Quando a linha reta é curva

Uma-dobra-no-tempo

Por vezes, a escolha do próximo livro que pretendo ler não é muito óbvia. Chego até ele por caminhos um tanto ou quanto sinuosos. Não ficou claro? Explico melhor.

Apesar de não ser o meu gênero favorito, recentemente encomendei um livro de ficção científica: Uma Dobra no Tempo. Em 1963, ele ganhou o prêmio Newbery dedicado à literatura infanto-juvenil.

Tudo começou quando li O acerto de contas de uma mãe e deparei com uma citação de C.S. Lewis: “Ninguém me disse que o luto se parecia tanto com o medo.”

Essa frase me impactou. Com ela o escritor e teólogo inglês – mais conhecido por escrever As Crônicas de Nárnia – dá início ao livro A anatomia de uma dor: um luto em observação.

No momento o livro está esgotado, mas o encontrei no site Estante Virtual.

Não foi uma leitura fácil. Sem qualquer pudor, o autor expõe todo o seu sofrimento após o falecimento de sua mulher e como sua fé religiosa foi posta à prova.

O prefácio do livro é de Madeleine L’Engle, uma escritora americana que não conhecia e que é a autora de Uma Dobra no Tempo publicado no Brasil pela editora Rocco.

Com uma pilha de livros por começar, talvez não lhe desse muita importância se não tivesse lido uma notinha de rodapé no jornal, dizendo que Ava DuVernay, diretora do filme Selma, e a apresentadora Oprah Winfrey pretendem adaptá-lo para o cinema. Sou fã de Oprah Winfrey por estar sempre incentivando e divulgando novos livros e autores. Se ela se interessou é porque a história deve ser muito boa e continuar atual.

E foi assim que o desabafo de uma mãe me levou até ao luto de um marido apaixonado que, por sua vez, me apresentou a Uma Dobra no Tempo, onde: “Uma linha reta não é a distância mais curta entre dois pontos.”

As minhas leituras também não seguem em linha reta, elas se desdobram em curvas.

 

  • Uma Dobra no Tempo

Madeleine L’Engle

Editora Rocco

R$ 37,00

 

As aventuras de Jajá

JajáNão virei a casaca não. O meu amor incondicional pelos cães continua intacto, mas admito que ao ler As aventuras de Jajá de Susana Schild pensei em adotar um gato.

A gatinha Jajá é a narradora desta história encantadora, que começa com ela caminhando vacilante em cima de um muro. De repente vem o tombo. Assustada e sem saber onde está Jajá começa a miar chorosa.  Seu lamento é ouvido por uma menina que com todo o cuidado a pega no colo, a leva para casa e lhe oferece um pires com leite.

O problema é que o pai de Luisa não concorda em ter mais um gato no apartamento. O outro gato é Nina, na verdade uma gata que enciumada não vê com bons olhos a chegada de uma concorrente.

Do mesmo jeito que Jajá encantou a menina, suas peripécias seduzem o leitor. Fiquei impressionada como um livro indicado para o público infantil pode me ensinar tanta coisa sobre os felinos. Por exemplo, eu não sabia que os gatos não gostam de portas fechadas e que são muito dorminhocos.

As aventuras de Jajá é o livro perfeito para as crianças que já adquiriram fluência na leitura e gostam de animais, principalmente de gatos.

Afinal, como resistir a um ronronar que na língua dos gatos quer dizer: Eu gosto de você.

 

  • As aventuras de Jajá

Susana Schild

ilustrações: Mika Takahashi

Editora Rocco (jovens leitores)

R$24,50

E-Book R$ 16,00

A Vítima Perfeita

A-Vitima-PerfeitaAo comentar sobre um livro que li, normalmente procuro não saber o que os outros blogueiros escreveram sobre ele. Receio ser influenciada por essas opiniões.

Não conhecia a autora Sophie Hannah e ao ler a orelha de A vítima perfeita fui seduzida por suas excelentes credenciais. Ela é autora de diversos gêneros literários, vencedora de prêmios, tem um romance adaptado para a televisão e sua obra já foi traduzida para 32 idiomas.

Entretanto, quando terminei de ler o livro, fiquei em dúvida se tinha gostado dele ou não. Na verdade, o meu questionamento era se o recomendaria ou o ofereceria de presente. Contrariando os meus princípios, fui ler algumas resenhas sobre A vítima perfeita. A grande maioria foi bastante elogiosa, mas eu tinha algumas ressalvas a fazer. Não que tivesse desgostado do livro, mas para mim toda a história não se sustentava por causa de alguns furos na trama.

Como era possível que os idealizadores de um site – criado para ajudar as vítimas de estupro a falar sobre o que lhes acontecera e sobre como se sentiam – não tivessem lido e percebido que pelo menos dois dos relatos eram muito parecidos e não procuraram a polícia para que fosse feita uma investigação mais profunda?

Quando a narrativa começa, já se passaram três anos desde que Naomi escreveu anonimamente para esse site. Agora, ela está vivendo uma intensa relação amorosa com um homem casado, de temperamento muito sistemático. Eles costumam se encontrar sempre no mesmo dia da semana, no mesmo hotel e, à medida que o relacionamento evolui, começam a fazer planos para o futuro. Por isso, quando ele não comparece ao encontro de todas as quintas-feiras e não responde às suas chamadas telefônicas, ela tem certeza que algo de muito sério aconteceu e a vida dele corre perigo.

Naomi procura a polícia mas sua denúncia é tratada com descaso, como se fosse uma simples briga de casal. Inconformada, ela modifica o seu depoimento e diz que o amante é na verdade seu estuprador.

Depois dessa declaração bombástica é difícil largar o livro. Mas, mais adiante, voltei a questionar a possibilidade de um segredo (e que segredo!) ser guardado por um grupo de desconhecidos. Afinal, como diz o ditado, “segredo a dois, só matando um.” Imagine, então, quando são vários!

Feitas estas considerações sobre a trama, admito que A vítima perfeita agradará aquele público leitor que aprecia um  suspense psicológico repleto de reviravoltas.

 

  • A vítima perfeita

Sophie Hannah

Editora Rocco

R$ 39,50

E-book R$ 25,50

O que ganhei de aniversário em 2015

 

Ainda não tinha terminado de ler o último livro que ganhara das minhas ex-colegas da FTC, e já estava na hora de comemorar, de novo, o meu aniversário.

Apesar de não trabalharmos juntas há mais de cinco anos, continuamos nos reunindo para matar as saudades e celebrar os aniversários.

Nós formamos um grupo muito prático. A aniversariante sempre escolhe o que quer ganhar, e a mais organizada e responsável, recolhe o dinheiro, pesquisa preços e efetua a compra final, inclusive a do próprio presente.

Invariavelmente recebo livros, que vou intercalando com outros que eu mesmo compro ao longo do ano.

Como poderão constatar a minha lista é bastante eclética e entrarei 2016 com a “difícil” tarefa de ler:

A Última Viagem do Lusitania – Erik Larson

Despertar : um guia para a espiritualidade sem religião – Sam Harris

O Clube do Livro do Fim do Mundo – Will Schwalbe

A Vítima Perfeita – Sophie Hannah

A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

Entre o mundo e eu – Ta Nehisi Coates

Além destes seis, ganhei de uma querida amiga o livro Primatas da Park Avenue, que também foi escolhido por mim. Esse tipo de acordo pode parecer estranho, mas simplifica muito as coisas. Nunca fico decepcionada com o que recebo, e quem me oferece fica feliz porque sempre acerta o presente.

 

Entradas Mais Antigas Anteriores

%d blogueiros gostam disto: