Gratidão

GratidãoQuer tenhamos consciência ou não, todo final do ano é um convite para fazermos um balanço de nossas vidas. O que fizemos durante o ano que, muito em breve, fará parte do nosso passado? Crescemos profissionalmente, estreitamos relações com familiares e amigos, desenvolvemos nossos talentos?

Assim como todo ano termina, da mesma forma, toda vida humana também tem um fim. Muitas vezes inesperadamente, sem qualquer preparação, sem oferecer a possibilidade de corrigir pendências ou de realizar aquilo que se adiou, às vezes por pura negligência.

Deus queira que eu morra velhinha e, quando olhar para trás, me orgulhe de minhas conquistas e aceite os fracassos, assim como Oliver Sacks o fez em seu livro póstumo: Gratidão.

Nele estão reunidos quatro ensaios onde ele fala sobre envelhecer, adoecer e a morte que se aproxima. Deprimente? Muito pelo contrário. O sentimento que perpassa todos eles é o de gratidão por uma vida bem vivida.

“Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi. (…) Acima de tudo fui um ser senciente, um animal que pensa, neste belo planeta, e só isso já é um enorme privilégio e uma aventura.”

Este pequeno livro, com menos de sessenta páginas, é cheio de entusiasmo e serve de reflexão para enfrentarmos com entusiasmo o novo ano que em breve se inicia.

 

  • Gratidão

Oliver Sacks

Companhia das Letras

R$ 29,90

O que ganhei de aniversário em 2015

 

Ainda não tinha terminado de ler o último livro que ganhara das minhas ex-colegas da FTC, e já estava na hora de comemorar, de novo, o meu aniversário.

Apesar de não trabalharmos juntas há mais de cinco anos, continuamos nos reunindo para matar as saudades e celebrar os aniversários.

Nós formamos um grupo muito prático. A aniversariante sempre escolhe o que quer ganhar, e a mais organizada e responsável, recolhe o dinheiro, pesquisa preços e efetua a compra final, inclusive a do próprio presente.

Invariavelmente recebo livros, que vou intercalando com outros que eu mesmo compro ao longo do ano.

Como poderão constatar a minha lista é bastante eclética e entrarei 2016 com a “difícil” tarefa de ler:

A Última Viagem do Lusitania – Erik Larson

Despertar : um guia para a espiritualidade sem religião – Sam Harris

O Clube do Livro do Fim do Mundo – Will Schwalbe

A Vítima Perfeita – Sophie Hannah

A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

Entre o mundo e eu – Ta Nehisi Coates

Além destes seis, ganhei de uma querida amiga o livro Primatas da Park Avenue, que também foi escolhido por mim. Esse tipo de acordo pode parecer estranho, mas simplifica muito as coisas. Nunca fico decepcionada com o que recebo, e quem me oferece fica feliz porque sempre acerta o presente.

 

Restos de nós

Restos-de-nósA internet tem dessas coisas. Ela aproxima pessoas que não se conhecem, mas que possuem afinidades entre si.

A escritora Bia Onofre acompanha a Fagulha de Ideias pelo Facebook e gentilmente perguntou se eu gostaria de ler seu livro Restos de Nós. Confesso que fiquei lisonjeada com o pedido e apesar de estar às voltas com uma pilha de livros que não para de crescer, concordei em fazê-lo. Duas semanas depois recebi pelo correio um exemplar e logo de cara gostei da capa. Na primeira página a autora escrevera uma gentil dedicatória.

A história é narrada como se fosse um diário, na verdade dois. Através deles tomamos conhecimento das vidas de duas mulheres que viveram no Rio de Janeiro em épocas diferentes.

O relato de Maria Clara transcorre em 1855 numa fazenda bem afastada dos folguedos da corte. A jovem se  distrai caminhando pelas redondezas, procurando preencher o vazio de um casamento arranjado e sem amor.

150 anos depois, o casarão onde viveu encontra-se abandonado e as terras da fazenda fazem parte do valorizado bairro da Gávea. Agora é a vez de Mariana refazer os mesmos caminhos percorridos por Maria Clara.

O que essas mulheres de temperamentos e realidades tão diferentes têm em comum? Ambas estão presas a amarras sociais que as impedem de serem felizes.

Nos passeios feitos pela fazenda/bairro refletem sobre suas vidas, e, depois, colocam no papel todas as angústias e questionamentos que as afligem.

A leitura de Restos de Nós acompanha o desabrochar emocional de Maria Clara e Mariana. O leitor é cúmplice de esse sofrido desatar das amarras.  É possível sentir a tensão crescer à medida que os acontecimentos se sucedem. Confesso que num misto de curiosidade e aflição fiz algo que não fazia há muito tempo: Pulei algumas páginas para saber o que iria acontecer com Maria Clara.

A prosa de Bia Onofre é precisa e segura. Gostei de conhecer o trabalho desta escritora, que, com certeza, merece ser apreciada pelo público leitor. Afinal, qualidades literárias não lhe faltam.

 

  • Restos de Nós

Bia Onofre

Editora Chiado do Brasil

R$ 30,00

Os 12 Melhores livros Africanos do séc. XX

Mulheres-de-cinzaAcaba de chegar às livrarias o ultimo livro do escritor moçambicano Mia Couto: Mulheres de Cinzas.

Para os desavisados que ainda não conhecem o escritor, provavelmente o vendedor o recomendará dizendo que seu romance Terra Sonâmbula foi considerado um dos doze melhores livros africanos do séc. XX.

Sempre tive curiosidade em saber quais seriam os outros onze que fazem parte dessa seleta lista, e quais já teriam sido publicados no Brasil.

A lista com os  foi divulgada em 1992 durante a Feira Internacional do Livro no Zimbábue.

Dela constam:

tabela-escritores africanos

 

Algumas curiosidades:

O Chamado de Sosu de Meshack Asare é considerado literatura infanto-juvenil.

Wole Soyinka é teatrólogo e ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1986. Seu único livro publicado no Brasil é O Leão e a Joia e foi editado pela Geração Editorial.

Naguib Mahfouz ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1988.

Apesar de Um grão de trigo ter sido publicado pela primeira vez em 1969, só agora chegou ao mercado brasileiro. Foi na FLIP (Feira Literária de Paraty) deste ano que os brasileiros descobriram Ngugi wa Thiong’o.Sonhos-em-tempo-de-guerra

A editora Biblioteca Azul publicou outra obra do escritor: Sonhos em tempo de Guerra.

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