Vale do Encantamento

vale-do-encantamento

Por quase três semanas acompanhei Amy Tan pelo Vale do Encantamento.

Conheci a Xangai do início do séc XX e me instalei no Caminho Oculto de Jade – uma casa de cortesãs de alto nível – onde os segredos da arte de seduzir me foram revelados.

Violet, a personagem principal do livro, é fruto do amor inter-racial entre Lucia, jovem americana, e o único herdeiro de uma tradicional e milenar família chinesa.

Logo no início não simpatizei com aquela menininha voluntariosa e insegura. No entanto, me condoí com seu sofrimento quando foi abandonada à própria sorte pela mãe.

Não era suposto Violet se tornar uma cortesã, assim como não era esperado que revivesse a experiência da infância e fosse forçada a entregar a única filha a estranhos.

Durante oito anos a autora viajou pela China procurando conhecer as paisagens descritas no livro; entrevistou diversas pessoas e fez uma pesquisa exaustiva com o intuito de retratar com fidelidade o período histórico da narrativa. Com certeza todo esse trabalho é um ponto forte do livro, mas ao procurar não deixar de fora nenhuma das informações colhidas, por vezes a narrativa torna-se um tanto ou quanto cansativa.

Violet não foi a única personagem com que antipatizei. O comportamento egoísta e irresponsável de sua  mãe quando adolescente também me irritou bastante.

Entretanto com o decorrer da leitura acabei por modificar a minha opinião. Tanto uma quanto a outra crescem bastante como personagens quando são confrontadas com as ciladas da vida e demonstram possuir qualidades de inegável valor, como astúcia, coragem, lealdade e paixão.

Vale do Encantamento é menos empolgante que O clube da felicidade e da sorte ou que A filha do restaurador dos ossos. Mas, mesmo quando não é brilhante, Amy Tan sabe contar uma boa história que vale a pena conhecer.

 

  • Vale do Encantamento

Amy Tan

Editora Planeta

R$ 53,90

E-Book R$ 39,80

 

Tempo de ostras, tartarugas e pérolas

Minha irmã fugiu do frio e veio me fazer uma visita de quatro dias.

Depois de nos deliciarmos com os bolinhos de peixe da Praia do Forte e com o banho de mar nas águas profundas e tranquilas da Praia da Espera em Itacimirim, de onde saímos correndo assustadas ao perceber que tínhamos como companhia uma tartaruga de casco bem grande, velha conhecida dos moradores locais que nos afirmaram ser totalmente inofensiva, retornamos à “civilização”.

Após percorrer o roteiro turístico obrigatório: Mercado Modelo, Dique do Tororó, Farol da Barra, etc, etc, partimos para a nossa viagem pessoal e… rumamos para uma livraria.

Estávamos com tempo, podíamos pegar um livro, ler um pouquinho, pegar outro, ler mais pouquinho… Apresentei-lhe Rubem Alves.

Enquanto ela ria e se emocionava com  Ostra feliz não faz pérola, estiquei displicentemente o braço e peguei o livro que se encontrava exposto na minha frente.

Era um livro de contos escrito por YiYun Li de quem nunca tinha ouvido falar.  E foi sem qualquer expectativa que comecei a ler o primeiro conto. À medida que virava as páginas percebi que tinha em mãos algo muito, mas muito especial, uma verdadeira pérola.

Parei para ler a orelha e conhecer melhor a autora. Foi com este livro que Yiyun Li recebeu diversos prêmios, além de ter sido escolhida pela revista Granta como uma das 21 melhores escritoras norte-americanas.

Retornei a leitura de Tempo de boas preces e não percebi o tempo passar. Ia começar a ler o segundo conto quando sobressaltada minha irmã me interrompeu avisando que estávamos MUITO atrasadas para o almoço.

Rapidamente fechei o livro e perdemos mais alguns minutos (será que perdemos?) para passar no caixa. Saímos felizes da livraria, cada uma com sua sacola, levando para casa as  novas descobertas que tanto haviam nos seduzido.

  • Ostra feliz não faz pérola

Rubem Alves

Planeta do Brasil

R$ 29,90

  • Tempo de boas preces

Yiyun Li

Editora Nova Fronteira

R$ 34,90

O pote mágico

Sei o nome do vizinho, do irmão malvado do vizinho, de seus amigos, mas não do menino que nos conta a história.

Menino mora numa favela da cidade de São Paulo, e deve ter quase 9 anos. Brinca com seus amigos de soltar capucheta (a prima pobre da pipa), de pega-pega e de esconde-esconde.

Quando tem de enfrentar um perigo, coloca a máscara do Batman, agarra na espada do Zorro e parte prá ação.

Menino é curioso, e mais ainda ficou, quando soube do Pote Mágico do vizinho. O que teria dentro dele?

Disseram-lhe que é uma massinha azul, meio transparente, muito linda, que faz bolinhas de gude, mas ele precisa ver com os próprios olhos.

Não vai ser fácil, se quiser ver, vai ter que pagar. Como conseguir dinheiro?

Menino faz um pouco de tudo. Cata papelão, latas velhas, livros jogados no lixo e leva para o dono do ferro-velho, que usa um chapéu de cowboy; vai com um amigo até o centro da cidade, e toma conta do carro de uma senhora que foi fazer compras no supermercado; tenta vender os  gibis de que tanto gosta…

Finamente consegue os R$ 5,00 necessários para poder olhar dentro do Pote Mágico! Corre para a casa do vizinho e aí… Ah, aí é outra história!

Não sei se gostei mais da história contada por Ferréz, escritor paulista, ou das lindas ilustrações feitos por Rodrigo Abrahim, com lápis, guache e tinta acrílica.

No entanto, tenho uma certeza: Que sorte, se puder ler este livro para seu filho, sobrinho, neto… ou para qualquer criança que sentar ao seu lado. Você não vai se arrepender.

O pote mágico

Ferréz / Rodrigo Abrahim

Editora Planeta Infantil

R$ 29,90

%d blogueiros gostam disto: