Grande Magia – vida criativa sem medo

Quando me encanto por um livro costumo pensar para quem poderia indicá-lo ou oferecê-lo de presente. Alguns dos que li este ano se encaixaram nessa categoria, mas se tivesse que escolher um só, com certeza, seria o que estou terminando agora: “Grande Magia – vida criativa sem medo” de Elizabeth Gilbert.

Comecei a leitura em maio e deste então venho desfrutando-o bem devagarzinho. Com uma lapiseira sublinho uma frase ou releio um parágrafo encantada com a prosa fluente e estimulante da escritora.

Elizabeth Gilbert compartilha com o leitor a crença de que “o mundo é habitado não apenas por animais, plantas, bactérias e vírus, mas também por idéias que desejam o tempo todo se materializar”. Para que isso aconteça, elas precisam de nós os seres humanos. Como delicadas borboletas elas se aproximam e volteiam ao nosso redor. Cabe a nós capturá-las ou ignorá-las.

As idéias gostam das pessoas curiosas, que não se amedrontam com o trabalho árduo –por vezes elas são difíceis de concretizar –, e nem desanimam se não recebem o devido reconhecimento e aplauso.

A escritora enumera diversas crenças de autossabotagem, que se resumem numa simples palavra: MEDO

(…) medo de não ter nenhum talento, medo de ser rejeitado, incompreendido, ignorado, de não ter a disciplina necessária, de magoar a família, de ser considerado um mercenário, um narcisista, de estar velho demais para começar, de ser jovem demais para começar, de só ter um sucesso, de não ter nenhum. (…)

Os medos sufocam a criatividade e afugentam as idéias. Em determinações situações eles nos protegem do perigo, mas quando se está falando de criatividade são totalmente contraproducentes.

De maneira descontraída “Grande Magia” oferece uma bonita reflexão de como é  importante permitir que nossos talentos ocultos se manifestem. Mesmo não sendo inovadores ou geniais, eles são o que temos de mais precioso, porque além de serem únicos, ao se realizarem dão alegria e sentido às nossas vidas.

 

  • Grande Magia – vida criativa sem medo

Elizabeth Gilbert

Editora Objetiva

R$29,90

O clube do livro do fim da vida

O-clube-do-livro-do-fim-da-vidaDurante quase dois anos O clube do livro do fim da vida fez parte da minha lista de desejos. Qual não foi a minha satisfação quando o ganhei de presente de aniversário.

Entretanto, esperas prolongadas costumam provocar expectativas que muitas vezes terminam em decepções. Foi, portanto, com certo receio que iniciei sua leitura.

Minha insegurança durou pouco. Fui logo cativada pela nota inicial do autor onde ele compartilhou uma frase que sua mãe costumava dizer: “Faça o seu melhor, e é só isso que pode fazer”. Se era com essa leveza que se tocava a vida, a leitura prometia ser descontraída e acolhedora.

A história se apóia em dois pilares. O primeiro são as leituras que Mary Anne compartilhou com o filho Will, autor deste livro. O segundo é ela mesma.

Ao ser diagnosticada com um câncer, Will começou a acompanhá-la às sessões de quimioterapia. Para torná-las menos desagradáveis, criaram um clube de leitura só para eles. Enquanto Mary Anne se submetia ao tratamento, os dois conversavam sobre personagens e trechos do livro que lhes tinham tocado.

Quando dei por mim, estava anotando numa folha de papel algumas sugestões que me interessaram: Encontro em Samara de John O’Hara ; Os detetives selvagens de Roberto Bolaño; Gilead de Marilynne Robinson;  A mordida da manga de Mariatu Kamara.

Outras indicações eu já conhecia: O ano do pensamento mágico de Joan Didion; Um delicado equilíbrio de Rohinton Mistry ; Os homens que não amavam as mulheres de Stieg Larsson.

Um livro em especial chamou minha atenção: A elegância do ouriço de Muriel Barbery. Não recordo qual foi o motivo, mas lembro que nos primeiros capítulos – e apesar dos elogios de diversas pessoas cujo gosto literário combina com o meu – o deixei de lado. Agora que confiava nas opiniões literárias do autor e sua mãe, talvez estivesse na hora de lhe dar uma segunda chance.

À medida que a leitura de O clube do livro do fim da vida se encaminhava para o final, percebi que deliberadamente a estava retardando. Não porque não estivesse gostando, mas porque sabia que quando o livro terminasse, a mãe do autor estaria morta. Mesmo sabendo que isso já acontecera na vida real, não queria que fosse verdade. Eu me afeiçoara a Mary Anne, queria conhecê-la!

