A Vítima Perfeita

A-Vitima-PerfeitaAo comentar sobre um livro que li, normalmente procuro não saber o que os outros blogueiros escreveram sobre ele. Receio ser influenciada por essas opiniões.

Não conhecia a autora Sophie Hannah e ao ler a orelha de A vítima perfeita fui seduzida por suas excelentes credenciais. Ela é autora de diversos gêneros literários, vencedora de prêmios, tem um romance adaptado para a televisão e sua obra já foi traduzida para 32 idiomas.

Entretanto, quando terminei de ler o livro, fiquei em dúvida se tinha gostado dele ou não. Na verdade, o meu questionamento era se o recomendaria ou o ofereceria de presente. Contrariando os meus princípios, fui ler algumas resenhas sobre A vítima perfeita. A grande maioria foi bastante elogiosa, mas eu tinha algumas ressalvas a fazer. Não que tivesse desgostado do livro, mas para mim toda a história não se sustentava por causa de alguns furos na trama.

Como era possível que os idealizadores de um site – criado para ajudar as vítimas de estupro a falar sobre o que lhes acontecera e sobre como se sentiam – não tivessem lido e percebido que pelo menos dois dos relatos eram muito parecidos e não procuraram a polícia para que fosse feita uma investigação mais profunda?

Quando a narrativa começa, já se passaram três anos desde que Naomi escreveu anonimamente para esse site. Agora, ela está vivendo uma intensa relação amorosa com um homem casado, de temperamento muito sistemático. Eles costumam se encontrar sempre no mesmo dia da semana, no mesmo hotel e, à medida que o relacionamento evolui, começam a fazer planos para o futuro. Por isso, quando ele não comparece ao encontro de todas as quintas-feiras e não responde às suas chamadas telefônicas, ela tem certeza que algo de muito sério aconteceu e a vida dele corre perigo.

Naomi procura a polícia mas sua denúncia é tratada com descaso, como se fosse uma simples briga de casal. Inconformada, ela modifica o seu depoimento e diz que o amante é na verdade seu estuprador.

Depois dessa declaração bombástica é difícil largar o livro. Mas, mais adiante, voltei a questionar a possibilidade de um segredo (e que segredo!) ser guardado por um grupo de desconhecidos. Afinal, como diz o ditado, “segredo a dois, só matando um.” Imagine, então, quando são vários!

Feitas estas considerações sobre a trama, admito que A vítima perfeita agradará aquele público leitor que aprecia um  suspense psicológico repleto de reviravoltas.

 

  • A vítima perfeita

Sophie Hannah

Editora Rocco

R$ 39,50

E-book R$ 25,50

A última viagem do Lusitânia

a-ultima-viagem-do-lusitaniaGosto de conversar com os vendedores das livrarias sobre as novidades e trocar informações a respeito das leituras que fizemos e nos agradaram. Esse intercâmbio costuma ser muito rico e proveitoso, pelo menos para mim.

Recentemente, recomendei um que ainda não tinha lido, mas que pedira como presente de aniversário: A última viagem do Lusitania.

Fiz isso porque lembrei que tinha gostado muito do outro livro de Erik Larson, No Jardim das Feras, já publicado no Brasil.

Quando retornei na semana seguinte, perguntei se tinham vendido bem o ”Lusitania”. Um dos funcionários comentou que muitos clientes procuravam romances históricos, mas relutavam em comprá-lo quando eram informados tratar-se de um livro de não ficção. Como se a realidade não pudesse ser contada de uma forma interessante!

Decidi então colocá-lo à frente de outras leituras para poder opinar com mais segurança. E aconteceu o que esperava, A última viagem do Lusitania é um ótimo livro!

É impressionante como uma história repleta de informações não cansa o leitor. E elas são de todo o tipo: fofocas sobre o adultério do primeiro-ministro francês; as particularidades sobre a decoração e o funcionamento do navio; as carreiras brilhantes tanto do capitão inglês quanto do capitão alemão do submarino; a descrição minuciosa dos passageiros, quer fossem pessoas abonadas ou não; as refeições pantagruélicas e as atividades recreativas desfrutadas durante a travessia; e, é claro, as funções bélicas dos frágeis e destrutivos submarinos.

A narrativa transcorre no início de 1915 quando a guerra já se espalhara pelos campos da Europa e do antigo Império Otomano, e chega ao Oceano Atlântico, mais precisamente no sul da costa irlandesa. Ali, os códigos de ética marítima foram rasgados, e, um transatlântico inglês levando a bordo quase 2.000 pessoas foi a pique em menos de 20 minutos, depois de ser torpeado por um submarino alemão.

