Almas gêmeas

A professora do curso de Escrita Criativa recomendou a leitura de O zen e a arte da escrita, do escritor norte-americano Ray Bradbury.

Já tinha ouvido falar no autor porque vi o filme Fahrenheit 451, uma adaptação de um livro seu para o cinema, mas nunca tinha lido nada dele. Achava que Bradbury escrevia apenas ficção científica, um gênero literário que nunca me interessou. Mas com a leitura de “zen” descobri que também escrevera histórias de suspense.

Antes de todas as escolas fecharem por causa da pandemia, eu fazia um trabalho voluntário de leitura para alunos do 5º ano. O que eles mais me pediam eram histórias que dessem medo. Procurei saber se algum livro de Bradbury havia sido publicado no Brasil e assim cheguei até A árvore do Halloween.

A história se passa, como é óbvio, no dia das bruxas quando um grupo formado por oito amigos inicia uma busca para encontrar um outro amigo que desapareceu. Quando entram numa casa mal-assombrada, conhecem o sr. Montarlha (corruptela de mortalha). Ele se propõe a ajudá-los e, envolto em um redemoinho, conjura “uma pipa de destruição, (feita) de animais tão medonhos e ferozes que seus ruídos inundavam o vento e desfiguravam o coração.

O problema é que a pipa precisava de uma rabiola que a fizesse voar bem alto e com equilíbrio. Então, uma das crianças se agarrou na estrutura da pipa, uma outra se segurou no braço esticado, uma terceira se prendeu no pé da segunda criança, e assim sucessivamente, até todas elas formarem uma corrente humana voadora.

Não me pergunte como isso aconteceu, mas quando dei por mim estava assistindo a um vídeo, com mais de seiscentas mil visualizações, para aprender a fazer uma rabiola de 10 metros. O instrutor, com aquele sotaque característico do interior de SP que enrola o R, ensinava a cortar vários sacos plásticos em tirinhas finas, para depois amarrá-las na cauda.

Fiquei boba com a minha falta de foco. Mas o melhor ainda estava por vir quando li alguns comentários:

Eu não acredito que estou aqui no Youtube vendo um tutorial de como fazer rabiola, nem pipa eu sei soltar mano, kkkk.

O que a quarentena não faz com as pessoas, ein, kkkk

Não é que encontrei as minhas “almas gêmeas” de quarentena?

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Celina
    set 02, 2020 @ 06:29:21

    A falta de foco da Fagulha nos permite visitar lugares imprevisíveis. A gente começa a ler e nunca sabe onde as ligações das ligações vão nos levar: livro, audiobook, cinema, série de Tv, teatro e até situações do cotidiano!

    Responder

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