Paixões & Vampiros

de-paixoes-e-de-vampirosTenho a impressão que minha sede de leitura só será saciada no dia em que conseguir apagar um incêndio de grandes proporções usando apenas um balde de água. Duas situações muito difíceis de acontecer, visto que leituras pedem novas leituras assim como labaredas se alimentam de mais labaredas.

Os amigos conhecem a minha paixão e, quando não indicam, me emprestam os livros que gostaram de ler. Foi assim que cheguei até ao escritor baiano Ruy Espinheira Filho e seu livro  “De paixões e de vampiros, uma história do tempo da era”.

Trata-se de um romance dividido em capítulos curtos que se lê com muito prazer.

“Causos” de uma época antiga quando o autor, ainda estudante, vivia numa cidadezinha do interior e arrumou um emprego não remunerado de jornalista, que serviria de treino para se tornar escritor.

A maioria das histórias é engraçada, como a do maluco que corria por toda a cidade dizendo ser um jipe e se paramentava de pára-choque, farol e buzina; ou do vereador que, ao final de cada discurso que proferia, era carregado nos braços da platéia e jogado em um local nada convencional.

Outras são um tanto melancólicas, até mesmo macabras. Como a do mendigo que fazia questão de estar sempre limpo e um dia afogou a sombra que sempre o acompanhava. Ou da dona da pensão que mitigava as saudades do único filho falecido há muito tempo, limpando e polindo de tempos em tempos os ossos do rapaz.

Histórias que falam de paixões e de vampiros podem ser de outras eras, mas continuam atuais e são sempre apreciadas.

Aos amigos que dividem comigo suas leituras e autores favoritos, o meu muito obrigada!

 

  • De paixões e de vampiros – uma história do tempo da era (2008)

Ruy Espinheira Filho

Editora Bertrand Brasil

R$ 45,00

O livro certo

2º festival ilustração bahia

Inspiro-me no entusiasmo de quem não dá ouvidos aos maus agouros e executa sonhos e projetos.

Não foi fácil, mas mais uma vez Flávia Bomfim realizou em Salvador o 2º Festival de Ilustração e Literatura da Bahia.

Novos participantes e velhos conhecidos se reuniram para criar um evento alegre, colorido e alto astral.

Apesar de já ter participado dessa mesma oficina há dois anos, eu quis ouvir novamente o ilustrador Odilon de Moraes falar sobre O livro ilustrado no Brasil. Afinal, além de profissional de mão cheia, Odilon é um excelente divulgador do trabalho de seus pares, e sempre tem novidades para apresentar.

A oficina durou um dia inteiro, mas passou num piscar de olhos. Foram muitos os livros apreciados pelos participantes e muitas as informações que recebemos. Nessa longa conversa, Odilon pontuou as influências e a preocupação dos colegas em retratar a diversidade social e cultural do país.

Os-invisiveisNo meio de tantos, pincei um livro publicado em 2013 que aborda com muita sensibilidade um tema complicado: a invisibilidade social. Se o texto de Tino Freitas fala de um menino que possui o super poder de ver pessoas que ninguém mais vê, as ilustrações de Renato Moriconi revelam quem são essas pessoas ignoradas pela sociedade.

Os Invisíveis é um livro que merece ser debatido com as crianças. Quem sabe ele funcione como um pontapé inicial e estimule os pequenos leitores a reverter – num futuro próximo – essa triste realidade.

Mas voltando à oficina, Odilon foi forçado a encerrá-la quando o avisaram sobre a longa a fila que o aguardava  para autografar “Lá e Aqui”.

Trata-se do último livro que ilustrou, e foi feito em parceria com sua mulher Carolina Moreyra. “Lá e Aqui” aborda um outro tema difícil e doloroso para as crianças: A separação dos pais.La-e-aqui

Por vezes a infância pode ser uma época cheia de armadilhas e medos. Felizmente, hoje em dia, não existe assunto ou tema que não possa ser conversado com uma criança. Basta apenas encontrar o livro certo.

