Barba Ensopada de Sangue

Esta dica não é minha. Ela foi escrita por uma amiga querida, a jornalista Juliana Lisboa.

Resenhas servem para separar o trigo do joio, para não se perder tempo com bobagens. É claro que gostos não se discutem, mas quando se conhece a pessoa que indica, fica tão mais fácil acreditar e apostar. Este é um livro que com certeza entrará na lista do meu caderninho preto anotações.

Tomara que Juliana me presenteie com novas indicações.

Barba Barba ensopada de sangueensopada de sangue foi o meu primeiro livro de Daniel Galera. Li porque ele é aclamado como um dos maiores autores contemporâneos do Brasil. E tive um preconceito enorme em lê-lo justamente por isso. Tenho preguiça de modinhas.

Mas, em “Barba”, Galera parecia não saber disso. Ou sabia e não se importava. Porque se o que eu esperava eram frases arrogantes e complexas, um enredo cheio de reviravoltas e um vocabulário rebuscado, daqueles que você tem que ler com um dicionário do lado, o que veio logo que abri as primeiras páginas foi bem diferente. Foi simples. Um tapa na minha cara, sem luva de pelica.

A forma dele de escrever é tão simples que parece que alguém está contando uma história numa roda de amigos, com uma cerveja na mão e uma musiquinha de fundo. Não dá vontade de largar o livro porque você sente que o ritmo da narrativa é o ritmo de um diálogo normal, com as palavras usadas no seu dia a dia. Galera não se propõe a fazer análises psicológicas dos seus personagens. Não propõe seus leitores a fazê-lo, idem. Mas deixa espaço para que os que quiserem fazê-lo, façam, mesmo sem precisar. Eu comecei fazendo, até perceber como era pouco importante. E passei a achar o livro ainda melhor.

A história é mais simples ainda: o personagem principal (que não tem seu nome revelado, um detalhe delicioso) resolve largar a vida em Porto Alegre para viver em Garopaba após a morte do seu pai. A cidadezinha praiana serve de palco para boa parte do enredo, em que o personagem tenta se distanciar da vida que levava até então e se aproximar do passado de sua família. Suas únicas responsabilidades eram cuidar da cachorra do pai, que ele acabou adotando, e buscar informações sobre o avô.

Ele acaba fazendo algumas amizades, arranja um emprego como instrutor de natação e corrida, se apaixona. Mesmo com uma deficiência que o impede de guardar feições (ele não se lembra do próprio rosto), as relações interpessoais não são um problema.

Mas acho que o que mais prendeu a minha atenção foi a descrição da lógica introspectiva. Não sou gaúcha, nunca estive no Sul do país, não sou atleta nem tenho problema de memória. Mas me identifiquei com o personagem e entendi suas decisões por causa da forma dele pensar. Uma pessoa bem extrovertida pode gostar do livro pelas coisas inusitadas que acontecem. Alguém mais introvertido, como eu, vai achar muito mais fascinante o porquê das coisas acontecerem.

 

  • Barba ensopada de sangue

Daniel Galera

Companhia das Letras

Páginas: 424

Ano: 2012

R$ 42,00

E-Book R$ 27,50

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