Uma salada de frutas

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O final do ano presta-se para, entre outros tantos balanços, relembrar os livros que mais marcaram e que, com certeza, encontrarão um lugar especial na estante. Quem sabe, um dia terei a oportunidade de os reler ou talvez emprestar algum a quem saiba respeitar o sistema V & V (vai e volta).

O ano começou muito bem com a leitura do sensível Arroz de Palma de Francisco Azevedo (literatura brasileira);

Depois veio a história verídica e impressionante A vida de um alemão de Bernd Wollschlaeger. Apesar do pai ter sido um oficial nazista, o autor conscientemente se converteu ao judaísmo (biografia);

Gostei muito do inteligente romance Dez mulheres de Marcela Serrano. Foi praticamente impossível não criar uma  identificação com uma ou outra das bem delineadas personagens femininas (literatura estrangeira);

A descoberta, mesmo que tardia, de Sherlock Homes foi incrível. Curti bastante a leitura de O cão dos Baskervilles (clássico);

Na categoria infantil fiquei encantada com Ter um patinho é útil. Impressionante como se podem criar, apenas com duas cores e com os mesmos desenhos, duas histórias diferentes (literatura infantil);

O projeto gráfico de A incrível fuga da Cebola também me fascinou. Inclusive fiquei muito tentada em comprar um segundo exemplar para poder desmontá-lo. É isso mesmo, o livro desmonta, ou melhor: DESCASCA! (literatura infanto-juvenil);

A canção de Aquiles de Madeline Miller foi das leituras mais prazerosas que fiz nos últimos tempos e graças a ele aumentei bastante os meus parcos conhecimentos sobre mitologia grega (literatura estrangeira);

O fazedor de velhos de Rodrigo Lacerda supostamente indicado como leitura juvenil fez-me refletir sobre a difícil escolha da carreira profissional quando se é muito jovem, e ofereceu-me boas sugestões de futuras leituras (literatura juvenil);

Apesar de conhecer o desfecho dos acontecimentos vividos na Alemanha de 1933 desejei muito que os relatos alarmistas do embaixador americano fossem levados a sério – como se sabe, isso não aconteceu. No Jardim das Feras de Erik Larson é uma excelente aula de história que se lê como um romance de suspense (Biografia – História);

Fecho a minha seleção de 2013 com o perturbador Os meus sentimentos de Dulce Maria Cardoso. Nele tudo é incomum, não só a história propriamente dita, mas principalmente a narrativa corrosiva e fragmentada feita pela protagonista nos momentos que antecedem a própria morte. (literatura portuguesa)

A relação dos “mais mais” do ano é uma autêntica salada de frutas onde as minhas preferências se misturam sem muita lógica. Com paladares diferentes cada livro estimulou minha imaginação e me incentivou a fazer novas descobertas num processo que não tem fim. E é com uma pilha de “novos frutos” que aguardo a chegada do Ano Novo.

A todos os que leem Fagulha de Ideias desejo um 2014 repleto de saborosas leituras!

A incrível fuga da cebola

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Preocupa-me a extinção dos cadernos literários nos maiores jornais do país, e o fechamento das pequenas livrarias que ainda ofereciam um atendimento personalizado aos clientes.

Se não fosse por uma resenha, que li num jornal, não teria conhecido “A Incrível fuga da cebola”. Segundo ela trata-se de um livro que propõe questões filosóficas às crianças.

Fiquei curiosa com essa “salada” – uma cebola fugitiva temperada com pitadas de filosofia?

Assim que surgiu uma oportunidade rumei para a livraria. O livro não estava exposto, na verdade estava bem escondido e a vendedora demorou a encontrar um exemplar. Mas valeu cada minuto de espera. “A incrível fuga da cebola” é simplesmente genial!

O livro foi adotado, em algumas escolas, para ser trabalhado em sala de aula com crianças a partir de 6 anos, mas na minha opinião ele atende às mais variadas faixas etárias, inclusive a minha. Basta apenas gostar de um livro criativo e original.

A incrível fuga da cebola” é um daqueles livros que JAMAIS poderá ser lido num e-book. Tudo bem que ele conta uma história. A da cebola que queria fugir ao destino terrível e inevitável de todas as cebolas – ser picada e fritada – mas ele é muito mais que isso! Pode-se e deve-se escrever nele, e principalmente precisa-se folheá-lo – ou melhor, descascá-lo! Ele é um objeto, um brinquedo, diversão da boa!

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A cada página virada o leitor ajuda a cebola a realizar seu sonho e, por sua vez, ela nos bombardeia com perguntas e mais perguntas:

O que mudaria mais a sua vida: ter uma aparência diferente ou ter lembranças diferentes”?

Não fazer NADA quando alguém precisa de ajuda torna você tão MAU quanto fazer o MAL?

Definitivamente, um livro diferente daqueles que se leem por aí – inteligente, único, muito especial!

  • A incrível fuga da cebola

Sara Fanelli

Editora Ática

R$ 49,90

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