Hamlet ou Amleto?

Hamlet ou AmletoA obra de Shakespeare sempre me intimidou. O mais próximo que estive de uma de suas peças foi quando representei no teatro do colégio o papel de Lisandro, personagem da comédia “Sonho de uma Noite de Verão”.

De lá pra cá, só assisti a alguns filmes baseados nas suas peças, como Romeu e Julieta (1968) do diretor Franco Zefirelli; Amor Sublime Amor, vencedor do Oscar de 1962, também inspirado nos amantes de Verona; O mercador de Veneza (2004) com Jeremy Irons e Al Pacino e Rei Leão (1994) desenho animado dos estúdios Walt Disney  que faz referências à história de Hamlet.

No entanto, a vontade de conhecer o universo do maior dramaturgo de todos os tempos permanecia inalterável. Finalmente, recebi do escritor Rodrigo Lacerda o pequeno empurrão que tanto desejava.

Desde a adolescência, o autor é apaixonado pela obra do bardo inglês. Não por acaso, dois de seus romances que abordam esse universo receberam o prêmio Jabuti: O mistério do leão rampante e O fazedor de velhos.

Recentemente publicou Hamlet ou Amleto? Shakespeare para jovens curiosos e adultos preguiçosos.

O livro é perfeito para quem – assim como eu – precisa de  ajuda para atravessar os obstáculos de uma leitura densa e hiperbólica.

Utilizando-se de uma prosa descontraída, o autor esmiúça as nuances psicológicas do personagem principal, explica os conflitos que surgem quando valores morais são alterados, destrincha o significado de provérbios da época, das mensagens transmitidas por Ofélia através de diferentes tipos de flores, e de frases enigmáticas como: O corpo está com o rei, mas o rei não está com o corpo. O rei é uma coisa… (não se preocupe, você vai entender quando ler)

O autor também desconstrói a famosa cena em que o príncipe da Dinamarca segura uma caveira e diz: Ser ou não ser, eis a questão… Sim, a frase foi dita. E sim, Hamlet pegou numa caveira, mas nunca fez as duas coisas ao mesmo tempo. Hamlet

Quando terminei de ler Hamlet ou Amleto? estava confiante. Agora não tenho mais motivo para não encarar a versão de Hamlet (traduzida por Millôr Fernandes) que há anos aguarda pacientemente na estante por minha atenção.

 

  •  Hamlet ou Amleto? Shakespeare para jovens curiosos e adultos preguiçosos

Rodrigo Lacerda

Editora Zahar (2015)

R$ 39,90

E-Book R$ 24,90

 

O africano de todas as cores

O filme “Longa caminhada até a liberdade” do diretor inglês Justin Chadwick foi aclamado pela crítica, ao ser exibido em setembro no Festival Internacional de Toronto, e já é apontado como um possível candidato ao Oscar de 2014.

Baseado na autobiografia de Nelson Mandela  narra a luta contra o apartheid, e os vinte sete anos que passou na prisão até se tornar o primeiro presidente negro da África do Sul. É também a história de amor entre o ativista e a segunda mulher Winnie. Uma relação conturbada que perdurou por décadas até terminar com denúncias de traição por parte dela e de seu apoio à utilização de métodos bárbaros para obter confissões de opositores.

MandelaO livro “Longa caminhada até a liberdade” foi publicado ano passado no Brasil pela editora Nossa Cultura, e vem com prefácio escrito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – colega da Mandela no grupo não governamental The Elders formado por ex-líderes mundiais que se reúnem para discutir e encontrar soluções para a paz mundial e defender os direitos dos mais desafortunados.

Para quem não se recorda, Nelson Madela recebeu juntamente com o ultimo presidente branco sul-africano Frederik Willem de Klerk o Prêmio Nobel da Paz de 1993, por trabalharem em conjunto na construção da NAÇÃO ARCO-ÍRIS onde brancos, negros, indianos, judeus e muçulmanos pudessem conviver pacificamente.

Seguindo as comemorações mundiais aos 95 anos de vida, do pacifista maior, acaba de chegar às prateleiras “Mandela – o africano de todas as cores” uma referência a essa nova nação.

