O Livro do Destino

O-livro-do-destinoNão lembro quais caminhos me levaram até “O Livro do Destino”, escrito pela iraniana Parinoush Saniee. Só sei que ali estava ele, aguardando por um clique meu no carrinho do site de compras.

Recentemente fiquei profundamente chocada com uma foto que circulou na internet, mostrando uma mulher sendo forçada por policiais a se desnudar numa praia no sul da França, simplesmente porque estava vestida com um burquini.  Concordo que por razões de segurança a burqa e o niqab devam ser proibidos, mas as outras formas de se cobrir são uma escolha pessoal e não devem ser reguladas pelo Estado. Nunca soube de uma freira ser impedida de usar o véu ou vestir o hábito religioso.

Atualmente debate-se como diferenciar o que é respeito a práticas culturais, que muitas vezes parecem exóticas e inadequadas, e a conivência com costumes degradantes sob a alegação de serem manifestações culturais de um grupo social ou religioso.

No mundo ocidental é inadmissível uma mulher não ter acesso a uma educação formal, ser forçada a um casamento arranjado pelos parentes ou sofrer qualquer tipo de mutilação física. Como conviver com culturas tão diferentes da nossa sem, no entanto, desqualificá-las por completo?

Mais uma vez estamos vivendo uma revolução de costumes. Não algo restrito a um choque de gerações – como ocorreu nas décadas de 60 e 70 no século passado -, mas outra de magnitude mundial.

“O Livro do Destino” chegou na hora certa. Escrito na primeira pessoa, parecia que diante de mim estava Massoumeh, a personagem principal, contando toda a sua vida. Da amizade com uma colega do colégio de temperamento alegre e desafiador, às emoções percebidas quando amou pela primeira vez e de como esse sentimento inocente foi enxovalhado pelos irmãos. Ao acharem que a honra da família havia sido maculada, a forçaram a se casar com um desconhecido.

Tratada, como a maioria das mulheres no mundo muçulmano, como cidadã de segunda classe, é graças aos estudos que Massoumeh consegue se equilibrar numa sociedade onde as regras do permitido ou não mudam de acordo com a corrente política dominante no país.

Por necessidade, Massoumeh atreveu-se a voar mais alto que sua mãe, irmã, cunhadas e vizinhas, mas como diz o ditado: uma única andorinha não faz o verão. Como todas elas, o seu desejo de felicidade terminou por ser sufocado pelos costumes preconceituosos.

Se o policial que humilhou a muçulmana na praia descesse de sua torre de verdades imutáveis e procurasse se informar um pouco mais sobre a realidade das mulheres muçulmanas, com certeza não teria agido da mesma forma que os opressores de Massoumeh. Como bem disse o escritor inglês Graham Greene “Não podemos odiar aquilo que conhecemos”.

 

  • O Livro do Destino

Parinoush Saniee

Editora Bertrand Brasil

R$ 52,90

 

As Aventuras da Águia e do Jaguar

Feliz por compartilhar com vocês mais uma ótima dica de leitura de minha amiga Juliana Lisboa.

Aventuras-aguia-jaguar II

Conhecida pelos romances densos, com uma pitada de história, espiritismo e tramas originais, Isabel Allende mostrou outro lado com “As Aventuras da Águia e do Jaguar”, trilogia criada para o público infanto-juvenil. Os livros são “A Cidade das Feras”, “O Reino do Dragão de Ouro” e “A Floresta dos Pigmeus”.

A obra conta a história de Alexander Cold, o Alex, um menino americano de 14 anos que vai passar as férias escolares com a avó, Kate, numa expedição pela selva amazônica a pedido da revista onde a avó trabalha como repórter. Durante a viagem ficamos sabendo de algumas coisas sobre a vida do menino: a mãe está se recuperando de um câncer, a vida em família anda abalada e ele, no auge da adolescência, se tornou um menino bastante introspectivo. A aventura começa propriamente quando eles chegam ao local e conhecem o brasileiro César Santos, que vai guiá-los na empreitada, e Nádia, sua filha, uma menina que domina a linguagem indígena e anda com um macaquinho à tiracolo – sei que parece estereotipado, mas acredite, não é!

