E eu fui a Lisboa!

Antes de mais nada, quero pedir desculpas às amigas portuguesas por não as ter procurado quando estive recentemente em Portugal. Foram poucos dias e as saudades que tinha da minha irmã e de meu filho eram tantas que foi neles que concentrei todos os meus beijos e vontade de atualizar as conversas.

Levei o guia ‘’Vá a Lisboa e me leve com você’’. Minha irmã, que acompanhou as andanças, ficou impressionada como ele está atualizado.

Quando o adquiri no início do ano, montei um mini roteiro com o que pretendia visitar da próxima vez que fosse a Lisboa. Claro que não pude fazer tudo o que queria, mas mesmo assim estive no Museu Nacional do Azulejos e apreciei o painel O Casamento da Galinha mencionado no guia. Dentro do complexo, do qual faz parte o museu, surpreendi-me com a beleza da igreja do convento Madre de Deus, de deixar qualquer visitante de queixo caído.

Consegui tambem almoçar n’O Magano em Campo de Ourique. Felizmente fizemos reserva, porque o restaurante estava socado de gente. O couvert oferecido, por si só, era uma refeição completa: saladinha de polvo, mini rissoles de camarão, empadinhas de galinha, cogumelos recheados. Cada entrada mais deliciosa do que a outra. Para fechar com chave de ouro o programa, sentado numa mesa ao lado rodeado de amigos, estava o escritor Miguel Sousa Tavares. Ele é o autor de um romance histórico que muito aprecio e costumo indicar para todo mundo: Equador.

A minha empolgação foi grande porque na véspera ao fazer  uma visita relâmpago a uma livraria, tinha comprado o seu último livro: Cebola crua com sal e broa. Pena que o deixara no hotel e não pude pedir-lhe que escrevesse uma dedicatória.

Na verdade, eu tinha ido à livraria atrás de outro livro, que me havia sido indicado pela professora do curso que estou fazendo no Instituto das Letras. Era a primeira vez que ouvia falar em Afonso Cruz e achei o título muito curioso: ‘’Vamos comprar um poeta’’.

Fiquei sabendo que o escritor é tambem ilustrador, cineasta e músico, e recebeu diversos prémios nas áreas em que atua. Aqui no Brasil a editora Companhia das Letras publicou: ‘’Flores’’ e “Jesus Cristo bebia cerveja’’.

A ideia inicial era ler rapidamente ‘’Vamos Comprar um Poeta’’, visto que o livro tem apenas 100 páginas, e depois oferecê-lo à professora. Mas achei a história tão original que mudei de ideia. Posso até emprestá-lo (que perigo!), mas quero guardá-lo na minha estante.

Na manhã do dia em que regressei ao Brasil, encontrei tempo para visitar o Centro Cultural de Belém. Depois, passei rapidinho na loja de souvenirs. Bem na entrada, uma capa despojada com um título sucinto chamou minha atenção: ‘’Lisboa o guia ilustrado’’, um projeto pessoal de Amir-Alexandros Afendras. Folheei-o apressadamente e me apaixonei. O livro era todo ilustrado com aquarelas que contavam resumidamente os costumes e a história da cidade.

Os desenhos referentes às comidas foram decisivos para esquecer que as malas estavam fechadas. Com certeza encontraria um espaço para guardá-lo. Onde mais, se não ali, aprenderia as diversas maneiras de beber um café (bica, italiano, carioca, pingado, garoto, com cheirinho, mazagran, abatanado e outras mais) ou encontraria uma ilustração tão bonita que mostrasse os diferentes tipos de frutos de mar servidos nos restaurantes lisboetas?

Depois, quando pude apreciá-lo com mais calma, encontrei um capítulo referente a personalidades que iam desde reis e escritores, passando por Cristiano Ronaldo e artistas plásticos. Lá estava Joana Vasconcelos –  tem um enorme e flamejante coração de Viana, construido com talheres de plástico vermelhos, bem na entrada da exposição -, e uma pessoa que não conhecia. Em cima do nome Alexandre Farto (Vhils) está desenhado um prédio cuja fachada tem um rosto pintado. Pesquiso na internet e descubro tratar-se de um pintor e grafiteiro considerado um dos maiores nomes mundiais da arte urbana. Sorrio e penso como os livros por mais despretensiosos que sejam sempre me surpreendem e ensinam alguma coisa.

Se mesmo assim minhas amigas não estiverem convencidas,  saibam que não consegui tomar um sorvete no Santini e nem comer um único pastel de nata!

 

  • Cebola crua com sal e broa

Miguel Sousa Tavares

Editora Clube do Autor

20 euros

  • Vamos comprar um poeta

Afonso Cruz

Editora Caminho

12,90 euros

  • Lisboa o guia ilustrado

Amir-Alexandros Afendras

Editora Majericon

20 euros

Ai que saudade!

