Hibisco Roxo

Às vezes, quando leio um livro que gosto e considero importante, me imagino sugerindo-o como leitura para alunos do Ensino Médio. Como ficaria mais fácil estudar as questões sociais se, em vez de serem apresentadas nos livros didáticos, elas fossem debatidas em leituras ou filmes estimulantes! Certamente Hibisco Roxo da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie faria parte da lista.
A autora conta a história de Kambili, uma adolescente de 15 anos. Ela é filha do proprietário do único jornal, que corajosamente enfrenta os governantes corruptos do país. Kambili se orgulha do pai, cujo destemor o torna uma figura pública admirada e respeitada. Entretanto, ele possui outro lado, conhecido apenas pelos mais íntimos, que o torna um homem temido e assustador. Dos parentes que questionam o seu comportamento tirânico, ele mantém uma distancia cerimoniosa, quando não os exclui definitivamente do convívio mais próximo.
O enredo toca em questões espinhosas como o fanatismo religioso, a corrupção dos políticos e o total descaso das autoridades para com a educação e a saúde. Temas que assombram não só a Nigéria mas também o Brasil. Em certo momento da história – ao procurar uma solução no estrangeiro para a falta de oportunidades profissionais – a tia de Kambili desabafa:
“Os que estudaram vão embora, aqueles que têm potencial para consertar o que está errado. Eles deixam os fracos para trás. Os tiranos continuam reinando porque os fracos não conseguem resistir. Você não vê que é um círculo vicioso? Quem vai quebrar esse círculo?”
O comentário soou-me tristemente familiar.
Mas para mim, o que fez de Hibisco Roxo um livro especial, a ponto de querer indicá-lo para os adolescentes, foi não só porque aborda temas que fazem parte do nosso cotidiano, mas também porque debate outro assunto extremamente sofrido: a violência doméstica.
Não estou falando da violência boçal, fruto da ignorância, mas daquela disfarçada em boas intenções, que não distingue gênero, cor da pele ou status social, e se perpetua de geração em geração ao se confundir com o ato de educar: “Eu te castigo porque te amo”.
O livro de Chimamanda Ngozi Adichie dá voz a todos que se calam por vergonha ou medo.

 

  • Hibisco Roxo

Chimamanda Ngozi Adichie

Editora Companhia das Letras

R$ 44,90

E-book R$ 29,90

Americanah

AmericanahJá tinha escutado diversos comentários elogiosos a esta escritora, mas na sua frente sempre passava a leitura de outro autor, depois outro e mais outro, e assim, Chimamanda Ngozi Adichie acabava por ficar em um dos últimos lugares na longa lista de autores que pretendo ler um dia.

Finalmente, decidi que nada iria se interpor à leitura de Americanah e, com vontade, mergulhei nas suas 514 páginas. Não me arrependi.

A trama do livro gira em torno de Ifemelu, uma jovem nigeriana, apaixonada por Obinze , que no final da década de 90 emigra para os EUA para concluir os estudos universitários.  A Nigéria vive sob uma ditadura militar, a educação está um caos e os professores entram constantemente em greve para receber os salários atrasados. Se Ifemelu consegue facilmente um visto, a mesma sorte não tem Obinze. Por medo do terrorismo, os americanos ficaram mais exigentes em emitir vistos para jovens estrangeiros, principalmente aqueles oriundos de países onde a religião muçulmana é predominante.

O choque cultural é grande, mas o que mais a incomoda é o racismo mal disfarçado. A cor de sua pele que, até então, nunca fora um problema, a coloca em uma categoria bem definida e desfavorável.

Para expressar seu inconformismo, Ifamelu escreve um blog onde comenta as nuances de tratamento e as diferentes oportunidades que existem para os negros africanos e os negros americanos.

