Livraria Boto Cor de Rosa – um segredo baiano

boto-cor-de-rosaA pequenina livraria Boto Cor de Rosa se esconde no bairro da Barra em Salvador.

Quando penso nela lembro de um ditado que minha mãe costumava dizer: É nos menores frascos que se encontram os melhores perfumes. Mais tarde descobri que terminava em: E se guardam os mais fortes venenos. Esta segunda parte não se aplica à Boto, que sem sombra de dúvida se assemelha a um vigoroso tônico cultural.

Se o espaço físico é pequeno, o mesmo não se pode dizer do seu conteúdo literário. Cada obra exposta foi escolhida a dedo pela proprietária Sarah Rebecca Kersley, uma poetisa inglesa que, com forte sotaque, fala português na perfeição.

Conversar com ela sobre escritores e livros vale uma visita à livraria, e, se o papo for acompanhado de uma fatia quentinha de bolo de maçã e canela , você não vai se surpreender que escureceu quando tiver que ir embora.

Os tempos andam bicudos para todo o mundo, o que dirá para quem paga as contas vendendo literatura, e não se deixa seduzir pelo canto meloso dos bestsellers.

Incansável, Sarah organiza lançamentos, palestras e oficinas com autores baianos e de outros estados. A cidade é carente desses encontros. Com quem debater sobre os pontos fortes e fracos dos textos produzidos?

Por tudo isso me interessei pela oficina ministrada pela escritora paulista Noemi Jaffe ”Os cinco princípios essenciais da escrita criativa”. Durante duas tardes trocamos experiências, sugestões de leituras e exercícios sobre o ofício de escrever.

À medida que escutava a palestrante falar, crescia o interesse em conhecer sua obra. Perguntei qual livro deveria ler primeiro. Por razões afetivas disse ser O que os cegos estão sonhando? Um livro escrito a seis mãos, as dela, da mãe e da filha.

Não preciso dizer que ele já foi incorporado á relação dos livros que pretendo ler, e com certeza estarei no próximo evento promovido por Sarah Rebecca na Boto Cor de Rosa.

 

Livraria Boto Cor de Rosa

Rua Marquês de Caravelas, 328 – Barra

tel (71) 3018-0006

A menina da cabeça quadrada

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Como o impacto de uma pedrinha jogada em águas tranquilas que se expande em pequeninas e suaves ondas, o meu destemor em mostrar minhas histórias a pessoas fora do meu circulo familiar tem sido premiado através de reencontros e novos conhecimentos que me entusiasmam sucessivamente.

No lançamento do meu primeiro livro no Rio de Janeiro, refiz o contato com colegas que não via desde o Ensino Médio. Mais recentemente, e graças às redes sociais, esses reencontros foram bem mais longe. Chegaram até a amigas de quando ainda morava em Portugal e das quais não tinha notícias há séculos!

Isso poderia jamais ter acontecido se não fosse pela contribuição de uma jovem mãe blogueira que conheci recentemente em Salvador.

O nosso primeiro encontro foi narrado com muita graça em sua página Mãe que Lê na internet. Depois acertamos que eu responderia a algumas perguntas a serem postadas em seu blog. Foi essa entrevista que, ao ser compartilhada, me fez reencontrar as amigas portuguesas.

Além de abordar temas importantes para os pais de primeira viagem, o blog Mãe que Lê estimula a leitura como forma de consolidar os laços afetivos entre pais e filhos. São excelentes as dicas de livros que ela oferece pelo Instagram @maequele.

Se a personagem mais famosa de Monteiro Lobato inventou o livro comestível, sinônimo da leitura prazerosa, a Emília de carne e osso acabou de inventar, ou melhor, publicar o seu primeiro livro infantil: A menina da cabeça quebrada.

Trata-se de uma produção independente com ilustrações de Bruna Assis Brasil.

O texto é uma resposta super criativa para todas as crianças que desaprenderam a brincar se não estiverem com um tablet ou um celular nas mãos, ou então assistindo televisão.  Para voltar ao normal a menina precisa encontrar outras diversões.

O leitor vai se surpreender com a quantidade de brincadeiras redondas que foram esquecidas. Felizmente não são caras nem complicadas e, quanto maior o número de participantes, mais divertidas elas ficam.

Ficou curioso(a)? Dê só uma espiada no livro, você vai se encantar.

 

  • A Menina da Cabeça Quadrada

Emília Nuñez / Bruna Assis Brasil

R$ 35,00

Como e onde encontrar o livro:

Diretamente com a Autora através do Instagram @maequele e www.facebook.com/maequele

Aquarela Brinquedos Naturais tel. (71) 3123-7100 / @aquarela_brinquedos_naturais / www.facebook.com/aquarelabrinquedosnaturais

Cinco músicas para gostar do Bob Dylan

1 Pedra no Caminho

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Hoje finalmente saiu o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura e o resultado foi surpreendente: Bob Dylan. Ele tornou-se a única pessoa a receber os prêmiosNobel, Pulitzer, Oscar, Grammy e Globo de Ouro. Comecei a pesquisarse havia livros dele queeu não conhecia, lembrando do post sobre o Leonard Cohen, que tem umvasto trabalho com poesia. No entanto, parece que o prêmio vem do reconhecimento pelas letras das canções mesmo, como mencionou a secretária da Academia Sueca Sara Danius, ao explicar a motivação do prêmio:”por criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana” (fonte).

Gostei bastante da matéria do G1, que traz os discos e os livros publicados por Dylan, assim como os títulos traduzidos para o português:”Tarântula”, publicado em 1986 pela editora Brasiliense; “Crônicas – Vol.1”, publicado em 2005 pela Planeta; “Forever young”, publicado em 2009 pela Martins Fontes; e “O homem deu nome…

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Belgravia

belgraviaBelgravia é um daqueles livros que se leem de um fôlego só. Principalmente se você assistiu a mini série inglesa Downton Abbey e gostou.

Está tudo lá. As rígidas convenções sociais e as divisões de classes entre nobres e empregados. No livro entra outra casta pouco explorada na série: a dos empreendedores, que trabalhavam e construíram suas fortunas de maneira legítima. Eles eram menosprezados não só pela aristocracia mas também pelos próprios empregados domésticos, que se pudessem escolher prefeririam trabalhar para patrões mais ilustres.

Um fato curioso muito bem caracterizado em Belgravia é a posição social do segundo filho. Sorte de quem nasceu primogênito. Eu disse primogênito e não primogênita. Se fosse homem herdaria o título nobiliárquico, as propriedades rurais, a mansão, enfim, tudo. Se fosse mulher deveria procurar fazer um “bom casamento” porque o herdeiro universal seria o irmão mais novo. Se não houvesse um, o afortunado passaria a ser o parente masculino mais próximo na linha sucessória.

É de se supor que à medida que cada irmão ficava ciente de sua posição na escala sucessória, as relações deixavam de ser fraternais e passavam a ser alimentadas por sentimentos nada nobres como a inveja, o despeito e a desconfiança.

Se para a grande maioria burguesa este arranjo sucessório parece injusto, o mais espantoso é saber que ele persiste até hoje na Inglaterra.

Belgravia é um romance de costumes, repleto de tramoias e fofocas que prende a atenção do leitor do começo ao fim. Definitivamente eu o recomendo.

 

  • Belgravia

Julian Fellowes

Editora Intrínseca

R$ 49,90

E-Book R$ 34,90

 

 

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