Um presente fora de época

Valores-para-viver

Não é aniversário de ninguém e o Natal ainda está distante, mas Valores para Viver é um livro que eu gostaria de dar de presente para vários amigos.

Nele foram reunidos contos, crônicas e poesias escritos por 40 autores brasileiros contemporâneos ou não. Os textos abordam 10 valores escolhidos pelos organizadores do livro, entre os quais gratidão, humildade, lealdade e delicadeza.

Cada tema ou valor é escrito por autores como Adélia Prado, Antônio Torres, Fernando Sabino, Lya Luft, Lima Barreto entre muitos outros do mesmo quilate. Ao final de cada tópico pessoas reais relatam as próprias experiências de vida.

Nem todas as histórias são necessariamente edificantes, algumas, inclusive, falam da ausência desses valores éticos.

Outras poderiam ser enquadradas em outra categoria, afinal como separar o Amor da Lealdade?

O texto A babá de Adriana Falcão encontra-se dentro do tema Humildade, mas é tão maravilhoso que poderia perfeitamente estar naquele dedicado à Delicadeza.

Por sua vez, A ousadia é um salto com vara de Marina Colasanti enquadrado no tema Coragem ficaria perfeito no capitulo dedicado à Perseverança.

Apaixonei-me também pela crônica de Claudia Tajes que agradece à mãe já falecida por lhe deixar como herança uma velha cadela boxer. Mais não digo, esperando com isso estimular a curiosidade de quem me lê.

Os textos de Valores para Viver podem ser lidos e apreciados aleatoriamente. Quando terminei o meu livro estava bastante sublinhado.

 

 

Das Utopias

                Se as coisas são inatingíveis

                Ora... não é motivo para não querê-las…

                Que tristes os caminhos,

                Se não fora a presença distante das estrelas!

(Mário Quintana)

 

 

  • Valores para Viver – inspirações para refletir (2005)

Organização: Maria Isabel Borja e Márcio Vassallo

Editora Guarda-Chuva

R$ 29,90

Como gostaria de ter aprendido História

Tenho em mãos um livro encantador: “As origens de Portugal – História contada a uma criança de Rómulo Carvalho.

Editado pela Fundação Calouste Gulbenkein, reproduz, página por página, o livro escrito por um jovem professor, para ensinar a seu filho de sete anos as origens e o nascimento de Portugal.

O livro é muito bonito, com capa dura e sobrecapa. As páginas têm o tamanho um pouquinho maior que uma folha A4, e são a cópia fiel das originais que receberam o texto batido à máquina e os desenhos feitos a lápis de cor, e no maior capricho, pelo autor.

desenhos feitos pelo autorOs acontecimentos históricos são transmitidos de forma prazerosa e acrescidos de informações complementares que procuram aguçar a curiosidade de uma criança.

Fica-se sabendo que com a chegada dos mouros à Península Ibérica, os ancestrais dos portugueses e espanhóis aprenderam a fazer papel com as sementes da flor do linho; Que um rei muçulmano chegou a ter uma biblioteca com quatrocentos mil livros, todos escritos à mão! Que foram eles, também, que inventaram os números como os conhecemos hoje.

Mas a brincadeira não é esquecida e, depois de explicar o que é um castelo e como funciona de maneira diferente em tempos de paz e de guerra, o autor desenha um, em planta baixa, para ser recortado, colado e montado pelo filho.

O livro “As origens de Portugal” é informativo e amoroso. Ao mesmo tempo em que na função de professor transmite conhecimento, como pai, o autor não esquece de passar valores éticos:

“Ora, como te disse, o nosso Afonso tinha feito as pazes com o rei de Leão, Afonso 7º. Apesar disso, como já estava livre dos mouros, resolveu-se ir outra vez combater os galegos. Deves concordar que isto não é nada bonito. Quando se está em guerra e se pede a paz não se deve ir outra vez, atacar o inimigo desprevenido. Mas que queres? Foi assim que se passou e é assim que te conto.”

Apesar de ter sido escrito em 1940 o livro mantem um frescor todo especial. Recordei muita coisa e aprendi outras tantas, e quando terminei a leitura perguntei a mim mesma: Por que  não foi assim que a História de Portugal me foi ensinada?

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