Encontro no escuro

após-o-anoitecerLer o livro de um escritor que não se conhece é como marcar um encontro com um desconhecido. Pode dar tudo certo e ser apaixonante, pode-se querer uma segunda chance para conhecê-lo um pouquinho melhor, ou também pode ser completamente decepcionante.

Falaram maravilhas de Haruki Murakami – que ele era isto e aquilo, mas na minha frente sempre apareciam outras prioridades. Até que um dia, depois de muita insistência de uma amiga comecei a ler “Após o anoitecer”.

A leitura fluía de forma agradável, nada muito profundo ou complicado. Até que surgiu o primeiro “ruído” na nossa conversa. Quem era o homem embalado em plástico que aparecia na tela da televisão? De onde veio e para onde foi quando sumiu de vez? Afinal de contas, o que era mesmo que estava lendo??

No mundo real, outros personagens tiveram suas histórias lançadas ao ar como se fossem papel picado e fiquei sem saber onde caíram e que fim levaram, tudo muito asséptico e descartável.

Após o anoitecer” não me provocou nenhuma inquietação ou questionamento, nenhuma lembrança significativa e agradável.

Tratava-se, apenas, de mais um livro  a ser “esquecido” na sala de espera de um consultório médico ou no saguão de um aeroporto.

Com certeza não marcarei um novo encontro com esse escritor.

Após o anoitecer

Haruki Murakami

Editora Alfaguara

R$ 39,90

Índia, ainda ela

Foi quando me encontrava na metade de Em busca de um final feliz que lembrei de outros títulos, lidos há tempos, que retratam a Índia e foram escritos por autores indianos.

Não sei se foi Salmon Rushdie, com seus Versos Satânicos, o responsável por abrir as portas das livrarias ocidentais aos seus conterrâneos, mas desde então não pararam de chegar boas histórias às nossas estantes.

Nos últimos anos li três excelentes livros:

Um-delicado-equilíbrio

Um delicado equilíbrio de Rohinton Mistry que infelizmente está esgotado. Recordo que as mais de setecentas páginas não me assustaram e tão embrenhada estava na vida dos personagens que chorei quando terminei de o ler. Segundo o jornalista Zeca Camargo* foi um dos livros mais tristes que leu até então, mas cuja leitura recomendava vivamente assim como eu também.

Sua resposta vale um bilhão de Vikas Swarup foi editado em 2006 pela Companhia das Letras. O livro teve uma adaptação para o cinema em 2009 e ganhou 8 estatuetas do Oscar – inclusive a de melhor filme. Se por acaso não leu ou não viu o filme, não deixe de o  fazer. Sugiro, no entanto, que comece pelo livro. A história é empolgante, mas, como sempre, existem alterações na narrativa quando esta  é adaptada para o cinema.

Sua-resposta-vale-um-milhão

O Tigre Branco de Aravind Adiga, editado pela Nova Fronteira, recebeu em 2008 o Man Booker Prize na categoria romance. Através de uma carta endereçada a um ministro chinês, que em breve visitará seu país, o personagem conta como – para ascender na vida – precisou matar o próprio patrão. Cruel, inteligente, sarcástico e, acredite se quiser, divertido, trata-se de outra leitura imperdível.

O-tigre-branco

Mas a lista não termina por aqui. Seguindo a linha jornalística de Em busca de um final feliz, pacientemente, aguarda na estante por minha atenção,  Bombaim, cidade máxima de Suketu Mehta.

Bombaim-cidade-maxima

Foi por indicação de Cora Ronái que dei, há uns dois anos atrás, esse livro de presente para meu marido. Pois bem, agradei em cheio! Segundo a opinião dele foi um dos melhores livros que leu em muito tempo.

 

 

 

 

 

 

* jornalista brasileiro e apresentador do programa Fantástico da rede Globo de televisão.

A puxada de tapete

Mas… o que pode haver numa livraria que seja… insalubre?!

 O ultimo livroNão sei o que esperava encontrar quando escolhi ler O último livro. Confesso que desde o início simpatizei com o título e talvez estivesse seduzida com os comentários elogiosos na orelha do livro. Também, nunca tinha ouvido falar desse autor – afinal tratava-se de um escritor sérvio e, por fim, fiquei curiosa em descobrir o que a editora Octavo, que também não conhecia, estaria oferecendo, de diferente, para sobressair no meio dos lançamentos das concorrentes poderosas e há mais tempo no mercado.

