Dia das Crianças

Inês

O dia das crianças se aproxima. Adivinhe o que vou dar de presente para os filhos da empregada?

– Ah, mas o menino não gosta de ler…

Como assim??? Do que gosta então?

– De jogar futebol!

Gol-ferias-no-pais-do-futebolNa livraria, a vendedora mostra uma coleção da editora Fundamento, escrita pelo italiano Luigi Garlando, abordando esse tema. Convencida, escolho para o garoto a história que acontece no Brasil: Gol – Férias no país do futebol.

Para a irmã, me pergunto se vai gostar de Malala, a menina que queria ir para a escola, da jornalista Adriana Carranca Correa.Malala 2

Continuo circulando pela sessão infantil e meus olhos batem num livro de capa vermelha e título curto: Inês

Direcionado a leitores com mais de oito anos, ele conta a história do amor proibido entre Pedro, então futuro rei de Portugal, e Inês de Castro.

Se inicialmente fiquei surpresa por ler uma narrativa de final tão trágico para um público tão jovem, logo em seguida lembrei-me de todos os contos de fadas e histórias sanguinolentas que escutei quando criança e me perguntei: por que não?

Imagino que os autores Roger Mello (texto) e Mariana Massarani (ilustrações) omitiram a vingança perpetrada por D. Pedro para não serem responsabilizados pelos possíveis pesadelos das criancinhas.

No entanto, se alguma delas perguntar curiosa o que aconteceu com os assassinos de Inês, pode dizer que um teve sorte e conseguiu fugir, mas que os corações dos outros dois foram arrancados do peito com eles ainda vivos. Não é a toa que D. Pedro I entrou para a história com o cognome de O Cruel.

Desnecessário dizer que, além dos dois presentes iniciais, mais um livro foi comprado como desculpa para comemorar o Dia das Crianças. O meu.

 

  • Gol – Férias no País do Futebol

Luigi Garlando

Editora Fundamento

R$ 29,50

  • Malala a menina que queria ir para a escola

Adriana Carranca Correa

Companhia das Letrinhas

R$ 29,90

  • Inês

Roger Mello e Mariana Massarani

Companhia das Letrinhas

R$ 37,90

A Submissão*

A-submissão-Amy-WaldmanPrometera a mim mesma que desta vez seria diferente. Entraria na livraria apenas para comprar um presente de aniversário e sairia rapidamente. Não levaria nadinha para mim, nadinha mesmo! Mas… o que é mesmo que está escrito na faixa amarela que abraça aquele livro?

Uau! Vencedor de diversos prêmios, finalista de outros tantos, escolhido pelo New York Times como um dos livros mais notáveis de 2011, e eleito o melhor do ano por uma grande cadeia de livros americana.

Nas minhas mãos estava um livro que agradara não apenas a critica especializada, mas também o público leitor. Definitivamente tratava-se de um daqueles “tem que ler”. E foi assim, sem nenhum arrependimento, que quebrei a primeira promessa do ano e levei para casa A Submissão de Amy Waldman.

A trama do livro é instigante. Dois anos se passaram desde o ataque terrorista ao World Trade Center e para homenagear as 2.977 vítimas** será construído, no local do atentado, um memorial. Foram muitos os participantes, mas ao se abrir o envelope, que guarda o nome do escolhido, tem-se uma surpresa. O projeto vencedor é da autoria de um muçulmano.

Esse é o ponto inicial para o desdobramento de diversos questionamentos acalorados. Como poderão as famílias enlutadas aceitar um memorial projetado por alguém que associam aos algozes de seus parentes e amigos? Qual seria a verdadeira motivação desse arquiteto, não estaria ele sub-repticiamente homenageando os terroristas e considerando-os mártires?  Mas ele é americano e desde quando todo o muçulmano é um inimigo em potencial? Estar-se-ia insinuando que os muçulmanos americanos são cidadãos de segunda classe e perigosos? E se descartassem o projeto vencedor e escolhessem o segundo colocado? Não seria desleal e injusto não reconhecer a vitória só por causa de um nome?

A notícia ganha contornos incendiários quando é divulgada pela imprensa sensacionalista. Afinal, a qual verdade maior os nova-iorquinos irão se submeter? Aquela em que os direitos individuais são respeitados mesmo que incomodem a muitos, ou se deixarão dominar pelo medo, o preconceito e a histeria?

Pode-se ler A Submissão como mera ficção, mas e se algo parecido acontecesse de verdade, como reagiriam os americanos?  O fato curioso é que o livro chegou às livrarias dos EUA em 2011, em meio à grande polêmica sobre a construção de um Centro Comunitário Muçulmano a duas quadras do Ground Zero (Marco Zero). Esse centro seria não só um lugar onde se realizariam atividades esportivas e culturais, mas teria também uma mesquita. E esse era o problema.

Park 51Uma mesquita tão perto do lugar da tragédia? Não seria isso uma afronta às vítimas? Por que ali e não em outro lugar?

Inicialmente o centro deveria chamar-se Casa Cordoba em homenagem à cidade espanhola conquistada pelos mouros no séc VIII onde, por séculos, cristãos, judeus e muçulmanos conviveram pacificamente, mas foram tantas as criticas de que se pretendia, na verdade, construir uma mesquita para homenagear a vitória dos muçulmanos sobre o mundo ocidental e que ela seria um símbolo de domínio e conquista do Islã, que o espaço terminou por receber o nome anódino de Park 51.

Rudolph Gulliani era o prefeito da cidade de Nova Iorque quando os ataques aconteceram e considerou a construção do centro uma profanação, um desrespeito à memória das vítimas. Por sua vez Michael Bloomberg (prefeito de NY em 2011) e o presidente Obama declararam o lugar apropriado como forma de afirmar ao mundo que os EUA respeitavam todas as religiões e que não cabia ao Estado dizer como e onde seus cidadãos – fossem eles muçulmanos ou não – deveriam rezar.

Por fim, em setembro de 2011, o Centro Islâmico foi inaugurado com uma exposição fotográfica intitulada Crianças de Nova Iorque de Danny Goldfield, um judeu americano . No entanto, até hoje a mesquita não saiu do papel.

*A palavra Islã significa submissão. Para o Islamismo, conhecer e praticar no dia-a-dia as leis de Deus (caridade, fraternidade, tolerância, entre outras) é o verdadeiro caminho para alcançar a  Paz.

** Normalmente fala-se em 3000 vítimas, mas 27 mortos foram terroristas.

  • A Submissão

Amy Waldman

Editora Fundamento

R$ 38,50

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