Três escritores e uma bicicleta

Se há uma lembrança afetiva comum a muita gente, com certeza é a de um pai ensinando o filho ou a filha a andar de bicicleta. É uma relação bonita de entrega. A criança receosa, com medo de cair e se machucar, sendo protegida pelo pai que lhe transmite confiança. Depois, a alegria de conseguir se equilibrar sozinha, de dominar a máquina, o cavalo, ou o dragão – podem chamar como quiser -, e sair pedalando livremente, sentindo a brisa bater no rosto, com um sentimento até então desconhecido de independência.

Não sei quantas versões já foram escritas e ilustradas para contar essa história, mas, recentemente, conheci outras duas bicicletas que “emparelharam” à de Rosa, personagem do livro “A pergunta mais importante”, escrito por mim e ilustrado por Flávia Bomfim.

A primeira “magrela” pertence à Emília Nuñez, que lançou recentemente “Felicidade Bicicleta”. A parceria deu tão certo que, mais uma vez, Emília escolheu Bruna Assis Brasil para ilustrar o seu novo livro.

Se “A menina da cabeça quadrada” abordava de modo divertido o perigo do uso excessivo dos brinquedos eletrônicos, agora a escritora defende a ideia de que a bicicleta é muito mais que um simples meio de locomoção.  Ao ser utilizada de forma recreativa, ela fortalece os laços familiares, aumenta a autoestima de uma criança e proporciona momentos de muita felicidade.

A segunda “magrela” veio de Santa Catarina e pertence a Pablo Lugones. Sua estréia no universo literário infantil com “O passeio“, não poderia ter sido feita em melhor companhia do que a do ilustrador e também escritor Alexandre Rampanzo.

Texto e ilustração se fundem harmoniosamente para falar de um pai que após ensinar a filha a andar de bicicleta, pedala ao seu lado por muito tempo. Cada um no seu ritmo, às vezes muito próximos, outras vezes nem tanto.  Até que um dia a filha, já crescida, percebe que o pai, companheiro de tantas viagens, não está mais ao seu lado. A saudade é grande, mas, como um farol, as boas lembranças que ele deixou a auxiliarão a continuar a própria jornada.

Fico imaginando quantas outras histórias existem ou estão sendo escritas e ilustradas neste exato momento tendo como tripé a relação entre pais, filhos e bicicletas. Um tema inesgotável de afetos que faz aflorar sorrisos em todos que as leem. Como gostaria de conhecer todas elas!

 

  • Felicidade Bicicleta

Emilia Nuñez

@maequele

R$ 39,90

 

  • O Passeio

Pablo Lugones

Editora Gato Leitor

R$ 41,30

 

  • A Pergunta Mais Importante

Editora Humanidades

R$27,00

A primeira andorinha

A Pergunta Mais Importante II

Acho que nasci com um livro na mão, tamanha é a minha paixão por esse objeto.

Toda a vez que leio algo que me agrada penso: puxa, como gostaria de escrever assim. Verdade. Bem escondido, debaixo de muitos “não levo jeito para isso”, sempre acalentei o sonho de ser escritora.

Aos dez anos comecei um diário. Tratava-se de uma atividade secreta, praticada no colégio durante os horários de recreio. Não escrevia em casa, receosa que minhas irmãs o descobrissem e lessem todos os meus segredos.

Com o passar dos anos deixei-o um pouco de lado, mas esporadicamente continuei a colocar no papel aquilo que me sufocava.

Até que um dia, ao reler meus escritos, reparei que só escrevia quando estava triste, e isso não me agradou. Por que só queixas e lamúrias? Onde estavam registradas as boas lembranças?

Comecei então a escrever sobre o meu cotidiano, as recordações de uma infância feliz, assim como os momentos maravilhosos que vivi com meus filhos quando eles eram crianças. Com certeza estes seriam textos que gostaria de reler no futuro.

