A última viagem do Lusitânia

a-ultima-viagem-do-lusitaniaGosto de conversar com os vendedores das livrarias sobre as novidades e trocar informações a respeito das leituras que fizemos e nos agradaram. Esse intercâmbio costuma ser muito rico e proveitoso, pelo menos para mim.

Recentemente, recomendei um que ainda não tinha lido, mas que pedira como presente de aniversário: A última viagem do Lusitania.

Fiz isso porque lembrei que tinha gostado muito do outro livro de Erik Larson, No Jardim das Feras, já publicado no Brasil.

Quando retornei na semana seguinte, perguntei se tinham vendido bem o ”Lusitania”. Um dos funcionários comentou que muitos clientes procuravam romances históricos, mas relutavam em comprá-lo quando eram informados tratar-se de um livro de não ficção. Como se a realidade não pudesse ser contada de uma forma interessante!

Decidi então colocá-lo à frente de outras leituras para poder opinar com mais segurança. E aconteceu o que esperava, A última viagem do Lusitania é um ótimo livro!

É impressionante como uma história repleta de informações não cansa o leitor. E elas são de todo o tipo: fofocas sobre o adultério do primeiro-ministro francês; as particularidades sobre a decoração e o funcionamento do navio; as carreiras brilhantes tanto do capitão inglês quanto do capitão alemão do submarino; a descrição minuciosa dos passageiros, quer fossem pessoas abonadas ou não; as refeições pantagruélicas e as atividades recreativas desfrutadas durante a travessia; e, é claro, as funções bélicas dos frágeis e destrutivos submarinos.

A narrativa transcorre no início de 1915 quando a guerra já se espalhara pelos campos da Europa e do antigo Império Otomano, e chega ao Oceano Atlântico, mais precisamente no sul da costa irlandesa. Ali, os códigos de ética marítima foram rasgados, e, um transatlântico inglês levando a bordo quase 2.000 pessoas foi a pique em menos de 20 minutos, depois de ser torpeado por um submarino alemão.

O autor de A última viagem do Lusitania é um excelente contador de histórias. Seu livro com certeza agradará aqueles que buscam a exatidão dos fatos históricos e também os apreciadores de um bom romance.

 

 

  • A última viagem do Lusitania

Erik Larson

Editora Intrínseca

R$ 49,90

E-Book R$ 34,90

O que ganhei de aniversário em 2015

 

Ainda não tinha terminado de ler o último livro que ganhara das minhas ex-colegas da FTC, e já estava na hora de comemorar, de novo, o meu aniversário.

Apesar de não trabalharmos juntas há mais de cinco anos, continuamos nos reunindo para matar as saudades e celebrar os aniversários.

Nós formamos um grupo muito prático. A aniversariante sempre escolhe o que quer ganhar, e a mais organizada e responsável, recolhe o dinheiro, pesquisa preços e efetua a compra final, inclusive a do próprio presente.

Invariavelmente recebo livros, que vou intercalando com outros que eu mesmo compro ao longo do ano.

Como poderão constatar a minha lista é bastante eclética e entrarei 2016 com a “difícil” tarefa de ler:

A Última Viagem do Lusitania – Erik Larson

Despertar : um guia para a espiritualidade sem religião – Sam Harris

O Clube do Livro do Fim do Mundo – Will Schwalbe

A Vítima Perfeita – Sophie Hannah

A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

Entre o mundo e eu – Ta Nehisi Coates

Além destes seis, ganhei de uma querida amiga o livro Primatas da Park Avenue, que também foi escolhido por mim. Esse tipo de acordo pode parecer estranho, mas simplifica muito as coisas. Nunca fico decepcionada com o que recebo, e quem me oferece fica feliz porque sempre acerta o presente.

 

O farol solitário

No jardim das feras

No Jardim das Feras”  é muito mais que um empolgante romance histórico. Além de ser um relato verídico é uma magnífica aula de História!

Corre o ano de 1933 e o presidente Franklin Roosevelt após várias tentativas frustradas para preencher o cargo de embaixador em Berlim, nomeia William E. Dodd – diretor do departamento de História e professor da universidade de Chicago – para ocupar a posição na Alemanha.

Certamente um professor universitário não seria o homem ideal para assumir essa responsabilidade. Aos 64 anos o maior propósito na vida de Dodd era encontrar tempo para terminar de escrever a história do “velho” sul estadunidense.

Desconhecia por completo as sutilezas e meandros do mundo diplomático e como ele mesmo se definiu: “não sou do tipo dissimulado, de duas caras, tão necessário para a tarefa de mentir lá fora em nome do país”. Mas como poderia recusar um convite feito pessoalmente pelo presidente?

Ao desembarcar na Alemanha com a família – mulher e um casal de filhos adultos – o novo embaixador chegou com duas missões extremamente espinhosas.

A primeira, cobrar o pagamento da dívida que o governo alemão fizera com banqueiros americanos – no valor de 1,2 bilhão de dólares; e a segunda, manifestar-se contra as perseguições infligidas aos judeus, sem prejudicar as relações entre os dois países e assim inviabilizar o pagamento da dívida.

Ao fazer esse protesto deveria também ser cauteloso, para não enfurecer as autoridades alemãs e provocar uma avalanche indesejável de emigrantes, numa época em que os EUA enfrentavam uma forte recessão e desemprego.

Quando chegaram a Berlim a impressão inicial foi bastante agradável. No seu diário Martha – filha do embaixador – escreveu o seguinte: “achei que a imprensa ((americana) tinha caluniado o país, e eu queria apregoar o calor e a afabilidade das pessoas, a suave noite de verão com sua fragrância de arvores e flores, a serenidade das ruas”.

Utilizando-se dos diários e correspondências de Dodd e Martha; dos relatórios trocados entre o embaixador e seus superiores; e de relatos escritos por membros da embaixada e consulado americano, o autor constrói um detalhado e angustiante panorama das mudanças ocorridas assim que  Hitler ascendeu ao poder.

Se no início Dodd fora suficientemente ingênuo em acreditar que por ser o embaixador dos EUA poderia influenciar e, até mesmo, manter uma conversa racional com o chanceler alemão, ao final do primeiro ano estava profundamente desapontado.

Durante quatro anos e meio tentou – inutilmente – convencer o Departamento de Estado norte-americano das aberrações que presenciava e do perigo que Hitler representava para a Paz Mundial. Tratado com condescendência e certa pilhéria retornou definitivamente ao seu país no final de 1937.

Em fevereiro de 1940, poucos meses depois de Hitler invadir a Polônia – dando início à Segunda Guerra Mundial – falecia aquele a quem o presidente Roosevelt chamou de “um farol solitário da liberdade e da esperança americanas numa terra onde as trevas se avolumaram”.

  • No jardim das feras

Erik Larson

Editora Intrínseca

R$ 39,90

eBook R$ 24,90

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