A Caderneta Vermelha

A Caderneta Vermelha se enquadra na categoria de livros gostosos de ler. O fato da história se passar em Paris já conta pontos a favor. Depois, quando se tem como personagem principal o dono de uma charmosa livraria de bairro, é quase impossível errar.

Um dia, durante seu passeio matinal, Laurent é atraído por um objeto de cor lilás jogado displicentemente sobre um latão de lixo.  Ao se aproximar vê uma bolsa de couro em perfeito estado de conservação. O livreiro constata que a bolsa não está vazia. Dentro dela estão diversos objetos de uso pessoal. Supondo que a bolsa foi furtada, ele vai até a delegacia mais próxima. Entretanto, como o policial de plantão não pode atendê-lo imediatamente, ele a leva para sua casa.

Ao tentar descobrir, por conta própria, alguma informação sobre a dona da bolsa, Laurent investiga o seu conteúdo. Inicialmente constrangido, como se cometesse um ato ilícito, aos poucos ele se deixa envolver pelo universo muito particular de uma desconhecida. De dentro da bolsa ele retira os mais diversos objetos pessoais: um frasco de perfume, um saquinho com balas de alcaçuz, um livro do premiado escritor Patrick Modiano com uma dedicatória enigmática: “Para Laure, lembrança do nosso encontro sobre a chuva”, e uma caderneta Moleskine vermelha, na qual a proprietária da bolsa escreveu aleatoriamente diversos pensamentos.

Dividindo-se entre os afazeres da livraria, os ciúmes da namorada e os encontros com a filha adolescente, Laurent inicia uma busca por essa mulher misteriosa. Ele tem a impressão de conhecê-la mais intimamente do que às outras mulheres com quem conviveu até então.

A leitura de A Caderneta Vermelhade Antoine Laurain, é extremamente agradável, perfeita para quem aprecia uma história de amor cativante e inteligente.

 

  • A caderneta vermelha

Antoine Laurain

Editora Alfaguara

R$ 34,90

Na Minha Pele

Por ser emprestado, o livro de Lázaro Ramos furou a fila dos que aguardam há meses para serem lidos.

Logo nas primeiras páginas percebi a importância de Na Minha Pele e me peguei pensando que ele deveria ser leitura obrigatória – ó palavra antipática! – para os alunos do Ensino Médio.

Do mesmo jeito que um pai amoroso não consegue admitir que sua filha venha a ganhar um salário inferior ao de um colega homem apenas pelo fato de ser mulher, ou que um troglodita abuse dela fisicamente simplesmente porque ela bebeu demais numa festa, está na hora de questionarmos seriamente por que é que as oportunidades de educação escolar, profissional e ascensão social são abissalmente desiguais para possuidores de fenótipos biológicos diferentes.

Por que estranhamos quando vemos um negro sendo o cliente e não o garçom de um restaurante chique? Por que todos os meus médicos são brancos? Qual o sentido de tudo isso e como é possível continuar vivendo com antolhos sociais?

Se esse debate não faz parte de muitas famílias brasileiras, está na hora das escolas levarem para a sala de aula o livro de Lázaro Ramos. E quem sabe, num futuro do qual tomara eu faça parte, a pergunta “É bom ser negro no Brasil?”, se tornará totalmente irrelevante. Por hora, eu sei qual é a resposta.

 

  • Na Minha Pele

Lázaro Ramos

Editora Objetiva

R$ 34,90

E-Book R$ 23,90

A Rainha Santa

Aproveitei a vinda de um amigo de Portugal e encomendei-lhe A Rainha Santa, da escritora Isabel Machado. Interessei-me por esse livro quando li a resenha no blog O Tempo Entre Meus Livros.

Vivendo há tanto tempo no Brasil, esqueci quase tudo o que aprendi sobre os reis portugueses. Uma exceção foi D. Dinis, o sexto rei de Portugal, sobre quem guardei algumas lembranças.

Recordo que simpatizava com ele por ser apreciador da música e da poesia, e ter inclusive composto diversas cantigas de trovador. Um rei que mandou plantar um pinhal para barrar a força dos ventos salgados que sopravam do oceano e destruíam as lavouras. Por ser o responsável pela fundação da primeira universidade em Portugal. E por ter se casado com Isabel de Aragão, a Rainha Santa, personagem central de uma das minhas lendas favoritas: O Milagre das Rosas.

Quanto às conquistas políticas de D. Dinis e suas brigas, primeiro com o irmão e depois com o filho herdeiro do trono, não me lembrava de nada. Batalha disto, batalha daquilo, era apenas uma sequência de eventos que não significavam nada para mim.

Talvez, se a professora de História tivesse contado os motivos que as provocaram… Mas como falar de filhos ilegítimos, se ela dava aulas em uma escola só de meninas, dirigida por uma congregação de freiras onde se aprendia sobre a indissolubilidade e a fidelidade matrimonial?

D.Dinis e o irmão eram filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Entretanto D. Dinis nasceu dois anos antes de o casamento dos pais ser validado pelo Papa. Por essa razão, o irmão que nasceu depois se considerava o verdadeiro herdeiro do trono.

Naquela época os casamentos eram tratados como negócios de Estado. As princesas eram prometidas, e entregues ainda crianças para serem criadas em outros reinos, como garantia de acordos de cooperação ou de paz. Não foi diferente com Dª Isabel que chegou à corte de Portugal com apenas 12 anos.

É bem possível que D. Dinis tenha amado a mulher, mas também a fez sofrer com o seu comportamento infiel.  Se foi por temperamento ou por não puder recusar uma ordem real, a rainha educou os outros filhos do marido junto com os seus: Constança e Afonso.

Afonso, o futuro rei de Portugal, entretanto, nunca viu essa convivência forçada com bons olhos. Desde o início, incomodava-lhe o favoritismo que o pai tinha por um de seus irmãos ilegítimos. Temeroso que este no futuro tentasse lhe usurpar o trono entrou em guerra contra o pai.

O romance histórico de Isabel Machado preencheu várias lacunas e me instigou a estudar mais sobre aquele período.

Infelizmente fiquei decepcionada ao descobrir que a lenda que tanto me encantara na infância, e que sempre associara exclusivamente a Santa Isabel rainha de Portugal, acontecera primeiro com a sua tia, Isabel princesa da Hungria, e com mais outras duas santas, Zita e Cacilda, sobre as quais nunca tinha ouvido falar.

Nada, no entanto, que empanasse o prazer que tive com a leitura de A Rainha Santa. Na verdade, fiquei curiosa em ler o romance anterior da escritora: Constança – a princesa traída por Pedro e Inês de Castro.  Já tenho uma nova encomenda para fazer ao meu amigo.

 

  • A Rainha Santa – romance histórico

Isabel Machado

A Esfera dos Livros

21,60 Euros

Coração de inverno, coração de verão

Assim que deslizei a ponta dos dedos pelas pequeninas saliências – semelhantes a flocos de neve – que cobriam a capa do livro, intui estar diante de uma história sensível e delicada.

Escrito pela carioca Leticia SardenbergCoração de inverno, coração de verão”, aborda um tema complicado: o luto infantil. Principalmente quando se trata da perda dos pais. Não sabemos como e onde isso aconteceu, mas o mundo dessa criança congelou numa saudade que não tem mais fim.

A autora compara o luto a um rigoroso e interminável inverno que o menino atravessa sozinho e desesperançado. Conselhos, cuidados e distrações o ajudaram um pouco, mas só por alguns momentos.

Entretanto, da mesma maneira que é impossível impedir uma estação do ano de suceder à anterior, algo parecido também acontece com essa criança.

Sem querer, ele encontra uma jovem com um coração luminoso e acolhedor que compreende e respeita a sua tristeza. E pouco a pouco, o que antes era inverno passa a ser verão, e o menino que antes sofria sozinho agora compartilha alegrias.

As ilustrações de “Coração de inverno, coração de verão” são do premiado ilustrador paulista Alexandre Rampazo, e retratam com muita sensibilidade sentimentos que merecem e precisam ser expressos.

 

  • Coração de inverno, coração de verão

Leticia Sardenberg (texto)

Alexandre Rampazo (ilustrador)

Editora Zit

Público-alvo: a a partir de 8 anos

R$34,90

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