Quando dei por mim tinha em mãos o relato de um filho aprendendo a andar de bicicleta aos cinco anos. Uma história sobre como superar dificuldades.

Quem sabe este não poderia ser o enredo do meu primeiro livro?

Timidamente mostrei o texto a alguns amigos que me incentivaram a procurar uma editora. No entanto, para mim ele ainda não estava pronto. Afinal, tratava-se de uma narrativa para crianças e precisava ser ilustrada.

Conversando com Flávia Bonfim, idealizadora e responsável pelo 1º e 2º Festival de Ilustração e Literatura da Bahia, pedi que me indicasse alguns profissionais. Com a maior espontaneidade ela respondeu: “Eu!”.

Nem ela sabia que eu escrevia, nem eu sabia que ela desenhava.

As dúvidas que porventura poderia ter quanto ao meu trabalho se esvaneceram assim que vi o texto complementado com ilustrações de Flávia. Ambos se encaixavam perfeitamente e tudo fazia sentido. Eu era uma escritora.

Sei que uma andorinha não faz verão, mas depois de A Pergunta Mais Importante, meu primeiro livro, tenho certeza que outras histórias se juntarão à primeira.

 

  • A Pergunta Mais Importante

Paula Piano Simões & Flávia Bomfim

Humanidades Editora e Projetos

R$ 27,00

Vestida de verde

Uma Pincelada de CopaA 20ª Copa do Mundo começou há poucos dias. Confesso que não sou grande fã de futebol, mas de quatro em quatro anos sou uma torcedora apaixonada.

Vibrei com a vitória do primeiro jogo do Brasil e sofri com a derrota de Portugal. Se os dois países vierem a se enfrentar o meu coração ficará bem dividido. Enquanto o confronto não acontece me visto de verde e torço por ambos.

Nas livrarias é grande a quantidade de livros que falam sobre o esporte. Tem para todos os gostos. No meio de tantas opções encontrei Uma Pincelada de Copa de Marcelo Stern.

Mesmo tendo como publico alvo crianças entre 6 e 12 anos o livro agradou-me bastante e muito aprendi com sua leitura.

Em uma conversa despretensiosa um avô responde às perguntas da neta e comenta sobre todas as Copas que aconteceram até os dias de hoje.

Pois é, não sabia que o Brasil fora convidado a sediar a Copa de 1950 porque a Europa ainda se recuperava dos estragos físicos e econômicos da 2ª Guerra Mundial.

Que poderia ter sediado outra em 1986, mas não o fez pelos mesmos motivos da Colômbia, escolhida inicialmente para realizá-la. Naquela época ambos os países enfrentavam uma séria crise financeira e dependiam da ajuda do FMI que exigia austeridade nos gastos e aumento de tributos.

Por isso o campeonato desse ano acabou sendo realizado no México, e por pouco também não acontece. Desta vez o motivo não seria econômico, mas o grande terremoto que abalou o país no ano anterior.

Esse não foi o único terremoto que quase acaba com uma Copa antes mesmo dela começar. Outro bem mais violento, ocorrido 25 anos antes, quase impossibilita o Chile de realizar o campeonato em 1962.

No entanto a determinação e o entusiasmo do presidente organizador do evento Carlos Dittborn Pinto reverteram esse prognóstico. Entre os escombros de um país destruído conseguiu levantar o ânimo da população ao afirmar: Porque no tenemos nada, queremos hacerlo todo! (Porque não temos nada, queremos fazer tudo).

Infelizmente este homem extraordinário não chegou a ver seu sonho realizado. Um mês antes do inicio da competição e com apenas 38 anos morreu de uma pancreatite aguda.

Uma pincelada de Copa pode ser apreciado por toda a família, e com certeza tornará as conversas feitas nos intervalos dos jogos muito mais acaloradas e interessantes.

 

 

 

  • Uma pincelada de Copa

Marcelo Stern

Humanidades Editora e Projetos

R$ 37,00

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