Toda a luz que não podemos ver

Toda-a-luz-que-nao-podemos-verQuando li na orelha do livro que um dos personagens centrais era apaixonado por aparelhos de rádio, relutei um pouco em ler Toda luz que não podemos ver, do escritor norte americano Anthony Doerr. O que me interessavam receptores, transmissores e ondas eletromagnéticas? Absolutamente nada!

Mas as críticas eram muito boas e o livro recebera o prestigiado Prêmio Pulitzer, não custava nada dar-lhe uma chance.

A história se passa na França e na Alemanha nos anos que antecedem e durante a Segunda Guerra Mundial. Os capítulos são bem curtos e de forma intercalada, narram a vida de dois jovens: A francesa Marie-Laure,  cega aos seis anos de idade e Werner, dois anos mais velho que ela, alemão, órfão, um precursor dos jovens de hoje em dia apaixonados pela tecnologia.

Se a garota é obrigada a conviver com os horrores de ter seu país invadido pelo inimigo, ele sofre por fazer parte das tropas usurpadoras.

Anthony Doerr fez um bonito trabalho de pesquisa e tive a grata surpresa de constatar que as informações sobre o funcionamento de rádios não me entediaram nem um pouco.

O autor soube criar uma história envolvente, que me manteve interessada até ao último parágrafo, infelizmente não foi tão feliz quanto à construção de alguns dos personagens. Relembro especificamente da caracterização estereotipada do sargento nazista, um especialista em pedras preciosas. Por vezes tive a impressão de estar lendo algo mais indicado para um público conhecido como YA (Young Adult).

Mas o que me incomodou de verdade foi o livro ter recebido o prêmio Pulitzer na categoria ficção. Acostumei-me a associá-lo a obras de excelente qualidade como Pastoral Americana de Philip Roth ou Intérprete de Males de Jhumpa Lahire. Livros que se guardam na estante porque sabemos que serão relidos um dia. Definitivamente não é o caso de Toda luz que não podemos ver. Posso indicá-lo a amigos e até oferecê-lo de presente, mas com certeza não sobreviverá a uma eventual mudança de apartamento.

 

  • Toda a luz que não podemos ver 

Anthony Doerr

Editora Intrínseca

R$ 39,90

E-Book R$ 24,90

As Aventuras da Águia e do Jaguar

Feliz por compartilhar com vocês mais uma ótima dica de leitura de minha amiga Juliana Lisboa.

Aventuras-aguia-jaguar II

Conhecida pelos romances densos, com uma pitada de história, espiritismo e tramas originais, Isabel Allende mostrou outro lado com “As Aventuras da Águia e do Jaguar”, trilogia criada para o público infanto-juvenil. Os livros são “A Cidade das Feras”, “O Reino do Dragão de Ouro” e “A Floresta dos Pigmeus”.

A obra conta a história de Alexander Cold, o Alex, um menino americano de 14 anos que vai passar as férias escolares com a avó, Kate, numa expedição pela selva amazônica a pedido da revista onde a avó trabalha como repórter. Durante a viagem ficamos sabendo de algumas coisas sobre a vida do menino: a mãe está se recuperando de um câncer, a vida em família anda abalada e ele, no auge da adolescência, se tornou um menino bastante introspectivo. A aventura começa propriamente quando eles chegam ao local e conhecem o brasileiro César Santos, que vai guiá-los na empreitada, e Nádia, sua filha, uma menina que domina a linguagem indígena e anda com um macaquinho à tiracolo – sei que parece estereotipado, mas acredite, não é!

Logo entendemos que Kate, Alex, César e Nadia fazem parte de uma trupe que foi montada para apurar a aparição de uma fera, que tem matado pessoas e animais no local. Quem lidera o grupo é um antropólogo renomado, e quem protege todo mundo é o xamã Walimai. Aos poucos, eles descobrem que existem muitos interesses que gerem a visita deles e que nem tudo – ou todos – são o que parecem. Apesar da narrativa ser lúdica e beirar ao fantástico, Allende não se vale de faz-de-conta para rechear sua história. Tudo é real – ou realista – e ela se vale da magia natural da floresta e das pessoas para que a trama seja rica para crianças, jovens e, também, adultos.

No segundo volume, “O Reino do Dragão de Ouro”, Alex, Kate e Nádia se aventuram pelo Himalaia, mais uma vez por uma solicitação da revista onde Kate trabalha. Assim como da primeira vez, a equipe vai investigar uma sucessão de tragédias que está acontecendo num reino, que, até então, vivia pacificamente e em harmonia com seu povo. Segundo uma lenda, existe no reino uma estátua de um dragão feita de ouro com pedras mágicas, que serviriam para controlar todo o dinheiro do mundo. Essa é apenas parte da trama, que ainda descreve a formação de um rei dentro de uma tradição que, ao que parece, não é apenas dogmática. Nesse livro, o lado emocional dos personagens é mais explorado, assim como as relações entre eles. Agora, não é mais Alex o personagem principal da história: ele passa a dividir o protagonismo com Nádia.

As aventuras terminam em “A Floresta dos Pigmeus”, que inicialmente seria um inocente safári em países africanos. Mas, como sempre, o grupo acabou se envolvendo numa missão especial, se perdeu num reino esquecido no meio do continente, em que o rei era um tirano e capturava pigmeus para tê-los como escravos. Os amigos formam uma força-tarefa para, em uma só jogada, conseguirem livrar os pigmeus e salvar a própria pele.