Logo entendemos que Kate, Alex, César e Nadia fazem parte de uma trupe que foi montada para apurar a aparição de uma fera, que tem matado pessoas e animais no local. Quem lidera o grupo é um antropólogo renomado, e quem protege todo mundo é o xamã Walimai. Aos poucos, eles descobrem que existem muitos interesses que gerem a visita deles e que nem tudo – ou todos – são o que parecem. Apesar da narrativa ser lúdica e beirar ao fantástico, Allende não se vale de faz-de-conta para rechear sua história. Tudo é real – ou realista – e ela se vale da magia natural da floresta e das pessoas para que a trama seja rica para crianças, jovens e, também, adultos.

No segundo volume, “O Reino do Dragão de Ouro”, Alex, Kate e Nádia se aventuram pelo Himalaia, mais uma vez por uma solicitação da revista onde Kate trabalha. Assim como da primeira vez, a equipe vai investigar uma sucessão de tragédias que está acontecendo num reino, que, até então, vivia pacificamente e em harmonia com seu povo. Segundo uma lenda, existe no reino uma estátua de um dragão feita de ouro com pedras mágicas, que serviriam para controlar todo o dinheiro do mundo. Essa é apenas parte da trama, que ainda descreve a formação de um rei dentro de uma tradição que, ao que parece, não é apenas dogmática. Nesse livro, o lado emocional dos personagens é mais explorado, assim como as relações entre eles. Agora, não é mais Alex o personagem principal da história: ele passa a dividir o protagonismo com Nádia.

As aventuras terminam em “A Floresta dos Pigmeus”, que inicialmente seria um inocente safári em países africanos. Mas, como sempre, o grupo acabou se envolvendo numa missão especial, se perdeu num reino esquecido no meio do continente, em que o rei era um tirano e capturava pigmeus para tê-los como escravos. Os amigos formam uma força-tarefa para, em uma só jogada, conseguirem livrar os pigmeus e salvar a própria pele.

Apesar de simples, o enredo dos três livros consegue prender a atenção e alerta para temas como destruição da natureza, ganância e preconceito. Uma boa pedida para quem sente falta da fase gostosa de Harry Potter, mas se sente pronto para evoluir para uma leitura mais madura e com menos fantasia, mas não menos mágica.

  • As Aventuras da Águia e do Jaguar ( “A Cidade das Feras”, “O Reino do Dragão de Ouro” e “A Floresta dos Pigmeus”)

Autor: Isabel Allende

Editora: Bertrand Brasil

Preço: R$ 45 (cada livro)

Paixões & Vampiros

de-paixoes-e-de-vampirosTenho a impressão que minha sede de leitura só será saciada no dia em que conseguir apagar um incêndio de grandes proporções usando apenas um balde de água. Duas situações muito difíceis de acontecer, visto que leituras pedem novas leituras assim como labaredas se alimentam de mais labaredas.

Os amigos conhecem a minha paixão e, quando não indicam, me emprestam os livros que gostaram de ler. Foi assim que cheguei até ao escritor baiano Ruy Espinheira Filho e seu livro  “De paixões e de vampiros, uma história do tempo da era”.

Trata-se de um romance dividido em capítulos curtos que se lê com muito prazer.

“Causos” de uma época antiga quando o autor, ainda estudante, vivia numa cidadezinha do interior e arrumou um emprego não remunerado de jornalista, que serviria de treino para se tornar escritor.

A maioria das histórias é engraçada, como a do maluco que corria por toda a cidade dizendo ser um jipe e se paramentava de pára-choque, farol e buzina; ou do vereador que, ao final de cada discurso que proferia, era carregado nos braços da platéia e jogado em um local nada convencional.

