Cem anos de solidão

cem-anos-de-solidãoRecordo que quando era adolescente enfrentava leituras pesadas que pouco compreendia  só para encher a boca e dizer que tinha lido Zola, Stendhal e outros escritores do mesmo quilate. Na época, não largava o livro pela metade e, sem qualquer prazer, enfrentava páginas e páginas repletas de longas e minuciosas descrições até ao aguardado final.

Foi assim que aos dezesseis anos encarei Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Márquez, e detestei.

Todas as vezes que escutava alguém enaltecer a genialidade da obra guardava a minha opinião só para mim.

Até que, recentemente, resolvi encará-lo, de novo, e a minha cabeça “explodiu”.  Que turbilhão era esse no qual eu adentrava? Desta vez, a quantidade ensandecida de personagens me extasiava e os múltiplos enredos me estimulavam a prosseguir sem interrupções a leitura.

Se os personagens masculinos eram interessantes o que dizer dos femininos? Úrsula a matriarca centenária; Rebeca e Amaranta que disputaram o mesmo homem, até levá-lo ao suicídio; Pilar Ternera, a amante simultânea de dois irmãos, com os quais teve um filho de cada um; Remédios a jovem mais bela de todas, que voou para nunca mais voltar agarrada a um lençol enfunado pelo vento.

Finalmente eu compreendia por que Cem anos de Solidão continuava incendiando a imaginação de tantos leitores ao redor do mundo. Eu estava simplesmente apaixonada e me rendia ao seu realismo mágico!

Ainda não terminei o livro. No momento vou conhecer a quinta geração da família Buendía: Meme, José Arcádio… Percebo que diminuí o ritmo da leitura. Não quero terminá-lo. Que outro livro poderá preencher o vazio que esta obra extraordinária deixará assim que chegar ao fim?

Quem sabe chegou a hora de dar uma segunda chance a Germinal e Madame Bovary.

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