A história parecia promissora. Supus que se tratava de um romance policial leve, sem muitos tiros e assassinatos sangrentos, mas com alguns cadáveres.

Mortes inexplicáveis aconteceram numa pequena livraria de bairro. Com a ajuda da proprietária, o policial responsável por solucionar o caso percebe que elas têm algo em comum. Todas as pessoas, aparentemente sem problemas de saúde, faleceram enquanto liam um livro específico. Mas que livro seria esse?

A leitura, graças à boa tradução, fluía bem, até que algo aconteceu na trama e como um puxão brusco de tapete, fez-me perguntar o que, afinal de contas, estava lendo.

Corri para a internet para conhecer melhor o autor.  Zoran Zivkovic, havia-se formado pela universidade de Belgrado na antiga Iugoslávia e defendera teses de mestrado e doutorado falando sobre Ficção Científica!!  Mais tarde tornou-se famoso por apresentar um programa na televisão e escrever uma Enciclopédia ilustrada sobre o mesmo tema. Em 2003 seu livro A Biblioteca  recebeu o prestigiado prêmio World Fantasy Award.

O meu estranhamento estava explicado. Não estava lendo um escritor policial, mas um autor especializado em literatura fantástica!

Talvez se soubesse, desde o início, do que se tratava, não teria interesse em ler o livro – diferente de meu filho não sou fã do gênero, mas como já tinha sido fisgada pela história, continuei.

Posso dizer,com toda a certeza, que não me arrependi. O final foi surpreendente.

Ao reler os comentários concordei com o que fora publicado no jornal genovês (Il Secolo XIX), sobre O último livro: “(…) Uma eficaz metáfora sobre o poder mágico da literatura, do triângulo indissolúvel entre escritor, os seus personagens e o leitor”. Era isso mesmo.

O último livro

Zoran Zivkovic

Editora Octavo

R$ 46,00

Por onde começo?

Conhecemo-nos na época em que trabalhamos na mesma empresa. As áreas e funções eram distintas, mas a proximidade das salas facilitou a construção dos laços de amizade.

Reuníamo-nos, as seis, na hora do almoço e compartilhávamos o que cada uma havia trazido de casa. Momentos relaxados, divertidos que recordo com muito carinho.

No entanto, pouco a pouco, cada uma buscou novos desafios profissionais e nos espalhamos.

Não foi fácil manter o contato, mas graças ao empenho de todas, e apesar do grupo ter se desfeito há quase três anos, continuamos a nos reunir algumas vezes por ano. Normalmente para comemorar os aniversários umas das outras, quando nos cotizamos para dar um bom e único presente, previamente escolhido pela aniversariante.

Na próxima semana teremos novo encontro e será a minha vez de ganhar presentes.

A separaçãoO que quero ganhar? Ora, livros! Livros que não pude comprar e que não sei se terei tempo de ler. Qualquer um dos que anotei cuidadosamente, durante todo o ano, no caderninho que guardo na bolsa.

Fora das sombras – Jason Wallace – editora Bertrand Brasil

Sôbolos rios que vão – Antonio Lobo Antunes – editora Alfaguara Brasil

A vida de um alemão – Bernd Wollschlaeger – editora Imago

A décima nona esposa – David Ebershoff – editora Benvirá

Retrato da mãe quando jovem – Friedrich Christian Delius – editora Tordesilhas

Menino de lugar nenhum – David Mitchell –  editora Companhia das Letras

O ultimo livro – Zoran Zivkovic – editora Octavo

O casarão da rua do rosário – Menalton Braff – editora Bertrand Brasil

O bruxo – Maria Adelaide Amaral – editora Globo

Traduzindo Hannah Ronaldo Wrobel – editora Record

Um casamento feliz – Rafael Yglesias – editora Record

Uma mulher – Péter Esterházy – editora Cosac Naify

Dentes de leite – Ignacio Martinez de Pisoneditora Record

Damas da noite – Jetta Carleton – editora Bertrand Brasil

A confissão da leoa – Mia Couto – Companhia das Letras

E todos mais que estão sendo colocados, neste momento, nas livrarias deste país.

Socorro! Por onde começo?

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