Outras são um tanto melancólicas, até mesmo macabras. Como a do mendigo que fazia questão de estar sempre limpo e um dia afogou a sombra que sempre o acompanhava. Ou da dona da pensão que mitigava as saudades do único filho falecido há muito tempo, limpando e polindo de tempos em tempos os ossos do rapaz.

Histórias que falam de paixões e de vampiros podem ser de outras eras, mas continuam atuais e são sempre apreciadas.

Aos amigos que dividem comigo suas leituras e autores favoritos, o meu muito obrigada!

 

  • De paixões e de vampiros – uma história do tempo da era (2008)

Ruy Espinheira Filho

Editora Bertrand Brasil

R$ 45,00

A lista de desejos – parte 2

 

Dar por encerrada uma lista com os livros que pretendo ler é tarefa inglória, fadada ao insucesso, e ainda bem que é assim!

Afinal como resistir às novas resenhas que leio ou às indicações feitas por amigos e leitores do blog?

Na minha lista original constavam os seguintes livros:

Se-so-me-restasse-uma-hora-de-vida

Se só me restasse uma hora de vida – Roger-Pol Droit – Bertrand (escritor francês)

A capa e o título provocador do livro chamaram minha atenção. O autor é um filósofo acostumado a destrinchar temas complexos para um publico leigo no qual me incluo. A conferir.

 

 

A pirâmide do café – Nicola Lecca – Bertrand (escritor italiano)

Este livro foi considerado um dos dez melhores romances italianos de 2013. Ao pesquisar um pouco mais sobre ele, interessei-me pelo tema abordado: “de maneira delicada e emocionante, mostra um jovem ingênuo de cidade pequena que vai entendendo as complicações da vida em uma metrópole. O autor desenvolve uma crítica à sociedade e ao mercado de trabalho, onde aquele que pensa diferente e que busca novas soluções é quase sempre alvo de outros funcionários.”a-piramide-do-cafe

 

 

 

 

 

 

A-imperatriz-de-ferroA Imperatriz de ferro: a concubina que criou a China moderna – Jung Chang – Companhia das Letras (escritora chinesa)

A biografia de uma concubina, que imperou a China por quase meio século, tem que ser no mínimo fascinante, principalmente quando escrita pela autora do imperdível Cisnes Selvagens.

 

 

O fio da vida – Kate Atkinson – Globo Livros (escritora inglesa)

Este livro foi considerado um dos 5 melhores romances de 2013 pelo jornal New York Times, o que não deixa de ser uma excelente recomendação. Além de ser um fenômeno de crítica e público, o seu tema é bastante  instigante: “E se você pudesse mudar as escolhas da sua vida? E se ao nascer de novo, refazendo sua trajetória, pudesse mudar o destino de outras pessoas e até o curso da história?”O-fio-da-vida

 

 Dias Perfeitos – Raphael Montes – Companhia das Letras (escritor brasileiro)

Só tenho lido críticas elogiosas a este suspense escrito por um carioca de apenas 23 anos. Depois que assisti à sua entrevista no programa de Jô Soares fiquei ainda mais interessada em ler o livro.

Raphael-Montes
http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/jo-conversa-com-o-autor-raphael-montes/3269040/

 

sete-anosSete anos – Fernanda Torres – Companhia das Letras (escritora brasileira)

Considerei a estreia da atriz de televisão/cinema/teatro no mundo da literatura um grande sucesso. Nada mais natural que queira acompanhar de perto seu mais recente trabalho.

 

 

 

À lista original novos títulos foram acrescentados:

A balada de Adam Henry de Ian McEwan e Judas de Amós Oz, ambos publicados pela Companhia de Letras, e, por indicação de uma leitora do blog, O oitavo selo de Heloísa Seixas da editora Cosac Naify.

Oitavo-selo

 

Oh céus, onde encontrar tempo para ler tudo o que desejo?

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