Marcoré

Ao terminar de ler MarcoréMarcoré mentalizei um agradecimento aos editores da Arqueiro por terem reeditado este livro publicado em 1957 e vencedor do prêmio melhor romance da Academia Brasileira de Letras. Especulei também quantas outras boas obras literárias não tiveram a mesma sorte e encontram-se esgotadas ou esquecidas – seria tão bom se reaparecessem, de novo, nas livrarias.

A história transcorre numa provinciana cidadezinha do interior paulista, onde os avanços do mundo exterior são vistos como modernidades excêntricas. As vidas transcorrem de forma pachorrenta, e cada um conhece e respeita o seu lugar na estrutura social do lugar. Mas não se iludam, por baixo dessa aparente tranquilidade as mais variadas emoções borbulham.

Quando já se conformara com os muitos anos de casamento estéril, a vida do narrador é chacoalhada com a chegada do primeiro e único herdeiro. O que deveria ser motivo de orgulho e alegria torna-se com o passar do tempo num fardo amargo, onde felicidade e frustração se chocam e oscilam em proporções desiguais.

Enquanto sofria as horas excruciantes do parto, sua mulher faz uma promessa que irá esfacelar irremediavelmente a vida do casal, até então tranquila e ajustada.

Lida com o olhar do século XXI a história pode parecer absurda e desnecessariamente trágica, mas a escrita do autor é firme, refinada e envolvente. Ela nos enreda de tal forma que é impossível largar este romance considerado um marco na moderna literatura brasileira de caráter psicológico.

  • Marcoré

Antonio Olavo Pereira

Editora Arqueiro

R$ 29,90

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