 

  • Os Invisíveis

Tino Freitas & Renato Moriconi

Editora Casa da Palavra

R$ 34,90

  • Lá e Aqui

Carolina Moreyra & Odilon Moraes

Editora Zahar (Selo Pequena Zahar)

R$ 39,90

Stoner

StonerA primeira vez que ouvi falar de Stoner foi no blog português O tempo entre meus livros. A autora começa assim: Como é que um livro com uma história normal, quase banal, tem o condão de nos “tirar deste mundo”?

Li o post no início do ano e torci para que o livro também fosse publicado no Brasil. Minhas preces foram atendidas e meses depois pude levar o meu exemplar para casa.

John Williams publicou Stoner pela primeira vez nos EUA em 1965. Apesar de possuir uma escrita segura e elegante, o livro não obteve um grande sucesso de publico. Talvez porque não retratasse o prótotipo do herói americano (self made man), mas narrasse a história de um anônimo professor universitário de literatura inglesa na primeira metade do século XX. No entanto, ao ser republicado pela New York Review of Books em 2003 e “descoberto” pela escritora francesa Anna Gavalda, tornou-se um sucesso internacional.

Por mais que tenha gostado do livro e o recomende, tive dificuldade em escrever sobre ele.

Afinal, como “vender” um livro em que o personagem principal é um professor universitário desajeitado e sem sofisticação, um sujeito cuja vida pessoal e carreira estão impregnados de decepção e não reconhecimento? Muitas vezes  me senti desconfortável com as atitudes ou não atitudes de Stoner. “Reaja homem! Não deixem que lhe tirem o que você mais ama!” era o que muitas vezes quis dizer ao personagem do livro.

Stoner começou a vida como fazendeiro. Viu muitas semeaduras serem devastadas por secas e chuvas, acostumou-se às imprevisibilidades da natureza. Portanto, será com o mesmo estoicismo que enfrentará os revezes inexplicáveis da vida.

O personagem incomoda não porque seja um resignado ou padeça de autocomiseração. Muito pelo contrário! Mas porque a força de seu caráter o leva a aceitar o que seria inaceitável pelo leitor contemporâneo.

Terminei o livro com um travo amargo na garganta. Num mundo em que se procura o reconhecimento e valorização dos outros a qualquer custo, não é fácil mergulhar, por horas e até mesmo dias, em uma vida comum sem grandes atrativos. É no entanto a sua simplicidade e a busca em ser fiel ao seu verdadeiro propósito que faz com que ela mereça ser apreciada e conhecida.

 

  • Stoner

John Williams

Editora Rádio Londres

R$ 33,90

Viaggiando com Camila

 

viajando-pelo-mundo

Na maioria das vezes fica difícil, ou até mesmo impossível, determinar quem é o autor das informações pesquisadas na internet que irão dar corpo a um futuro post. No entanto também pode acontecer da busca levar até um novo site ou blog, que informa sobre o que se procura e muito mais!

Pesquisando sobre escritores palestinos encontrei o blog http://www.viaggiando.com.br escrito pela mineira Camila Navarro, que me apresentou The Lady from Tel Aviv. Ela leu o livro porque tem um projeto pessoal muito interessante.

Camila pretende ler 198 romances, cada um representando um dos 193 países membros da ONU, mais os dois estados-observadores (Palestina e Vaticano) e autores de Kosovo, Taiwan e Saara Ocidental, países que ainda não foram reconhecidos como nações independentes.

Seu projeto está bem adiantado, até agora já leu 81 livros. Escritores nada óbvios como Gilbert Gatore de Ruanda ela encontra no site Book Depository. Outros como o português Miguel Sousa Tavares e o norueguês Jo Nesbo já foram publicados no Brasil.

Além de falar sobre literatura o blog aborda um outro tema que me encanta: viagens!

Este tópico fala das atrações, passeios e hospedagens que cada país ou cidade oferece. Também comenta sobre gastronomia com enfoque na culinária vegetariana. O parceiro das andanças de Camila pelo vasto mundo é o marido Eduardo. Os dois já percorreram países não tão óbvios como Albânia, Kosovo e Vietnã, e esnobaram solenemente os mais manjados como França, Itália e EUA.

Camila escreve de maneira fluente e agradável, mas me conquistou definitivamente ao se declarar apaixonada por Portugal. Como diz o ditado popular Quem meus filhos beija, minha boca adoça.

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