O autor de A última viagem do Lusitania é um excelente contador de histórias. Seu livro com certeza agradará aqueles que buscam a exatidão dos fatos históricos e também os apreciadores de um bom romance.

 

 

  • A última viagem do Lusitania

Erik Larson

Editora Intrínseca

R$ 49,90

E-Book R$ 34,90

Primatas da Park Avenue

Primatas-da-park-avenueNão sei por que, mas sempre associei o estudo da antropologia a pesquisas efetuadas em aldeias remotas, onde os habitantes tiveram pouquíssimo contato com o chamado mundo civilizado. Como se tudo que está perto de nós já fosse por demais conhecido, e não causasse mais espanto.

Pois o livro de Wednesday Martin fez ruir por terra essa minha crença.

Primatas da Park Avenue retrata um grupo humano, não muito numeroso, que reside em um pedacinho específico da cosmopolita ilha de Manhattan: os moradores de Upper East Side. O grupo dos mega, mega ricos.

Na faculdade a autora estudou um pouco de antropologia, e com um olhar científico, distanciado e curioso, procura compreender essa tribo onde entrou meio que por acaso.

As regras para fazer parte dessa exclusiva tribo são duríssimas. Como achar normal, pelos padrões brasileiros, que para ser aceito como morador de um prédio seja necessário informar o número dos cartões de créditos (!!), o coeficiente acadêmico que se tirou na faculdade ou dizer em que escolas seus pais estudaram e quais são as que seus filhos frequentam?

Como admitir que outras mulheres não respondam ao seu educado cumprimento de bom dia, simplesmente porque não se faz parte do circulo de amizades delas, ou não se tem a bolsa considerada como a correta pelo grupo?

Por falar em bolsa, o livro tem todo um capítulo falando sobre esse objeto. Aquela que é o supra-sumo de todas. O símbolo máximo de status: a bolsa Birkin produzida pela Casa Hermès.

O modelo básico começa em 8.000 dólares e o mais caro segundo, a autora, pode ultrapassar os 150.000 dólares (não, você não leu errado). Curiosa sobre o tema, aprofundei minha pesquisa na internet e encontrei outra bolsa Birkin à venda por escandalosos 432.000 dólares*!!! Fico imaginando se é possível pedir para arredondar esse valor, conseguir um desconto de dois mil dólares e oferecê-los como gratificação à vendedora.

Com o mesmo interesse que me debruçaria sobre os costumes de uma tribo canibal nos confins da Amazônia, mergulhei fascinada nesse mundo onde mulheres engavetam diplomas obtidos nas melhores universidades do país e voluntariamente se metamorfoseiam em gueixas capitalistas.

Se para os padrões americanos essa comunidade é altamente exótica, a ponto de merecer um livro, como qualificá-la segundo os parâmetros dos habitantes do hemisfério sul do continente? Surreal? Apesar de que, pensando bem, consigo imaginar um pequeno grupo de brasileiras vivendo esses mesmos dilemas.

 

  • Primatas da Park Avenue

Wednesday Martin

Editora Intrínseca

R$ 39,90

E-Book R$ 24,90

Os favoritos de 2015

*

Revejo os posts que escrevi ano passado. Quanta coisa boa eu li! Sem obedecer a qualquer ordem de preferência, monto a minha lista e escolho os livros que me impactaram mais. São eles:

A 25ª Hora de Virgil Gheorghiu

Árabe do futuro de Riad Sattouf

Mortais de Atul Gawande

Dias perfeitos de Raphael Montes

A garota no trem de Paula Hawkins

Sebastião, o desejado de Aydano Roriz

O livro sem figuras de B. J. Novak

A pergunta mais importante (escrito por mim e ilustrado por Flávia Bomfim)

Como é fácil perceber, o meu gosto literário é bastante eclético. Transito pela ficção semi autobiográfica; pelo humor dos quadrinhos político-sociais; leio uma reflexão sensível sobre o envelhecimento e o adoecer; mergulho no romance histórico, em suspenses psicológicos; e termino me divertindo com a literatura infantil.

Como diz o ditado popular “o que cair na rede é peixe”, e, neste ano que se inicia, minhas redes já foram jogadas no mar. Desejem-me boa pescaria!

 

* Reprodução internet

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