Tudo que é belo

Posso estar enganada, mas não me lembro de ter ouvido comentários ou lido resenhas sobre Tudo que é belo – quarenta cinco histórias reais, quando o livro chegou às livrarias.Talvez a capa escura tenha se perdido no meio dos outros lançamentos. No entanto, Tudo que é belo merece uma atenção especial. Não porque possui um estilo literário interessante ou uma ideia arrebatadora, mas por apresentar histórias sensíveis e verdadeiras.

Tudo começou  nas noites quentes do verão de 1997, quando o escritor norte-americano, George Dawes Green, se reunia com amigos e familiares na varanda da sua casa. As conversas rolavam soltas e, com o decorrer das horas, tornavam-se mais pessoais e os participantes contavam episódios marcantes de suas vidas.

O calor humano que fluía nesses encontros tornou-os muito concorridos. Algo que começou de modo informal deu origem ao Projeto Mariposa* e, por fim, chegou aos palcos. O nome foi uma homenagem às “borboletinhas” noturnas que eram atraídas pela luz das lâmpadas acessas na varanda.

A contação de histórias não procura transmitir nenhum ensinamento, nem retratar atos heroicos. As experiências apenas precisam ser verdadeiras e não ultrapassar cinco minutos. 

Os contadores não falam de fadas, nem de gigantes, mas do que aconteceu com o filho que sofreu um grave acidente; daquele simpático vizinho que não era quem dizia ser; do adolescente que procurou se adaptar à vida normal de um garoto da sua idade, após ter sido um soldado-menino; do músico que alcançou vertiginosamente o sucesso mundial para em seguida cair no ostracismo; do voluntário na África que precisou escolher quem podia salvar ou deixar para trás…, e tantos outros relatos que foram compilados no livro.

As histórias reunidas em Tudo que é belo resgatam o prazer da conversa olho no olho, e nos convidam, também, a prestar atenção em quem está próximo de nós.  

*Moth Project no original

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