(…) Existe uma hierarquia de raça nos EUA. Os brancos estão sempre no topo, especialmente os brancos de família anglo-saxã e protestante, conhecidos como WASP, e os negros sempre estão no nível mais baixo, enquanto o que está no meio depende do tempo e lugar (ou como dizem aqueles versos maravilhosos: ”se você é branco, tudo bem; se você é marrom, fique por aí; se você é negro volte para casa!”). (…)

Após 13 anos sem visitar a Nigéria, são tantas as saudades que Ifemelu decide voltar definitivamente para casa. Mas, mais uma vez, a adaptação não é fácil. O machismo; a preocupação em ostentar riqueza – não importando como foi obtida; a falta de opções para as mulheres fora de um casamento com um “bom partido”, tudo isso a incomoda profundamente. Não é que ela tenha voltado uma Americanah (termo pejorativo para quem volta do estrangeiro criticando tudo à sua volta), mas, definitivamente, ela não é mais a mesma. A única coisa que não mudou é o sentimento que sente por Obinze, o grande amor de sua vida, de quem se afastou nos últimos anos.

Americanah é um livro que se lê com gosto. A leitura flui ao mesmo tempo em que leva o leitor a refletir sobre temas tão diversos como o que é ser emigrante, a obrigação de alisar o cabelo e a irracionalidade do racismo.

Por mais que seja impossível uma pessoa de pele clara “calçar os sapatos” de outra de pele mais escura, é importante que a escute e a perceba. Para que, de uma vez por todas, se compreenda que julgar as competências ou o caráter de uma pessoa pela cor de sua pele ou pela textura de seu cabelo não faz o menor sentido e é uma completa e total estupidez.

 

Vencedor do National Book Critics Circle Award.
Eleito um dos 10 melhores livros do ano pela NYT Book Review.
Direitos para cinema comprados por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Doze anos de escravidão.

 

  • Americanah

Chimamanda Ngozi Adichie

Editora Companhia das Letras

R$ 54,00

R$ 38,00 (E-Book)

A lista de desejos – parte 1

QueriaVerVoceFeliz (243x349)O meu aniversário se aproxima, o Natal chega logo depois, e a lista dos livros que gostaria de ganhar de presente está pronta!

Como ainda estamos no início de novembro, com certeza, ela será acrescida de muitos outros “Quero ler!”

Até o presente momento são estes os meus desejos:

Queria ver você feliz – Adriana Falcão – Intrínseca       (escritora brasileira)

No livro, a autora fala do relacionamento amoroso e tumultuado de seus pais. Conhecendo os trabalhos ficcionais de Adriana tenho certeza que o tema será tratado de maneira delicada e inteligente.

A 25ª hora

 

A 25ª hora – Virgil Gheorghiu – Intrínseca       (escritor romeno)

Faz muito tempo que li este livro. Apesar de não recordar bem da história, lembro que na época sua leitura me marcou bastante. Chegou a hora de conferir se o impacto continua o mesmo.

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Meio Sol amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie – Companhia das Letras       (escritora nigeriana)

No momento leio um livro desta jovem autora e estou gostando muito! Pretendo conhecer toda a sua obra.

 

 

A casa do califa: um ano em Casablanca – Tahir Shah – Roça Nova Editora       (escritor inglês de origem afegã)

Estive com o livro nas mãos há uns quatro anos. Recentemente li uma matéria da jornalista Cora Ronái recomendando-o vivamente. As suas indicações costumam ser ótimas, vou conferir.

A_CASA_DO_CALIFA

 

 

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O que eu sei de verdade – Oprah Winfrey – Sextante       (escritora norte-americana)

Sou tão fã de Oprah que fiz uma assinatura de sua revista. Essa mulher transmite otimismo, perseverança, e suas crônicas são inspiradoras.

 

A casa redonda – Louise Erdrich – Alfaguara       (escritora norte-americana)

Este já chega como vencedor do prestigiado prêmio literário norte-americano National Book Awards de 2013 na categoria ficção. Pelas resenhas que li trata-se de um livro “que fala de sentimentos poderosos e lança nova luz sobre a maneira como a maturidade pode alterar a relação entre pais e filhos” tem tudo para me agradar.

A casa redonda

 

Semana que vem tem mais!

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