A primeira andorinha

A Pergunta Mais Importante II

Acho que nasci com um livro na mão, tamanha é a minha paixão por esse objeto.

Toda a vez que leio algo que me agrada penso: puxa, como gostaria de escrever assim. Verdade. Bem escondido, debaixo de muitos “não levo jeito para isso”, sempre acalentei o sonho de ser escritora.

Aos dez anos comecei um diário. Tratava-se de uma atividade secreta, praticada no colégio durante os horários de recreio. Não escrevia em casa, receosa que minhas irmãs o descobrissem e lessem todos os meus segredos.

Com o passar dos anos deixei-o um pouco de lado, mas esporadicamente continuei a colocar no papel aquilo que me sufocava.

Até que um dia, ao reler meus escritos, reparei que só escrevia quando estava triste, e isso não me agradou. Por que só queixas e lamúrias? Onde estavam registradas as boas lembranças?

Comecei então a escrever sobre o meu cotidiano, as recordações de uma infância feliz, assim como os momentos maravilhosos que vivi com meus filhos quando eles eram crianças. Com certeza estes seriam textos que gostaria de reler no futuro.

Quando dei por mim tinha em mãos o relato de um filho aprendendo a andar de bicicleta aos cinco anos. Uma história sobre como superar dificuldades.

Quem sabe este não poderia ser o enredo do meu primeiro livro?

Timidamente mostrei o texto a alguns amigos que me incentivaram a procurar uma editora. No entanto, para mim ele ainda não estava pronto. Afinal, tratava-se de uma narrativa para crianças e precisava ser ilustrada.

Conversando com Flávia Bonfim, idealizadora e responsável pelo 1º e 2º Festival de Ilustração e Literatura da Bahia, pedi que me indicasse alguns profissionais. Com a maior espontaneidade ela respondeu: “Eu!”.

Nem ela sabia que eu escrevia, nem eu sabia que ela desenhava.

As dúvidas que porventura poderia ter quanto ao meu trabalho se esvaneceram assim que vi o texto complementado com ilustrações de Flávia. Ambos se encaixavam perfeitamente e tudo fazia sentido. Eu era uma escritora.

Sei que uma andorinha não faz verão, mas depois de A Pergunta Mais Importante, meu primeiro livro, tenho certeza que outras histórias se juntarão à primeira.

 

  • A Pergunta Mais Importante

Paula Piano Simões & Flávia Bomfim

Humanidades Editora e Projetos

R$ 27,00

O livro certo

2º festival ilustração bahia

Inspiro-me no entusiasmo de quem não dá ouvidos aos maus agouros e executa sonhos e projetos.

Não foi fácil, mas mais uma vez Flávia Bomfim realizou em Salvador o 2º Festival de Ilustração e Literatura da Bahia.

Novos participantes e velhos conhecidos se reuniram para criar um evento alegre, colorido e alto astral.

Apesar de já ter participado dessa mesma oficina há dois anos, eu quis ouvir novamente o ilustrador Odilon de Moraes falar sobre O livro ilustrado no Brasil. Afinal, além de profissional de mão cheia, Odilon é um excelente divulgador do trabalho de seus pares, e sempre tem novidades para apresentar.

A oficina durou um dia inteiro, mas passou num piscar de olhos. Foram muitos os livros apreciados pelos participantes e muitas as informações que recebemos. Nessa longa conversa, Odilon pontuou as influências e a preocupação dos colegas em retratar a diversidade social e cultural do país.

Os-invisiveisNo meio de tantos, pincei um livro publicado em 2013 que aborda com muita sensibilidade um tema complicado: a invisibilidade social. Se o texto de Tino Freitas fala de um menino que possui o super poder de ver pessoas que ninguém mais vê, as ilustrações de Renato Moriconi revelam quem são essas pessoas ignoradas pela sociedade.

Os Invisíveis é um livro que merece ser debatido com as crianças. Quem sabe ele funcione como um pontapé inicial e estimule os pequenos leitores a reverter – num futuro próximo – essa triste realidade.

Mas voltando à oficina, Odilon foi forçado a encerrá-la quando o avisaram sobre a longa a fila que o aguardava  para autografar “Lá e Aqui”.

Trata-se do último livro que ilustrou, e foi feito em parceria com sua mulher Carolina Moreyra. “Lá e Aqui” aborda um outro tema difícil e doloroso para as crianças: A separação dos pais.La-e-aqui

Por vezes a infância pode ser uma época cheia de armadilhas e medos. Felizmente, hoje em dia, não existe assunto ou tema que não possa ser conversado com uma criança. Basta apenas encontrar o livro certo.

 

  • Os Invisíveis

Tino Freitas & Renato Moriconi

Editora Casa da Palavra

R$ 34,90

  • Lá e Aqui

Carolina Moreyra & Odilon Moraes

Editora Zahar (Selo Pequena Zahar)

R$ 39,90

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