Pato, Cachorro, Garoto e Minhoca

Coleção pato, cachorro, garoto, e minhoca

Coleção pato, cachorro, garoto, e minhoca

Nem a blitz que atazanou a vida dos soteropolitanos no final da tarde de domingo, e me segurou num engarrafamento gigantesco por exatos 32 minutos, impediu que eu fosse  ao lançamento da coleção Pato, Cachorro, Garoto e Minhoca.

Os quatro títulos que a compõem são O ovo e o mundo, O cachorrinho riu, Dias de garoto e A minhoca dorminhoca, e foram escritos pelo autor baiano e grande contista Mayrant Gallo. Assim como eu, o autor é um apreciador de literatura infanto-juvenil.

Mayrant respeita a inteligência das crianças e não lhes oferece histórias com finais definidos e texto banal. Se os temas escolhidos convidam à reflexão, o pequeno leitor sairá também com o vocabulário mais enriquecido.

Parabéns à editora Kalango por publicar uma coleção tão caprichada. Todos os livros possuem capa dura, são do tamanho certo para serem manuseados por uma criança e cada um deles é fartamente ilustrado por uma artista diferente. Detalhes não tão pequenos assim que valorizam muito o produto final.

Ah, a minha história favorita é Dias de garoto.

 

  • O ovo e o mundo
  • O cachorrinho riu
  • Dias de garoto
  • A minhoca dorminhoca

 

Mayrant Gallo

Editora Kalango

R$ 22,90 (cada exemplar)

Mortais

MortaisGostei muito de Mortais – Nós, a medicina e o que realmente importa no final, escrito pelo médico norte-americano Atul Gawande. Quando terminei de ler queria conversar sobre ele e indicá-lo a todo o mundo. Reconheço, no entanto, que para muitas pessoas o tema pode ser difícil de encarar.

É fato incontestável que nossos pais estão vivendo mais que nossos avós – não porque receberam uma boa herança genética, mas por causa dos fantásticos avanços da medicina. E se a minha geração não fizer muita besteira, com certeza, viverá por um periodo de tempo bem maior que a deles.

E é sobre esse longo envelhecer que precisamos refletir: Como fazer que a vida continue valendo a pena mesmo quando estamos fragilizados, debilitados, e não podemos mais nos virar sozinhos?

Nas faculdades os médicos aprenderam a salvar vidas, a consertar um orgão que começa a falhar, priorizando sempre a segurança e a sobrevivência do paciente.

Não que isso seja errado, mas é preciso ter em mente que uma vida só tem sentido quando ainda lhe é permitido realizar as próprias vontades, por mais singelas que sejam.

Vale a pena viver em um lugar cercado de cuidados e regras, que retiram do idoso os pequenos prazeres da vida, fazendo com que ele se sinta como se vivesse numa prisão?

Vale a pena sofrer uma e mais outra intervenção cirúrgica, quando se sabe que elas não irão curar nem devolver ao paciente a qualidade de vida que ele tinha anteriormente?

O que torna a leitura de Mortais tão interessante é que coloca o idoso ou o paciente no papel de protagonista ao perguntar: “Ei! Você pode estar fragilizado e precisando de ajuda, mas estamos falando de sua vida, da sua história. Por favor, diga-nos como gostaria que ela fosse conduzida.”

Verdade que nunca foi fácil falar sobre a morte, mas se se tivermos a coragem de dizer como gostaríamos de morrer estaremos falando como pretendemos viver até o dia  em que Ela nos encontrar.

 

  • Mortais – Nós, a medicina e o que realmente importa no final

Atul Gawande

Editora Objetiva

R$ 29,90

E-Book R$ 19,90

Hamlet ou Amleto?

Hamlet ou AmletoA obra de Shakespeare sempre me intimidou. O mais próximo que estive de uma de suas peças foi quando representei no teatro do colégio o papel de Lisandro, personagem da comédia “Sonho de uma Noite de Verão”.

De lá pra cá, só assisti a alguns filmes baseados nas suas peças, como Romeu e Julieta (1968) do diretor Franco Zefirelli; Amor Sublime Amor, vencedor do Oscar de 1962, também inspirado nos amantes de Verona; O mercador de Veneza (2004) com Jeremy Irons e Al Pacino e Rei Leão (1994) desenho animado dos estúdios Walt Disney  que faz referências à história de Hamlet.

No entanto, a vontade de conhecer o universo do maior dramaturgo de todos os tempos permanecia inalterável. Finalmente, recebi do escritor Rodrigo Lacerda o pequeno empurrão que tanto desejava.

Desde a adolescência, o autor é apaixonado pela obra do bardo inglês. Não por acaso, dois de seus romances que abordam esse universo receberam o prêmio Jabuti: O mistério do leão rampante e O fazedor de velhos.

Recentemente publicou Hamlet ou Amleto? Shakespeare para jovens curiosos e adultos preguiçosos.

O livro é perfeito para quem – assim como eu – precisa de  ajuda para atravessar os obstáculos de uma leitura densa e hiperbólica.

Utilizando-se de uma prosa descontraída, o autor esmiúça as nuances psicológicas do personagem principal, explica os conflitos que surgem quando valores morais são alterados, destrincha o significado de provérbios da época, das mensagens transmitidas por Ofélia através de diferentes tipos de flores, e de frases enigmáticas como: O corpo está com o rei, mas o rei não está com o corpo. O rei é uma coisa… (não se preocupe, você vai entender quando ler)

O autor também desconstrói a famosa cena em que o príncipe da Dinamarca segura uma caveira e diz: Ser ou não ser, eis a questão… Sim, a frase foi dita. E sim, Hamlet pegou numa caveira, mas nunca fez as duas coisas ao mesmo tempo. Hamlet

Quando terminei de ler Hamlet ou Amleto? estava confiante. Agora não tenho mais motivo para não encarar a versão de Hamlet (traduzida por Millôr Fernandes) que há anos aguarda pacientemente na estante por minha atenção.

 

  •  Hamlet ou Amleto? Shakespeare para jovens curiosos e adultos preguiçosos

Rodrigo Lacerda

Editora Zahar (2015)

R$ 39,90

E-Book R$ 24,90

 

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