A 25ª Hora

A 25ª horaA minha família e eu já morávamos no Brasil há dois longos anos quando meus pais perceberam que eu estava ficando doente com saudades de Portugal. Deixaram-me então passar algumas semanas com minha avó, que continuava vivendo no Estoril.

A estada não correu tão bem quanto eu imaginara, já que a temporada de férias escolares no Brasil não coincidia com a de Portugal e minhas amigas estudavam em horário integral. O clima também não convidava a passear, pois era pleno inverno, frio e chuvoso.

Sem ter quem ver ou o que visitar, restava-me a distração da leitura. Ao remexer na estante de minha avó comecei a folhear o livro A 25ª Hora, escrito por um romeno de nome esquisito, Virgil Gheorghiu.

As primeiras páginas me pegaram de tal jeito que esqueci o motivo da minha viagem. Tudo o que queria era mergulhar na história e terminá-la antes de voltar para casa.

Durante muito tempo tentei encontrá-lo no Brasil, mas parecia que nenhuma editora se interessara em publicá-lo.

Depois, quando trabalhei em livrarias e perguntava aos clientes mais idosos se o tinham lido, pouquíssimos o conheciam.

Até que, no final do ano passado, deparei com A 25ª Hora exposto na prateleira dos lançamentos. Quase me belisquei para confirmar que não estava sonhando e que o poderia ler ou indicar a amigos sempre que desejasse.

O curioso é que muitos meses se passaram antes de o comprar.  Vai lá saber o porquê da minha reação. Talvez temesse me decepcionar com uma leitura feita há tanto tempo.

Para falar a verdade, foi assim que me senti no início, principalmente porque não me lembrava de absolutamente NADA! Era como se estivesse lendo o livro pela primeira vez. E essa ignorância foi até o final, apesar de intuir o desfecho de um dos personagens.

O autor escreveu A 25ª Hora quando esteve detido em um campo de prisioneiros, vigiado pelo exército americano. Seu crime? Ter nascido na Romênia. O país fora invadido pela URSS no final da 2ª Guerra Mundial e, portanto, todos os seus cidadãos passaram a ser considerados inimigos dos países Aliados.

O livro denúncia a nova realidade mundial, na qual: Os homens não poderão mais viver em sociedade conservando suas características humanas. Serão considerados iguais, idênticos, e tratados segundo as mesmas leis aplicáveis aos escravos técnicos (máquinas), sem concessão possível à sua natureza humana. Haverá prisões automáticas, condenações automáticas, esquecimentos automáticos, execuções automáticas. O Indivíduo não terá mais direito à Existência, será tratado como uma válvula ou peça de máquina, e caso pretenda viver uma existência individual, será ridicularizado por todo o mundo. Vocês já viram uma válvula viver uma existência individual? Essa revolução se estenderá por toda a superfície do globo.

De início tive a impressão de estar lendo algo datado. O mundo mudara bastante desde a Queda do Muro de Berlim. As ditaduras ideológicas remanescentes estavam caducas e desacreditadas.

No entanto, à medida que embrenhava na leitura, percebi que o autor profetizara uma realidade à qual todos nós involuntariamente e submissamente nos sujeitamos.

Se não vejamos: O que acontece quando, por motivo de doença, precisa-se usar o plano de saúde e esse direito é negado porque uma combinação de logaritmos diz que não estamos habilitados a receber tal benefício? Ou quando após pagar por anos a fio, sem receber qualquer notificação dando ciência de que existe um problema, uma aposentadoria é recusada porque há conflito entre o nome digitado no sistema e o nome que consta no documento apresentado?

Com quem conversamos? Com uma pessoa que procura ajudar, ou com uma gravação que pede que apertemos a tecla um ou dois?

Fico horrorizada com as notícias que leio nos jornais. Ora é o desrespeito à dignidade humana, quando se autoriza um maquinista a passar com o trem sobre o corpo de um morto, para não atrasar as demais composições; ora são os campos de refugiados africanos em Callais na França, que se formam sem qualquer assistência e apoio governamental.

Se por um lado, atualmente é inadmissível que um país invada outro militarmente, por outro, aceita-se que organizações financeiras internacionais dominem uma nação pela via econômica, sem qualquer reflexão de que em ambos os casos as consequências são devastadoras.

Infelizmente, contrariando as minhas primeiras impressões, o livro de Virgil Gheorghiu continua tão atual quanto antes. Sem perceber ou sem poder reagir, a humanidade substitui um opressor por outro.

A 25ª Hora é aquela em que se perdeu o amor e o respeito pelo Homem. É a hora atual. Exatamente agora.

 

  • A 25ª Hora

Virgil Gheorghiu

Editora Intrínseca

R$ 39,90

E-Book R$ 24,90

A lista de desejos – parte 1

QueriaVerVoceFeliz (243x349)O meu aniversário se aproxima, o Natal chega logo depois, e a lista dos livros que gostaria de ganhar de presente está pronta!

Como ainda estamos no início de novembro, com certeza, ela será acrescida de muitos outros “Quero ler!”

Até o presente momento são estes os meus desejos:

Queria ver você feliz – Adriana Falcão – Intrínseca       (escritora brasileira)

No livro, a autora fala do relacionamento amoroso e tumultuado de seus pais. Conhecendo os trabalhos ficcionais de Adriana tenho certeza que o tema será tratado de maneira delicada e inteligente.

A 25ª hora

 

A 25ª hora – Virgil Gheorghiu – Intrínseca       (escritor romeno)

Faz muito tempo que li este livro. Apesar de não recordar bem da história, lembro que na época sua leitura me marcou bastante. Chegou a hora de conferir se o impacto continua o mesmo.

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Meio Sol amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie – Companhia das Letras       (escritora nigeriana)

No momento leio um livro desta jovem autora e estou gostando muito! Pretendo conhecer toda a sua obra.

 

 

A casa do califa: um ano em Casablanca – Tahir Shah – Roça Nova Editora       (escritor inglês de origem afegã)

Estive com o livro nas mãos há uns quatro anos. Recentemente li uma matéria da jornalista Cora Ronái recomendando-o vivamente. As suas indicações costumam ser ótimas, vou conferir.

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O que eu sei de verdade – Oprah Winfrey – Sextante       (escritora norte-americana)

Sou tão fã de Oprah que fiz uma assinatura de sua revista. Essa mulher transmite otimismo, perseverança, e suas crônicas são inspiradoras.

 

A casa redonda – Louise Erdrich – Alfaguara       (escritora norte-americana)

Este já chega como vencedor do prestigiado prêmio literário norte-americano National Book Awards de 2013 na categoria ficção. Pelas resenhas que li trata-se de um livro “que fala de sentimentos poderosos e lança nova luz sobre a maneira como a maturidade pode alterar a relação entre pais e filhos” tem tudo para me agradar.

A casa redonda

 

Semana que vem tem mais!

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