Azul sedução

Azul-é-a-cor-mais quente

Sempre foi assim. Primeiro leio o livro e só depois vejo o filme, mas desta vez foi diferente.

Após assistir Azul é a cor mais quente do cineasta tunisiano Abdellatif Kechiche e ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2013, procurei saber de onde viera a inspiração para esta provocante obra cinematográfica.

O diretor baseara-se na novela gráfica escrita por uma garota francesa Julie Maroh, que começou a fazê-la quando tinha 19 anos e a terminou cinco anos depois.

Este seu trabalho foi reconhecido e premiado no Festival International de la Bande Dessinée d’Angoulême, considerado o festival de histórias em quadrinhos mais importante de toda a Europa.

A história narra a paixão de uma adolescente por uma mulher alguns anos mais velha. Como todas as histórias de amor ela fala de descobertas e conflitos – o se conhecer, aceitar os próprios desejos e finalmente o se entregar. A versão literária é mais sombria e menos apelativa, em termos eróticos, que a do filme.  Inclusive a própria autora declarou que considerava as cenas de sexo ridículas e pornográficas e reclamou pelo fato das principais protagonistas serem heterossexuais na vida real.

Acredito que essa discussão é infrutífera. Se o filme oferece com maior entusiasmo a visão de duas mulheres se namorando, por sua vez, o livro mergulha com mais intensidade no emaranhado de angústias e delícias que envolve  assumir «o amor que não ousa dizer o nome». Tanto uma versão quanto a outra retratam uma história de amor de forma justa e sedutora e merecem ser conhecidas e admiradas.

“O amor se inflama, morre, se quebra, nos destroça, se reanima. O amor talvez não seja eterno, mas a nós ele torna eternos… Para além da nossa morte, o amor que nós despertamos continua a seguir o seu caminho.”

  • Azul é a cor mais quente

Julie Maroh

Editora Martins Fontes (selo Martins)

R$ 39,90

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