Passei duas tardes inteirinhas passeando por Lisboa sem sair de casa. Graças ao guia Vá a Lisboa e me leve com você!, escrito pela embaixatriz Elza Maria da Costa e Silva Lima, e que atualmente mora com o marido em Abuja*. (como anda a sua Geografia? A minha, péssima. Precisei pesquisar na internet para saber onde fica esse lugar)

Revisitei lugares e conheci outros que surgiram desde a última vez que estive a passeio em Portugal. Relembrei expressões introdutórias de uma conversa que não são usuais no Brasil, como: Desculpe lá…, Não se importa… Já agora…, e uma palavra que a encerra: Obrigadinha!

Aprendi que se costumava comer os pastéis de nata acompanhados por vinho verde, mas que atualmente eles são consumidos com um cafezinho ou uma “bica”. Achei curiosa a primeira combinação, por não ser um tipo de vinho que acompanha um doce, e procurei saber mais a respeito. Apesar de não ter encontrado nenhuma confirmação desse hábito, aprendi que um pastel de nata vai muito bem com um cálice de um vinho generoso, como um Madeira, um Moscatel ou um Porto Tawnay.

Reza a lenda que os pastéis de nata são uma criação original dos monges que viviam no Mosteiro dos Jerónimos. Entretanto encontrei quem contrariasse essa teoria, alegando que desde o reinado de D. João II os homens estavam não só proibidos de mexer em açúcar, como de consumi-lo. Essa seria uma das razões pela qual a tradição da doçaria portuguesa está tão ligada ao sexo feminino.

Enquanto lia Vá a Lisboa e me leve com você, deu-me uma saudade da minha irmã que mora em Portugal e liguei para ela. Aproveitei para perguntar o que era “uma meia torrada aparada”. Ela me disse que ao se pedir numa cafeteria “uma torrada” são servidas duas.  No caso específico, “meia torrada” é uma única fatia de pão de forma onde a côdea (casca) foi retirada. Ah, agora entendi!

Como ela mora em Campo D’Ourique, contei que na próxima vez que for a Portugal quero conhecer o restaurante mais tradicional do bairro, o Coelho da Rocha (e isso lá é nome que se dê a um restaurante?!). Ela me disse que sim, mas que preferia me levar n’O Magano. Lá fui eu de novo procurar saber o significado dessa palavra e fiquei surpresa com a resposta. Magano quer dizer ardiloso, velhaco, folgazão. Os portugueses escolhem cada nome para os seus estabelecimentos comerciais!

Bom, mas por causa do guia já comecei a montar o meu roteiro de viagem. Quero subir na cobertura sinuosa ou “lombo” do novíssimo Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), localizado à beira do rio Tejo; almoçar com a minha irmã no restaurante Magano, especializado em comida alentejana; conhecer o Palácio dos Marqueses de Fronteira (segundo a autora, “talvez seja o palácio mais memorável que você poderá ver em Lisboa”) e que foi construído no séc. XVII pelo primeiro Marquês de Fronteira. Até hoje os descendentes moram ali e por essa razão não abre à visitação nos finais de semana.

Quero também tomar um sorvete na minha sorveteria do coração, Santini (apesar das más línguas dizerem que a melhor sorveteria de Lisboa é a Nannarella); visitar o Museu Nacional do Azulejo, renovado recentemente, e admirar o painel intitulado O Casamento da Galinha;

Tomar chá no antigo salão de baile do Palacete Chafariz d’El Rei, construído por um português que fez fortuna no Brasil no início do século passado. Esse lugar tem uma arquitetura tão exótica que as autoridades tentaram demoli-lo por atentado ao bom gosto urbano.

Nunca imaginei que a leitura de um guia de viagens pudesse ser tão prazerosa. Vá a Lisboa e me leve com você! estimulou-me a rever os meus conhecimentos sobre os reis e a História de Portugal: estudei a sucessão monárquica desde D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil) até o seu tataraneto D. Manuel II, que foi deposto no início do século passado, quando foi instaurada a República. Aprendi também quantas capitais teve Portugal (se me perguntassem num desses programas de perguntas e respostas eu seria sumariamente eliminada). Foram cinco no total: Guimarães, Coimbra, Rio de Janeiro, Angra do Heroísmo ** (!!) e Lisboa.

Com toda a certeza Vá a Lisboa e me leve com você! estará comigo na próxima vez que o meu destino for o Aeroporto da Portela.

Ai que saudade!

 

*capital da Nigéria! Achou que era Lagos, não é?

**cidade no arquipélago dos Açores

 

  • Vá a Lisboa e me leve com você!

Elza Maria da Costa e Silva Lima

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