Indicado para o público infanto-juvenil especialmente para aqueles com mais de 11 anos, o livro traz ilustrações de traços fortes, sendo estas bem coloridas ao retratarem os anos vividos em liberdade, e em poucas cores os muitos anos em que esteve preso. Os textos são curtos, mas oferecem uma boa explicação de como era viver sob um regime racista e segregacionista, e marcam cronologicamente o tempo em que Mandela viveu encarcerado. No final é oferecido um “para compreender melhor” às crianças que quiserem conhecer melhor as riquezas e problemas da África do Sul.

O-africano-de-todas-as-cores

Por último termina com o poema favorito de Nelson Mandela, Invictus escrito por William Ernest Henley:

(…) Prisioneiro dos fatos que me atormentam,

       Não gemi nem chorei

      Sob o infortúnio dos golpes,

      Estou acabado, mas de pé

(…) Pouco me importa a estreiteza dos caminhos,

      Os penosos castigos em minha senda,

      Sou senhor do meu destino.

      Sou capitão da minha alma

  • Longa caminhada até a liberdade

Nelson Mandela

Editora Nossa Cultura

R$ 79,00

  • Mandela – O africano de todas as cores

Alain Serres e Zaü

Editora Zahar

 R$ 39,90

 E-book: R$ 24,90

Ainda o melhor romance policial

Um grito terrível, um brado de horror e angústia, explodiu no silêncio do pântano. Esse grito medonho gelou o sangue em minhas veias.

O Cão Dos BaskervilleEnquanto lia “O cão dos Baskerville” perguntava a mim mesma, como era possível não ter lido nenhuma aventura de Sherlock Holmes, o maior detetive da literatura mundial? Como pudera ignorar, por tanto tempo, as histórias do famoso personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle?

A ambientação do romance não poderia ser mais sugestiva – primeiro, as ruelas congestionadas de Londres, onde espiões perseguem suas vítimas em cabriolés; depois a mansão sombria da família Baskerville, cercada de traiçoeiros pântanos que engoliam todos aqueles que desconhecessem o caminho correto de os atravessar, não importando se fosse homem ou animal.

Enquanto lá fora caía uma chuvinha fina (sem ilusões… moro em Salvador, a temperatura era de 25º) passei boas horas entretida com a leitura deste clássico de suspense, publicado inicialmente, em uma revista inglesa, entre agosto de 1901 a abril de 1902.

Um cão maligno e feroz matara, em épocas diferentes, dois membros da família Baskerville e tudo levava a crer que pretendia fazer o mesmo com o atual herdeiro da mansão. Sherlock Holmes e seu fiel amigo Watson são chamados para desvendar o mistério. De onde veio o animal? Faria ele parte do mundo dos vivos ou fugira dos infernos?

Considerado um dos primeiros best-sellers do século 20, este romance policial, ganhou nova edição de Bolso de Luxo pela editora Zahar. O livro vem com texto integral, 40 ilustrações originais e excelente tradução de Maria Luiza A. Borges, detentora de diversos prêmios nessa área.

Entre as muitas edições que podem ser encontradas nas livrarias, existe uma destinada ao publico infanto-juvenil que me agrada bastante. Publicada pela Companhia das Letras, “O cão dos Baskerville” teve o texto abreviado, possui bonitas ilustrações e oferece informações sobre o autor e a época em que transcorre a história. Faz parte da coleção “Clássicos Infantis”, composta de 14 títulos, entre os quais “20000 Léguas submarinas”, “Oliver Twist” e “Robinson Crusoé”.

O cão dos Baskerville CL

Não há pontas soltas na história, mas encontrei um pequeno deslize cometido pelo famoso detetive. Ao deduzir como uma das vítimas teria morrido afirmou: “É claro que sabemos que um cão não morde um cadáver (…)“.

Lamentavelmente, meu caro Sr. Holmes isso não é verdade. Durante o Egito Antigo os cães comiam cadáveres e por isso eram reverenciados como conhecedores dos segredos do outro mundo. Mais tarde, durante a Idade Média, chegaram a perder o prestígio de melhor amigo do homem por se alimentarem dos corpos das vítimas da Peste Negra.

O cão é um animal carnívoro e se estiver esfomeado comerá o que aparecer à sua frente. Infelizmente, foi dessa forma macabra que os comparsas de Bruno ex-goleiro do Flamengo deram sumiço ao corpo da amante dele assassinada em 2010. Mas essa é outra história, uma terrível e verdadeira história de terror.

%d blogueiros gostam disto: