Selo Cátedra 10 e 1 poema

Quando dei por finalizada a minha mudança para o Rio de Janeiro, procurei me informar sobre quem e onde se realizam atividades voltadas para a produção literária infantil.

Ao pesquisar na internet encontrei o Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC (iiLER) localizado no campus da Gávea. O instituto tem por objetivo promover pesquisas e cursos que estimulem a leitura e a formação de leitores. Em 2016,  em parceira com a UNESCO, criou o selo Seleção Cátedra 10  concedido às publicações literárias infanto-juvenis que se destacaram no mercado brasileiro, quer seja pelo texto, as ilustrações ou pelo projeto editorial.

Coincidentemente, a premiação aconteceria mais tarde, no mesmo dia em que fiz a pesquisa. Ao passar os olhos na lista dos selecionados, reconheci dois títulos que eu já tinha recomendado aqui no blog: “Coração de inverno, coração de verão” e “O passeio”.

(para saber quais foram os selecionados clique aqui)

Curiosa em conhecer pessoalmente os autores e o ilustrador dos livros, que tanto me haviam agradado, decidi participar do evento mesmo sem ter um convite oficial.

O auditório estava lotado. Antes da entrega dos prêmios, foi prestada uma homenagem póstuma à ilustradora mineira Ângela Lago e houve contação de histórias. Uma representante do iiLER – que infelizmente não recordo o nome – falou sobre o movimento do politicamente correto, tanto de grupos conservadores quanto progressistas, que ao examinarem textos consagrados, o fazem literalmente, esquecendo-se de contextualizá-los e reconhecer suas nuances e representações simbólicas.

A palestrante terminou declamando um poema que de tão atual parece que foi escrito ontem:

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

(VERDADE – Carlos Drummond de Andrade – Corpo, 1984)

No meio do caminho tinha uma mudança

Casa-NovaNo meio do caminho tinha uma mudança, tinha uma mudança no meio do caminho.

Foi de supetão. Um dia o proprietário do apartamento, onde vivi por doze anos, o pediu de volta e em pouco mais de um mês estava montando um novo lar.

Há quase quinze dias não sei o que é ler com calma. É um tal de abrir caixas de papelão, desfazer-me de livros e objetos que não têm mais lugar no apartamento atual, pendurar quadros… enfim, exercito o desapego ( e céus, como é difícil!).

Não abandonei a Fagulha de Ideias, simplesmente não tenho tempo nem serenidade para dedicar-me ao blog. Estou com muitas saudades das minhas leituras, e correndo para que a vida retorne aos eixos o mais breve possível. Enquanto isso não acontece, aos meus leitores peço um pouco de paciência, em breve estarei de volta.

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

(Carlos Drummond de Andrade)

  • Alguma Poesia

Carlos Drummond de Andrade

Companhia das Letras

R$ 32,00

Os 11 mais vendidos na FLIP 2012

Desta vez não foi um livro o campeão de vendas na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada entre os dias 4 e 8 de julho, mas o DVD “Uma palavra depois da outra: a arte da escrita”, que celebra os dez anos da Flip com material das apresentações de cem autores que passaram por ela desde 2002.  O material é uma iniciativa da Associação Casa Azul, realizadora da Flip, e tem a supervisão artística do fundador e Diretor-Geral da Flip Mauro Munhoz, a curadoria de Flavio Moura responsável pela programação do evento entre 2008 e 2010 e a direção de Gustavo Moura.

Os 10 livros mais vendidos  foram:

1- Sagrada família, Zuenir Ventura (Alfaguara, 232 pp., R$ 36,90)

2- Bonsai, Alejandro Zambra (Cosac Naify, 64 pp., R$ 23)

3– Box Drummond, Carlos Drummond de Andrade (Best Bolso, R$ 39,90)

4- Serena, Ian McEwan (Companhia das Letras, 384 pp., R$ 39)

5- A visita cruel do tempo, Jennifer Egan (Intrínseca, 336 pp., R$ 29,90)

6- O africano, J.M.G Le Clézio (Cosac Portátil, 128 pp., R$ 21,90)

7- Granta 9 – Os melhores jovens escritores brasileiros, Vários (Objetiva, 288 pp., R$ 34,90)

8- O retorno, Dulce Maria Cardoso (Tinta da China, 272 pp., R$ 39)

9- Bombaim – Cidade máxima, Suketu Mehta (Companhia das Letras, 512 pp., R$ 58)

10- Toda Rê Bordosa (Quadrinhos na Cia, 220 pp., R$ 64)

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