Cinco Esquinas

 

cinco-esquinasFazia algum tempo que não lia nada do escritor peruano Mario Vargas Llosa. Por essa razão mergulhei de cabeça em Cinco Esquinas.

A força erótica do primeiro capítulo me pegou de surpresa. Uau, o que mais estava por vir?

Numa leitura eletrizante, veio chantagem, difamação, corrupção, violência, mais sexo e um assassinato. Tudo muito bem embrulhado nas páginas de uma revista de imprensa marrom.

A história pode ser ficcional ou uma mistura de várias, mas retrata a atmosfera sufocante vivida durante o governo autoritário do presidente peruano Fujimori.

Sob a supervisão de seu braço direito, o general Vladimiro Montesinos, reputações foram destruídas, prisões e torturas foram efetuadas, e dissidentes eliminados.

Em entrevista à Revista Época – Negócios, Vargas Llosa confirmou que Cinco Esquinas complementou de forma romanceada o ensaio “A Civilização do Espetáculo”, publicado anteriormente.

Neste livro ele faz uma dura crítica à sociedade globalizada e intelectualmente preguiçosa, que se preocupa apenas em consumir sem qualquer critério ou reflexão. Nunca se soube de tanto e de tão pouco ao mesmo tempo.

Como escritor, Vargas Llosa defende a liberdade de imprensa, o debate esclarecido e honesto de idéias, e tem ojeriza a qualquer tipo de censura.

Muito o incomodou ver proliferar em seu País periódicos manipulando e escamoteando notícias para servir os interesses políticos e pessoais do governante.  Sua resposta a essa prática desprezível está em Cinco Esquinas.

Mais triste é constatar que tal atitude se espraia como erva daninha por todos os continentes, e quão poucas pessoas têm interesse em confirmar se o que está sendo publicado corresponde à verdade.

Vivemos a era da Pós-Verdade – eleita a palavra do ano (mais um modismo) – aquela que espalha inverdades e faz de um farsante um presidente da república.

  • Cinco Esquinas

Mario Vargas Llosa

Editora Companhia das Letras / selo Alfaguara

R$ 49,90

 

 

 

 

 

A Primeira Vez

Primeira VezAssim que terminei de ler “Sete minutos depois da meia-noite”, procurei por outros livros de Patrick Ness que tivessem sido publicados no Brasil.

Encontrei um conto do autor na antologia “A Primeira Vez“, que fala exclusivamente da primeira experiência sexual. Aquela que vem embolada em muiiiito desejo e inseguranças: Com quem será? Quando e onde vai ser? Vai doer? etc. etc.

São oito histórias, oito situações bem diferentes, nas quais a maioria dos adolescentes – e por que não os adultos – se reconhecerão.

Algumas me enterneceram, outras me fizeram dar boas risadas e em algumas agradeci silenciosamente por viver numa sociedade onde a virgindade feminina não é mais uma mercadoria que tanto pode ser comercializada, como simbolizar a honradez de toda uma família.

Li as três primeiras histórias sem grandes sobressaltos, mas a quarta, a de Patrick Ness, chacoalhou a minha caretice. Definitivamente não estava preparada para uma história homo afetiva entre garotos. A narrativa é provocadora? Sim e não. As descrições estão todas lá, mas engenhosamente cobertas por tarjas negras.

Entretanto, o que me sensibilizou de verdade foi o olhar compreensivo e realista do autor sobre os conflitos pessoais e externos vividos por tantos meninos e meninas até conseguirem experimentar serenamente o próprio desejo sexual.

Não faz muito tempo a homossexualidade era penalizada criminalmente no Reino Unido. Novos estudos arejaram idéias e mentalidades bolorentas.

Apesar de não serem mais tolerados, até hoje acontecem casos de discriminação sexual. No entanto, acredito que os dias dos preconceituosos estão contados . Muito em breve, precisarão ocultar a própria intolerância sob pena de passarem de algozes para os novos marginalizados da sociedade.

 

  • A Primeira Vez

Autores:

Keith Gray

Jenny Valentine

Melvin Burgess

Patrick Ness

Mary Hooper

Sophie McKenzie

Bali Rai

Anne Fine

Editora L&PM

R$ 36,90

A Família Regrada

familia-regradaJá me aconteceu de achar a vida meio parada, como se pedalasse uma bicicleta ergométrica que nunca sai do lugar.

Nessas horas, procuro me animar pensando que todo esse exercício físico vai me deixar preparada para quando a roda da fortuna movimentar de novo a minha “bicicleta”.

Depois de receber respostas negativas ou nenhuma resposta, “A Pergunta Mais Importante” encontrou um lugar acolhedor para morar. Com o apoio da editora, Rosa, a personagem principal do meu primeiro livro infantil, vislumbrou novos horizontes impossíveis de alcançar se estivesse pedalando sozinha.

Nas suas andanças, conheceu a escritora e blogueira Emília Nuñez (@maequele). Esse encontro proporcionou novas aventuras não só para Rosa como também para mim.

Estimulada por Emília ignorei o acanhamento e apresentei “A Pergunta Mais Importante” em praças e eventos culturais.  Aprendi a usar o Instagram e em pouco tempo o livro estava sendo divulgado e comentado por diversos fãs da literatura infantil.

Através da rede social cheguei à “A Família Regrada”, produção independente da escritora paraense Anna Cruz (@sobreissoeaquilo).

Como normalmente costuma acontecer, o que primeiro chamou a minha atenção foi a capa. Simplesmente fiquei encantada com o traço e o colorido das ilustrações feitas por Mariamma Fonseca.

Admito que se Emília não me tivesse oferecido de presente, talvez não o adquirisse. Quando cogitei essa possibilidade, o meu censor interno gritou forte: Mais um livro não!

Mas agora “A Família Regrada” era meu, e poderia desfrutá-lo à vontade.

Trata-se de um livro pequenino de poucas páginas. Seis histórias que narram com muito humor e doçura situações vividas pela maioria das famílias.

Quem não teve ciúme do irmão (ã) e ao se tornar pai ou mãe não precisou administrar a ciumeira entre os filhos?

Engraçado, recentemente conversando com a minha irmã caçula, em tom de brincadeira que vai dizendo as verdades, ela recordou ter sido sempre a última a escolher o que era oferecido a todas.

O livro também conta uma conversa muito engraçada entre mãe e filha a respeito da pergunta clássica: Mãe, como nascem os bebês? (suspiro)

O que posso dizer é que no meu tempo a resposta não envolvia tantas alternativas e explicações. O papai botava uma sementinha dentro da mamãe e o assunto estava resolvido.

Desnecessário enumerar os benefícios de se ler para uma criança. Mas à medida que ela cresce, e começa a ler sozinha, muitas vezes esse hábito tão gostoso é deixado de lado.  “A Família Regrada” é um bom motivo para recuperar esse costume, quer seja no aconchego de um sofá ou pouco antes do último beijo de boa noite. Garanto que não vai se arrepender.

  • Instagram:

@maequele

@sobreissoeaquilo

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