Duas palavras difíceis e a culpa do mordomo

Gosto dos domingos. Principalmente do período da tarde, quando após o almoço espalho sobre a mesa da sala de jantar os jornais do dia e a revista semanal comprada de manhã na banca da esquina. Satisfeita, olho ao redor e sei que tenho distração, da melhor qualidade, por algumas horas.

Com exceção da parte automotiva quase tudo me interessa. Minhas leituras não são solitárias, mas compartilhadas. Antigamente recortava artigos que, depois de escaneados, mandava para filhos e amigos. Hoje, tiro foto e envio por whatsapp.

Por vezes, paro o que estou lendo para pesquisar na internet algo que chamou minha atenção. Domingo retrasado, ao ler a coluna do jornalista Sérgio Augusto deparei com duas palavras que não conhecia: epígono e corifeu. (elas são tão pouco usadas que assim que as digitei, automaticamente foram sublinhadas em vermelho, como se a grafia estivesse errada).

Dois substantivos importantes para compreender o pensamento do autor. Enquanto fazia a paradinha habitual para procurar o seu significado, fiquei imaginando se o jornalista não estaria se divertindo por levar centenas de leitores a pesquisar essas palavras.

Confesso que achei o uso da palavra epígono pretensioso, mas gostei de corifeu. Mal posso esperar o próximo almoço de família para, com toda a solenidade e sem cair na risada, soltar: “O momento político brasileiro está repleto de corifeus!”

No dia seguinte foi a vez de encontrar na coluna do escritor Raphael Montes a explicação para a célebre frase: “A culpa é do mordomo!”

Segundo ele, a expressão teria surgido após Bernard Shaw opinar sobre os finais de diversas histórias policiais ingleses, onde, quase sempre os criados eram os criminosos. O dramaturgo irlandês teria dito com ironia que a aristocracia inglesa era tão preguiçosa, que até para cometer um crime mandava o mordomo executá-lo.

Essas matérias com seus assuntos variados são para mim verdadeiros bálsamos.  Elas estimulam a minha curiosidade e me auxiliam a suportar um pouco melhor o jorro cotidiano e ininterrupto de más notícias. Sem esses articulistas e outros mais, seria difícil suportar a mediocridade que estamos vivendo. Um Viva aos jornais e às tardes de domingo!

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Celina
    jun 22, 2016 @ 08:29:01

    Concordo com a Fagulha, o meu dia de saborear os jornais é o sábado com o caderno ELA, mas também curto o domingo após o almoço. Considero a parte automotiva dos jornais uma provocação, ainda mais em tempos de crise, para quem os jornais publicam carros caríssimos?
    Atualmente, a 4a feira é a minha manhã preferida, quando leio a Fagulha cedinho ao acordar!

    Responder

  2. fagulhadeideias
    jun 22, 2016 @ 17:37:11

    Acho que a parte automotiva é para muitos leitores o que o caderno de turismo significa para mim. Um sonho difícil de se realizar nos próximos meses. 🙂

    Responder

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