Apesar de simples, o enredo dos três livros consegue prender a atenção e alerta para temas como destruição da natureza, ganância e preconceito. Uma boa pedida para quem sente falta da fase gostosa de Harry Potter, mas se sente pronto para evoluir para uma leitura mais madura e com menos fantasia, mas não menos mágica.

  • As Aventuras da Águia e do Jaguar ( “A Cidade das Feras”, “O Reino do Dragão de Ouro” e “A Floresta dos Pigmeus”)

Autor: Isabel Allende

Editora: Bertrand Brasil

Preço: R$ 45 (cada livro)

A primeira andorinha

A Pergunta Mais Importante II

Acho que nasci com um livro na mão, tamanha é a minha paixão por esse objeto.

Toda a vez que leio algo que me agrada penso: puxa, como gostaria de escrever assim. Verdade. Bem escondido, debaixo de muitos “não levo jeito para isso”, sempre acalentei o sonho de ser escritora.

Aos dez anos comecei um diário. Tratava-se de uma atividade secreta, praticada no colégio durante os horários de recreio. Não escrevia em casa, receosa que minhas irmãs o descobrissem e lessem todos os meus segredos.

Com o passar dos anos deixei-o um pouco de lado, mas esporadicamente continuei a colocar no papel aquilo que me sufocava.

Até que um dia, ao reler meus escritos, reparei que só escrevia quando estava triste, e isso não me agradou. Por que só queixas e lamúrias? Onde estavam registradas as boas lembranças?

Comecei então a escrever sobre o meu cotidiano, as recordações de uma infância feliz, assim como os momentos maravilhosos que vivi com meus filhos quando eles eram crianças. Com certeza estes seriam textos que gostaria de reler no futuro.

Quando dei por mim tinha em mãos o relato de um filho aprendendo a andar de bicicleta aos cinco anos. Uma história sobre como superar dificuldades.

Quem sabe este não poderia ser o enredo do meu primeiro livro?

Timidamente mostrei o texto a alguns amigos que me incentivaram a procurar uma editora. No entanto, para mim ele ainda não estava pronto. Afinal, tratava-se de uma narrativa para crianças e precisava ser ilustrada.

Conversando com Flávia Bonfim, idealizadora e responsável pelo 1º e 2º Festival de Ilustração e Literatura da Bahia, pedi que me indicasse alguns profissionais. Com a maior espontaneidade ela respondeu: “Eu!”.

Nem ela sabia que eu escrevia, nem eu sabia que ela desenhava.

As dúvidas que porventura poderia ter quanto ao meu trabalho se esvaneceram assim que vi o texto complementado com ilustrações de Flávia. Ambos se encaixavam perfeitamente e tudo fazia sentido. Eu era uma escritora.

Sei que uma andorinha não faz verão, mas depois de A Pergunta Mais Importante, meu primeiro livro, tenho certeza que outras histórias se juntarão à primeira.

 

  • A Pergunta Mais Importante

Paula Piano Simões & Flávia Bomfim

Humanidades Editora e Projetos

R$ 27,00

Dia das Crianças

Inês

O dia das crianças se aproxima. Adivinhe o que vou dar de presente para os filhos da empregada?

– Ah, mas o menino não gosta de ler…

Como assim??? Do que gosta então?

– De jogar futebol!

Gol-ferias-no-pais-do-futebolNa livraria, a vendedora mostra uma coleção da editora Fundamento, escrita pelo italiano Luigi Garlando, abordando esse tema. Convencida, escolho para o garoto a história que acontece no Brasil: Gol – Férias no país do futebol.

Para a irmã, me pergunto se vai gostar de Malala, a menina que queria ir para a escola, da jornalista Adriana Carranca Correa.Malala 2

Continuo circulando pela sessão infantil e meus olhos batem num livro de capa vermelha e título curto: Inês

Direcionado a leitores com mais de oito anos, ele conta a história do amor proibido entre Pedro, então futuro rei de Portugal, e Inês de Castro.

Se inicialmente fiquei surpresa por ler uma narrativa de final tão trágico para um público tão jovem, logo em seguida lembrei-me de todos os contos de fadas e histórias sanguinolentas que escutei quando criança e me perguntei: por que não?

Imagino que os autores Roger Mello (texto) e Mariana Massarani (ilustrações) omitiram a vingança perpetrada por D. Pedro para não serem responsabilizados pelos possíveis pesadelos das criancinhas.

No entanto, se alguma delas perguntar curiosa o que aconteceu com os assassinos de Inês, pode dizer que um teve sorte e conseguiu fugir, mas que os corações dos outros dois foram arrancados do peito com eles ainda vivos. Não é a toa que D. Pedro I entrou para a história com o cognome de O Cruel.

Desnecessário dizer que, além dos dois presentes iniciais, mais um livro foi comprado como desculpa para comemorar o Dia das Crianças. O meu.

 

  • Gol – Férias no País do Futebol

Luigi Garlando

Editora Fundamento

R$ 29,50

  • Malala a menina que queria ir para a escola

Adriana Carranca Correa

Companhia das Letrinhas

R$ 29,90

  • Inês

Roger Mello e Mariana Massarani

Companhia das Letrinhas

R$ 37,90

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