palavra escrita, transformará vidas tediosas e sem graça em outras merecedoras de serem conhecidas e contadas.

O leitor do trem das 6h27 é das histórias mais bonitas que li ultimamente, e admito que vou gostar muito se um dia for adaptada para o cinema.

 

  • O Leitor do Trem das 6h 27

Jean-Paul Didierlaurent

Editora Intrínseca

R$ 34,90

E-Book R$19,90

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