Isto é um poema que cura os peixes

 

Sigo o blog Brain Pickings da escritora e crítica literária Maria Popova, que trocou a Bulgária, sua terra natal, pelos EUA. Ela é novinha, tem apenas 35 anos, e apesar da pouca idade tem uma cultura vastíssima. Ao pesquisar um pouco mais, soube que, quando era criança, uma das avós costumava ler para ela os mais variados textos selecionados de enciclopédias. De tudo o que acompanho no blog, um dos meus temas favoritos é o dedicado à literatura infantil.

Antes de prosseguir, preciso admitir que não costumo ler poesia. Tenho a impressão de tratar-se de um idioma estrangeiro, com uma musicalidade diferente, ao qual não fui apresentada. Mesmo assim, fiquei bastante curiosa ao ler sobre Isto é um poema que cura os peixes. O título criativo e as ilustrações postadas fizeram com que o procurasse aqui no Brasil.

O livro não é uma novidade. Na verdade, Isto é um poema que cura os peixes foi reeditado pela  SM em 2017. Mas como todo o livro que se conhece pela primeira vez, pelo menos para mim, era como se fosse um lançamento.

O texto do poeta francês Jean-Pierre Siméon recebeu as belíssimas ilustrações de Olivier Tallec. A editora teve o cuidado de escolher o poeta Ruy Proença como tradutor.  A primeira vez que  li a história foi em inglês. Estranhei o fato da palavra “boredom” ter sido traduzida em português por “tristeza”. Afinal, “morrer de tédio” é uma coisa e “morrer de tristeza” é outra bem diferente. Quem estaria com a razão? Procurei o original e a palavra é “ennui” e “ennui” é tédio!

Por que não foi feita a tradução literal da palavra? Será que editora e tradutor acharam que as crianças não a conheceriam? Difícil de acreditar, afinal desde a mais tenra idade todos nós conhecemos esse sentimento e continuamos pela vida a fora a vivenciá-lo.

Com exceção desse pequeno “ruído” inicial: “Mãe meu peixe está morrendo! Depressa, o Léo vai morrer de tristeza!”, a leitura é extremamente prazerosa.

A mãe diz ao filho para ele oferecer um poema ao peixinho. O menino não sabe o que isso é. Procura e pergunta em todo o lugar, e, acaba por ficar mais confuso. Ele não sabia que existiam tantas respostas tão diferentes umas das outras. E foi o que ele disse a Léo e, consequentemente, a mim também:

Se o coração não estiver entediado, a vida é um infinito poema em desenvolvimento.

E agora… Como contar?

Quem casa, quer casa e não pensa em separação. Mas quando ela se torna inevitável, como contar para os filhos quando estes ainda são pequenos?

Flanando pela sessão infantil de uma  livraria em Salvador, encontrei dois livros que abordam esse tema tão delicado e espinhoso.

Estavam colocados lado a lado na estante com as capas visíveis, e suas bonitas ilustrações, apesar de possuírem estilos bem diferentes, me atraíram.

No livro “A separação” de Pascale Francotte as cores das gravuras são sóbrias e esfumaçadas. A história é contada por um menino que amedrontado sente a chegada de algo assustador, como uma tempestade.

No livro “Papai e mamãe viraram amigos” de Maeve Vida, também é uma criança que conta  porque é que seus pais se separaram, mas aqui as ilustrações são alegres e muito coloridas. Desde o início percebe-se a existência de uma rede de segurança: o Amor. Este livro inspira-se nos princípios da Yoga, de uma vida saudável e equilibrada.

Ambos os livros procuram ajudar, pais e filhos, a fazer esta travessia a menos sofrida possível. Mostrando que o afeto incondicional jamais deixará de existir, mas que a partir de agora terá que ser dividido e  encontrado em duas casas diferentes.

  A separação

Pascale Francotte

Edições SM – Comboio de Corda

R$ 32,00

  Papai e Mamãe viraram amigos

Maeve Vida

Omnisciência – coleção vencendo desafios

R$ 20,00

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