Tudo bem que fui apresentada a ela pelo olhar amoroso do filho, mas como não me encantar por essa senhora cheia de energia, que gostava genuinamente das pessoas e lhes oferecia algo muito precioso, e que ultimamente anda bem escasso: Atenção. Ela as escutava e para todas tinha uma palavra amiga e um sorriso.

Desde muito jovem, sempre se envolveu em causas sociais. A família era importante, principalmente os netos, mas por mais de vinte anos visitou campos de refugiados e dedicou-se em aliviar seus sofrimentos. Sempre que possível, ajudou vários a refazerem suas vidas longe dos conflitos e zonas de guerra.

Sua crença no poder transformador e agregador da literatura, levou-a a lutar pela implantação de uma biblioteca em Cabul capital do Afeganistão. Essa foi sua última empreitada.

Acho que Mary Anne ficaria feliz se soubesse que sua vida – assim como o livro – inspirou muita gente inclusive a mim.

 

  • O clube do livro do fim da vida

Will Schwalbe

Editora Objetiva

R$ 39,90

E-Book  R$ 24,90

O que ganhei de aniversário em 2015

 

Ainda não tinha terminado de ler o último livro que ganhara das minhas ex-colegas da FTC, e já estava na hora de comemorar, de novo, o meu aniversário.

Apesar de não trabalharmos juntas há mais de cinco anos, continuamos nos reunindo para matar as saudades e celebrar os aniversários.

Nós formamos um grupo muito prático. A aniversariante sempre escolhe o que quer ganhar, e a mais organizada e responsável, recolhe o dinheiro, pesquisa preços e efetua a compra final, inclusive a do próprio presente.

Invariavelmente recebo livros, que vou intercalando com outros que eu mesmo compro ao longo do ano.

Como poderão constatar a minha lista é bastante eclética e entrarei 2016 com a “difícil” tarefa de ler:

A Última Viagem do Lusitania – Erik Larson

Despertar : um guia para a espiritualidade sem religião – Sam Harris

O Clube do Livro do Fim do Mundo – Will Schwalbe

A Vítima Perfeita – Sophie Hannah

A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

Entre o mundo e eu – Ta Nehisi Coates

Além destes seis, ganhei de uma querida amiga o livro Primatas da Park Avenue, que também foi escolhido por mim. Esse tipo de acordo pode parecer estranho, mas simplifica muito as coisas. Nunca fico decepcionada com o que recebo, e quem me oferece fica feliz porque sempre acerta o presente.

 

Mortais

MortaisGostei muito de Mortais – Nós, a medicina e o que realmente importa no final, escrito pelo médico norte-americano Atul Gawande. Quando terminei de ler queria conversar sobre ele e indicá-lo a todo o mundo. Reconheço, no entanto, que para muitas pessoas o tema pode ser difícil de encarar.

É fato incontestável que nossos pais estão vivendo mais que nossos avós – não porque receberam uma boa herança genética, mas por causa dos fantásticos avanços da medicina. E se a minha geração não fizer muita besteira, com certeza, viverá por um periodo de tempo bem maior que a deles.

E é sobre esse longo envelhecer que precisamos refletir: Como fazer que a vida continue valendo a pena mesmo quando estamos fragilizados, debilitados, e não podemos mais nos virar sozinhos?

Nas faculdades os médicos aprenderam a salvar vidas, a consertar um orgão que começa a falhar, priorizando sempre a segurança e a sobrevivência do paciente.

Não que isso seja errado, mas é preciso ter em mente que uma vida só tem sentido quando ainda lhe é permitido realizar as próprias vontades, por mais singelas que sejam.

Vale a pena viver em um lugar cercado de cuidados e regras, que retiram do idoso os pequenos prazeres da vida, fazendo com que ele se sinta como se vivesse numa prisão?

Vale a pena sofrer uma e mais outra intervenção cirúrgica, quando se sabe que elas não irão curar nem devolver ao paciente a qualidade de vida que ele tinha anteriormente?

O que torna a leitura de Mortais tão interessante é que coloca o idoso ou o paciente no papel de protagonista ao perguntar: “Ei! Você pode estar fragilizado e precisando de ajuda, mas estamos falando de sua vida, da sua história. Por favor, diga-nos como gostaria que ela fosse conduzida.”

Verdade que nunca foi fácil falar sobre a morte, mas se se tivermos a coragem de dizer como gostaríamos de morrer estaremos falando como pretendemos viver até o dia  em que Ela nos encontrar.

 

  • Mortais – Nós, a medicina e o que realmente importa no final

Atul Gawande

Editora Objetiva

R$ 29,90

E-Book R$ 19,90

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