Enquanto um olho ri o outro chora

Ainda tenho caixas para abrir, roupas de cama para guardar e livros para arrumar nas estantes, mas faz quase um mês que não escrevo nada no blog e isso me incomoda.

A razão de tamanho descuido é que ando às voltas com mais uma mudança de apartamento. Não uma mudança tranquila de um bairro para o outro, mas uma mudança de cidade, para outro estado.

Depois de dezesseis anos morando em Salvador retornei ao Rio de Janeiro. Sempre soube que isso aconteceria um dia, mas em algum momento, que não sei bem precisar, deixei de sonhar com essa volta e abracei tudo o que Salvador generosamente me oferecia. Por isso, quando chegou a hora de embalar móveis, pratos e livros, senti-me confusa e dividida.

Antes de partir, antecipei diversos almoços de final de ano. Curioso é que sempre fiz piada desses encontros. No decorrer do ano procurava me reunir com os amigos para por a conversa em dia e dar boas risadas, mas à ultima hora alguém desmarcava. Finalmente, todos esses almoços se realizavam num único mês, como se o mundo fosse acabar e nunca mais fossemos nos rever. Agora, mesmo sabendo que estou apenas a duas horas de distância de avião, a possibilidade de não ver mais quem eu gosto e me faz bem, não parece tão absurda.

Apesar de não ter medo de recomeços – afinal, no âmago de toda mudança existe a semente de infinitas possibilidades – e me sentir feliz por estar de novo perto de parentes e amigos queridos, um dos meus olhos brilha de contentamento enquanto o outro chora de saudades.

(Imagens retiradas da internet: Salvador- Zarpo Magazine / Rio de Janeiro SB viagem)

12 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Cecilia de Oliveira
    nov 28, 2017 @ 14:49:21

    Amei seu texto…
    Toda a minha vida vivi fazendo mudanças!
    Talvez esteja muito perto a próxima.
    (Me identifiquei…)
    Não lhe conheço pessoalmente ainda.
    Tenho muito carinho pela sua irmã Luisa Piano.
    Bjs da Cecília de Oliveira

    Responder

    • fagulhadeideias
      nov 28, 2017 @ 15:13:43

      Olá Cecília,
      Se tem carinho pela minha irmã, tenho certeza que quando nos conhecermos vamos gostar muito uma da outra.
      Beijo

      Responder

  2. Fernanda Godinho
    nov 28, 2017 @ 21:39:35

    Paula querida,
    Estou contente com a sua volta!
    Vamos tomar um café quando as coisas se ajeitarem.
    A Argumento estará nos aguardando. KKKK
    Bj muito carinhoso e bem- vinda ao Rio mesmos com suas dores e delícias!!
    Até breve

    Responder

  3. Celina
    nov 29, 2017 @ 05:34:49

    Seja bem vinda de volta ao Rio ! Curiosa pra ver a Fagulha com ares cariocas . Quantos anos a autora viveu no Rio antes dos dezesseis em Salvador ?

    Responder

    • fagulhadeideias
      nov 29, 2017 @ 09:56:50

      Cê, se eu disser mais de dezesseis respondo à sua pergunta? Não quero entrar em muitos detalhes para não denunciar a idade.(risos)

      Responder

  4. Luis Guilherme Pontes Tavares
    nov 29, 2017 @ 12:37:24

    Caros Paulo e Renato, nos mantenham informados e sejam sempre bem vindos.

    Responder

  5. Lília
    nov 30, 2017 @ 07:51:15

    Que lindo Dona Paula!
    A Bahia estará sempre de braços abertos para vocês!
    As distâncias estão diminuindo e os laços do coração são generosamente elásticos. Que este novo recomeço seja de muita felicidade!
    Saudades…..

    Responder

    • fagulhadeideias
      nov 30, 2017 @ 12:28:13

      E eu por aqui aguardo a visita de Dr. Haley e minhas amigas Dona Lília, Dona Luisa e Dona Marina 🙂 🙂 🙂 Tenho muito para lhes mostrar! Beijos

      Responder

  6. Jacqueline
    dez 01, 2017 @ 11:19:21

    Querida Paula,
    Lindo texto!! entendo perfeitamente pelo que estás passando. Afinal, não é nossa primeira grande mudança e talvez, quem sabe, ainda tenhamos outras…
    Não sei você, mas nunca esteve nos meus planos mudar de cidade, quanto mais de país!!
    Mas cá estamos, aprendendo e nos enriquecendo com cada novo lugar, cultura, gastronomia e principalmente com tantas novas pessoas!!!
    Aí tem a distância da familia mas, parece que foi há seculos que nos correspondiamos por carta, depois telefone, até chegarmos à tecnologia que hoje permite que eu jante junto com as minhas filhas sentadas à minha frente na tela de um celular!
    O mundo hoje está a nosso alcance e espero que ele faça com que agora nos reencontremos mais seguido! Beijos e bom recomeço!
    Jackie

    Responder

    • fagulhadeideias
      dez 01, 2017 @ 13:01:30

      Querida Jacqui, que comentário mais bonito! Obrigada por suas palavras super carinhosas. Realmente em cada mudança aprendemos algo que levamos conosco para sempre. Mas o mais importante são as Amizades que construímos pelo caminho, como a que fizemos quando estudamos juntas no Teresiano. Beijos

      Responder

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