Aguapés

aguapes_capa.pdfQuando em 2013 soube que Jhumpa Lahiri havia escrito um novo romance fiquei animadíssima. Ela é a autora de Intérprete de Males, um livro que considero como dos melhores que li até hoje.

Apesar de saber que esse novo romance, Aguapés, fora finalista de dois prêmios literários importantíssimos, o Man Booker Prize e o National Book Award, resisti o quanto pude para o ler. Estranho, não?

Talvez nem tanto se explicar que tenho a estranha mania de não ler mais nada de um escritor se após ler algo que me agradou muitíssimo, leio em seguida algo dele que me decepciona. E foi isso o que aconteceu com O Xará, de Jhumpa Lahiri. Não me recordo mais qual foi a razão, pois já faz muito tempo, mas não gostei do livro.

Recentemente reli Intérprete de Males e mais uma vez senti o frescor e contentamento da primeira leitura.

Deixei de lado as minhas bizarrices e comprei Aguapés. Mas não me rendi facilmente. O livro estáva ali, do meu lado, mas vários outros passaram na sua frente.

Aguapés foi a ultima leitura do ano, e posso dizer que o fechei com chave de ouro!

Entrei em águas conhecidas e mergulhei na prosa elegante e enxuta de Jhumpa Lahiri que desliza sem sobressaltos.

Aguapés são bonitas plantas aquáticas que nascem nos rios ou em terras alagadas.  Podem ser utilizadas para despoluir as águas que estiverem contaminadas por esgotos. Mas se proliferarem desordenadamente acabam por “asfixiar” os rios e lagoas que haviam salvado.

Pois foi à beira de terras como essas, na periferia de Calcutá na Índia,  que os irmãos Subhash e Udayan cresceram. Inseparáveis e de temperamentos opostos, eles se completam. Até que o mais velho decide seguir os estudos nos EUA e o mais novo entra numa organização politica clandestina.

Durante algum tempo trocam cartas contando como corre a vida de cada um. Mas Subhash conhece o irmão melhor do que ninguém e percebe o fosso que se forma entre eles dois.

Um dia recebe um telegrama avisando, sem maiores explicações, que Udayan morreu.

Ao retornar à casa dos pais conhece a cunhada, agora viúva e grávida. É Gauri que lhe conta que o irmão foi assassinado pela polícia.

Num gesto impensado Subhash decide se casar com ela e levá-la para os EUA. No entanto as coisas não correm exatamente como imaginou. Por mais que se esforce, eles não conseguem construir uma familia. Gauri ergue muralhas invísiveis ao seu redor e silencia sobre o próprio passado, do qual não consegue se libertar.

São muitos os estranhamentos e descompassos – tanto culturais quanto os de relacionamento entre os personagens – e  Jhumpa Lahiri  com sua prosa segura e delicada os apresenta de maneira magistral e sedutora.

Um segredo pode ser tão danoso quanto um aguapé.  Inicialmente pode proteger alguém, mas com o passar do tempo torna-se um fardo difícil de suportar, alastra-se silenciosamente e quando nos damos conta já contaminou tudo ao redor.

  • Aguapés

Jhumpa Lahiri

Globo Livros (Biblioteca Azul)

R$ 44,90

E-Book R$ 31,40

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Andrea Morizot
    jan 06, 2015 @ 14:27:59

    Próximo da lista.

    Responder

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