As aventuras de Jajá

JajáNão virei a casaca não. O meu amor incondicional pelos cães continua intacto, mas admito que ao ler As aventuras de Jajá de Susana Schild pensei em adotar um gato.

A gatinha Jajá é a narradora desta história encantadora, que começa com ela caminhando vacilante em cima de um muro. De repente vem o tombo. Assustada e sem saber onde está Jajá começa a miar chorosa.  Seu lamento é ouvido por uma menina que com todo o cuidado a pega no colo, a leva para casa e lhe oferece um pires com leite.

O problema é que o pai de Luisa não concorda em ter mais um gato no apartamento. O outro gato é Nina, na verdade uma gata que enciumada não vê com bons olhos a chegada de uma concorrente.

Do mesmo jeito que Jajá encantou a menina, suas peripécias seduzem o leitor. Fiquei impressionada como um livro indicado para o público infantil pode me ensinar tanta coisa sobre os felinos. Por exemplo, eu não sabia que os gatos não gostam de portas fechadas e que são muito dorminhocos.

As aventuras de Jajá é o livro perfeito para as crianças que já adquiriram fluência na leitura e gostam de animais, principalmente de gatos.

Afinal, como resistir a um ronronar que na língua dos gatos quer dizer: Eu gosto de você.

 

  • As aventuras de Jajá

Susana Schild

ilustrações: Mika Takahashi

Editora Rocco (jovens leitores)

R$24,50

E-Book R$ 16,00

Novidades & Críticas literárias # 2

Revisor secreto

Apesar de levar todos os créditos, tenho que confessar que meus posts são produzidos a quatro mãos. Não há um texto que coloque no blog que não passe antes pelo meu “revisor secreto”. Ele é o expert em vírgulas e eu a negação.

Como mora em outro estado, trocamos mensagens via e-mail. Normalmente concorda com o que escrevo e não costuma dar muitos pitacos. Entretanto no último post não se conteve e soltou o verbo:

Só porque você gosta de livros e quer que tenha mais gente interessada em leitura, ou outros não podem fazer nenhuma crítica negativa?* Todo mundo é obrigado a escolher jogar confete ou ficar calado? Não gostei da conclusão.

Sozinha, dei boas risadas com seu comentário, mas mesmo assim mantive a minha opinião.

Criticando outra frase que eu escrevera: “definitivamente isso não é verdade!” meu revisor retrucou com filosofia:

O que é a “verdade”? Podemos discutir o conceito depois, mas não sei se você pode dizer que a crítica que ela faz não é verdadeira.

Neste caso acatei a sugestão. Afinal quem sou eu para dizer o que é verdade ou não? As verdades são tantas quantas forem as opiniões das pessoas sobre o objeto analisado.

Acredito que houve da minha parte um exagero de assertividade (muito comum nos tempos atuais, diga-se de passagem) e também preguiça em explicar melhor porque gostara do livro A vida invisível de Eurídice Gusmão.

Não sou crítica literária, nem fiz faculdade de letras, portanto não sei analisar um romance com todos os esses e erres. Simplesmente gosto ou não gosto. Muitas vezes pressinto que estou diante de algo excepcional e outras vezes que é melhor largar o que estou lendo para não perder mais tempo.

No livro de Martha Batalha, o que mais me agradou  foi a escrita leve e inteligente, própria de uma contadora de histórias. Como costuma acontecer numa boa conversa, a autora faz desvios para descrever personagens e narrar eventos paralelos que terminam por explicar melhor o porquê do que está acontecendo. Esses volteios são como pequenas bifurcações que vão dar a lugar nenhum, mas embelezam uma leitura descontraída e não comprometem a história como um todo.

Espero que desta vez tenha ficado mais claro porque recomendo A Vida invisível de Eurídice Gusmão.

  • Revisão da própria revisão

Novidades & Críticas Literárias

Leonardo & Martha

Se em tempos de vacas magras já não é fácil um autor (a) novato (a) ser publicado no Brasil, imagine em tempos de vacas esquálidas.

Por essa razão parabenizo a editora Oito e Meio que, além de garimpar novos talentos, mostra o caminho das pedras através de cursos on-line como o Carreira Literária.

Recentemente conheci dois novos escritores brasileiros: Leonardo Villa-Forte e Martha Batalha.

Cheguei até ao primeiro quando me inscrevi na 1ª turma do Carreira Literária e quis saber quais eram os autores que faziam parte do catálogo da editora.

Leonardo é autor veterano, já publicou pela Oito e Meio um livro de contos, e no final do ano passado lançou o seu primeiro romance cujo título achei muito bonito: O princípio de ver histórias em todo o lugarFoi esse o livro que eu li.

Ele conta a história de um publicitário que se sente rejeitado pela namorada, quando ela vai fazer um curso no exterior durante três meses. Para tentar esquecê-la e conhecer outras pessoas, decide montar no seu apartamento uma oficina de Criação Literária, mesmo sem ter aptidão para isso.

No decorrer do curso, o professor começa a acreditar que os contos escritos pelos alunos expõem, na verdade, os desejos inconfessáveis de cada um deles. A reunião final do grupo termina de forma surpreendente.

