Enquanto um olho ri o outro chora

Ainda tenho caixas para abrir, roupas de cama para guardar e livros para arrumar nas estantes, mas faz quase um mês que não escrevo nada no blog e isso me incomoda.

A razão de tamanho descuido é que ando às voltas com mais uma mudança de apartamento. Não uma mudança tranquila de um bairro para o outro, mas uma mudança de cidade, para outro estado.

Depois de dezesseis anos morando em Salvador retornei ao Rio de Janeiro. Sempre soube que isso aconteceria um dia, mas em algum momento, que não sei bem precisar, deixei de sonhar com essa volta e abracei tudo o que Salvador generosamente me oferecia. Por isso, quando chegou a hora de embalar móveis, pratos e livros, senti-me confusa e dividida.

Antes de partir, antecipei diversos almoços de final de ano. Curioso é que sempre fiz piada desses encontros. No decorrer do ano procurava me reunir com os amigos para por a conversa em dia e dar boas risadas, mas à ultima hora alguém desmarcava. Finalmente, todos esses almoços se realizavam num único mês, como se o mundo fosse acabar e nunca mais fossemos nos rever. Agora, mesmo sabendo que estou apenas a duas horas de distância de avião, a possibilidade de não ver mais quem eu gosto e me faz bem, não parece tão absurda.

Apesar de não ter medo de recomeços – afinal, no âmago de toda mudança existe a semente de infinitas possibilidades – e me sentir feliz por estar de novo perto de parentes e amigos queridos, um dos meus olhos brilha de contentamento enquanto o outro chora de saudades.

(Imagens retiradas da internet: Salvador- Zarpo Magazine / Rio de Janeiro SB viagem)

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