A Casa do Céu

A-casa-do-ceuSe Amanda Lindhout foi a co-autora do livro, é porque conseguiu sobreviver.

Apesar desse pensamento me tranquilizar, não consegui desgrudar de A Casa do Céu até confirmar que realmente tudo terminara bem.

O livro é autobiográfico. Nele a autora conta com riqueza de detalhes o seu sequestro em um dos países mais perigosos do planeta, a Somália.

Amanda nasceu e viveu até os dezenove anos numa cidadezinha nos arredores de Calgary, no Canadá. Sua infância não foi das mais felizes. Depois que os pais se separaram, ela presenciou diversas vezes a mãe ser agredida pelo namorado ciumento. Sempre que podia Amanda se refugiava nas páginas da National Geographic. Elas a transportavam para lugares exóticos e instigantes. As revistas de segunda mão eram compradas com o que ganhava catando latas e garrafas vazias.

Assim que foi possível, mudou-se para a cidade grande. Trabalhando como garçonete em lugares badalados, juntou o suficiente para realizar a sua primeira viagem. O destino: Venezuela.

Achei curiosa as escolhas feitas por Amanda. Londres, Paris, Toscana ou Ilhas Gregas? Esqueça! Ela viajou para as regiões com que sonhara na adolescência: América do Sul, Sudeste Asiático, África, Oriente Médio.

Confesso que gostei de saber que, no meio de tantas andanças, passou umas férias em Portugal, apesar de não ter feito qualquer comentário sobre o que achou do meu país natal.

Como muitos mochileiros, eu contava os países por onde passava. Listar o número de países que visitávamos era uma maneira de medir o nosso sucesso. A maioria dos viajantes que contavam os países não apregoava seus números até passar dos trinta. Depois de quatro anos e várias viagens, eu já havia chegado a quarenta e seis.

Por mais que controlasse os gastos, todas essas viagens consumiam rapidamente suas economias. Inicialmente tentou vender as fotografias que tirava para agências de notícias, mas não teve muito sucesso. A concorrência era grande. Por isso, quando foi convidada para trabalhar como correspondente internacional em uma televisão no Iraque, aceitou prontamente. Era a oportunidade que ela tanto queria: se sustentar com as viagens que fazia e pretendia continuar fazendo.

Infelizmente as coisas não correram como esperava. Por inexperiência, gravou uma matéria que desagradou os jornalistas estrangeiros que trabalhavam em outras redes.  Sem nunca ter feito parte do grupo, agora ela era ignorada por todos.  Esse isolamento punitivo fez com olhasse com outros olhos para a Somália, um país temido pelos profissionais mais calejados em zonas de guerra. Quem sabe, nesse lugar evitado por todos, ela não faria a sua matéria jornalística redentora?

Seriam apenas dez dias. Chegar, tirar fotos, visitar alguns campos de refugiados e sair do país o mais rápido possível. Entretanto, no quarto dia em Mogadíscio, Amanda e o ex-namorado que a acompanhava nessa aventura perigosa foram capturados. O cativeiro duraria 460 longos dias.

Os sequestradores não tinham a menor empatia pelos prisioneiros. Eles eram apenas uma mercadoria valiosa. Dois estrangeiros infiéis, oriundos de uma cultura depravada e inimiga, sendo que Amanda era apenas uma mulher impura e má. Se começassem a dar muitos problemas poderiam ser facilmente eliminados e ela seria a primeira.

Apreciei a descrição das viagens feitas por Amanda e principalmente a coragem em relembrar como foi o cativeiro. Entretanto, o que me fascinou de verdade – e torna o livro tão extraordinário – foi a capacidade da autora em encontrar forças e criar maneiras engenhosas de sobreviver àquela barbárie.  Sua resiliência é inspiradora e A casa no céu é o relato de uma heroína do séc. XXI.

 

  • A Casa do Céu

Amanda Lindhout & Sara Corbett

Editora Novo Conceito

R$ 39,90

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