Soube de Martha Batalha através de uma nota que saiu em um jornal paulista. Fiquei curiosa porque a autora apesar ter pertencido ao mundo editorial brasileiro, e na época ter reeditado escritores de qualidade como Millor Fernandes, não conseguiu o apoio de seus pares quando quis publicar o seu primeiro romance.

Só depois de ter os direitos comprados por várias editoras estrangeiras é que a Companhia das Letras percebeu que estava deixando escapar uma boa novidade literária.

A maior parte de A vida invisível de Eurídice Gusmão transcorre nos anos quarenta do século passado na Tijuca, reduto da classe média carioca. De maneira perspicaz e com muito humor a autora narra a jornada das irmãs Eurídice e Guida que não desistem de buscar um sentido para suas vidas, mesmo depois de verem diversos de seus planos e sonhos desfeitos.

Outros personagens gravitam ao redor das duas irmãs e são descritos de forma sucinta e inteligente, como Zélia a vizinha: Do pai ela herdou o gosto pela notícia, da mãe a vida restrita ao lar. Do mundo ganhou desgostos, do destino a falta de escolhas. Formou-se assim a essência da fofoqueira.

Não chego a ser tão entusiasta quanto a jornalista Cora Rónai que considerou “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” como um dos melhores livros que leu este ano. Entretanto, acho totalmente despropositada e injusta a crítica de Camila von Holdefer, publicada no mesmo jornal paulista que me apresentou à autora. Segundo ela, trata-se de um romance opaco e banal. Definitivamente não compartilho com sua opinião!

Quando as pesquisas mais recentes informam que os brasileiros não leem por falta de tempo, gosto e paciência, o comentário mal humorado da colaboradora faz um desserviço aos poucos leitores que procuram conhecer e compram livros de autores brasileiros, principalmente, os novatos.

 

  • O principio de ver histórias em todo lugar

Leonardo Villa-Forte

Editora Oito e Meio

R$ 39,90

  • A vida invisível de Eurídice Gusmão

Martha Batalha

Editora Companhia das Letras

R$ 39,90

E-Book  R$ 27,90

O colecionador de ossos e as películas automotivas

colecionado de ossosNão eram 11h da manhã quando passei por uma barreira policial que estava sendo montada numa rua interna da Pituba. Estranhei. Ainda era cedo para verificar o nível alcoólico dos motoristas. Afinal, a maioria dos restaurantes só abriria as portas para comemorar o Dia das Mães dali a uma hora.  Meu carona comentou que a blitz era para inspecionar a documentação dos automóveis e se as películas escuras coladas nos vidros dos carros estavam de acordo com a legislação.

Apesar dos argumentos favoráveis à sua utilização, nunca coloquei essas películas no meu carro. Tudo por causa de um livro que li há mais de quinze anos: O colecionador de ossos, de Jeffery Deaver. Verdade seja dita, também nunca mais peguei um táxi no aeroporto de qualquer cidade que não conheço com a mesma confiança e tranqüilidade de antigamente.

A história do livro começa com um casal chegando a Nova Iorque para participar de uma feira organizada pela empresa onde trabalham.

Despreocupados, entram no primeiro táxi disponível e informam ao motorista para onde querem ir. Sentados no banco dos passageiros, os dois conversam sobre o que esperam ver e aprender durante o evento. O trajeto é longo mas, a certa altura, o homem que já estivera outras vezes na cidade percebe que o motorista não está fazendo o trajeto usual. Querendo saber a razão da mudança – talvez a ponte esteja interditada para obras de manutenção – bate na divisória que separa o condutor do passageiro. O motorista parece não prestar atenção. O homem bate mais forte e – se não me falha a memória – o motorista aumenta o volume do rádio. Nervoso, o passageiro agora está esmurrando a divisória e continua sendo totalmente ignorado.

O carro entra em ruas que ele não conhece e se afasta cada vez mais do destino final. Aflita, a acompanhante tenta abrir a janela do carro mas, assim como as portas, ela está travada. O casal percebe com horror que são prisioneiros daquele motorista insano.  A região por onde passam é inóspita e os raros pedestres não os podem ver nem ouvir seus apelos desesperados pedindo ajuda. Os vidros do carro estão revestidos com uma película escura que esconde o que está acontecendo dentro dele.

Pois é, fiquei traumatizada. Não há nada nem ninguém que me convença a colocar as tais películas no carro.

Há quem argumente que elas protegem o motorista de assaltos. Mas se eu seguir à risca a legislação, o interior deverá ficar visível. Se os bandidos podem me ver e eu também posso vê-los, qual é a vantagem da película?

Depois, desconfio de quem intencionalmente coloca uma película mais escura daquela permitida por lei, a ponto de não se poder dizer quem está dirigindo ou quantas pessoas estão dentro do carro. Quem me garante que no interior do automóvel não se esconde um marginal?

Colocar películas para diminuir o calor interno do automóvel? Não é um argumento que me convença. Por enquanto a lembrança de O Colecionador de Ossos é muito forte para me fazer mudar de opinião.

 

  • O Colecionador de Ossos

Jeffery Deaver

Editora Record

R$ 27,90 (edição de bolso)

R$ 25,00 (E-Book)

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